14 de novembro de 2012

"Você é uma garota crescida agora"



You made it there somehow

You're a big girl now


Até ontem, havia uma máquina de amigos imaginários bem aqui. Um baú de Barbies e uma princesa cheia de contos de fadas para viver. Os amigos imaginários ficaram perdidos em alguma parte do meu passado. O baú de Barbies foi doado. E, hoje, a princesa desceu do castelo, arregaçou as mangas e foi caçar muito mais coisas encantadas além do príncipe.

É, os 21 anos chegaram. Parece que foi ontem que eu fugia do palhaço no meu aniversário de 4 anos, morta de medo que ele descobrisse que a aniversariante era eu. A aniversariante sou eu outra vez, mas dessa vez eu tento me esconder do Tempo mesmo. Para ver se ele para de voar e me levar junto com ele.

Eu continuo deixando minha imaginação me vencer quando se trata de amizades, nessa mania de sempre esperar muito das pessoas. Eu ainda não aprendi a me decepcionar de um jeito bonitinho, calminho e civilizado. Mas eu diminuí o tom, abaixei a bola, comecei a aceitar que nem todo mundo é do jeito que eu espero. Nem eu mesma acabei do jeito que eu esperava.

Eu já posso entrar em qualquer cassino de Las Vegas. Mas eu ainda não sei um terço do que queria saber sobre o amor. E não sei nem 1% do que queria saber sobre a vida. Eu ainda não sei perder as pessoas que amo. Ainda não aceito doenças cruéis em pessoas boas. Ainda não sei segurar o choro, mesmo que todos zombem de minhas lágrimas. Ainda não sei ser saudável, nem comer pouco, nem fazer ginástica por prazer. Eu ainda não aprendi a dormir cedo e a acordar sem reclamar.

Eu aprendi a esperar menos da vida e a correr mais atrás das coisas que quero. Mas ainda não consegui parar de olhar para o meu próprio umbigo de vez em quando. Eu ainda quebro a cara, o coração e o bolso. Eu ainda tenho vontade de correr para os braços da minha mãe e me proteger de tudo e de todos em seu colo. Eu ainda acredito nas pessoas. Ainda acredito muito nas pessoas.

Não aprendi a esquecer tudo, não aprendi a lidar com o tempo voando, nem aprendi a gostar de aniversários. Mas aprendi a ser grata pelas pessoas que seguram minha mão e fazem a vida ter algum sentido. Aprendi a agradecer pelos parabéns, pelas amizades, pelas palavras amigas e pelos elogios. Então, obrigada. Por cada “parabéns”, por cada “feliz aniversário”, por cada amizade. Obrigada por estarem aqui. Quando tinham a opção de não estar. Obrigada.  


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