16 de fevereiro de 2013

A saudade e todo o resto

Eu detesto passar pela sua rua. Sempre que preciso ir para o seu lado da cidade, faço de tudo para não passar pelos lugares que me lembram você. Se eu passo pela sua cafeteria preferida, escuto sua risada. Se passo pelo banco em que você ficava sentado desenhando, sinto seu cheiro. A pior parte de todas é quando passo pelo seu prédio e lembro do seu abraço. Vou lembrando de você assim, em doses homeopáticas, para ver se diminuo a dor de saber que, enquanto passo pela sua rua, você não vai aparecer.
Guardo você em pedacinhos pequenos. Tenho suas últimas mensagens salvas no celular, para ler toda vez que a falta aperta de verdade. Mandei revelar as fotos em que nós parecíamos mais felizes, para lembrar que um dia tudo foi mesmo mais fácil (e para ter a esperança de que um dia vai voltar a ser). Montei um cd inteirinho com as músicas que você gravou para mim. Eu preciso lembrar da sua voz de vez em quando, para ter certeza de que não estou ficando louca, imaginando alguém que não existiu.
Não gosto de dizer que é saudade. Não é possível que tudo isso se explique em apenas uma palavra. Que mágica é essa que faz esse buraco inteiro caber aí nessas sete letrinhas? Não é só saudade, é uma falta absurda, um buraco que não preenche nunca, uma vontade de me enfiar no primeiro avião que me leve para perto de você. Falando em mágica, já inventaram alguma que me teletransporte toda noite aí para o seu lado, só para me dar a certeza de que toda essa distância vale mesmo a pena?
Eu leio as notícias de tecnologia todo dia, só para ver se alguém já inventou um aparelho que diminua esse espaço entre a gente. Celular, internet, webcam. Nada disso mais é suficiente. Eu quero você aqui, ou me quero aí. Se for pedir muito, então só me deixa guardadinha no seu abraço. Eu juro que não faço bagunça, não faço barulho, nem causo muito estrago. Eu só quero ser parte de nós dois de novo na realidade, e não só nas minhas lembranças.
Passo longe da sua rua, na esperança de passar qualquer hora, na verdade, mais perto de você. Escuto suas músicas, contando os dias para te ouvir cantar no meu ouvido de novo. Olho nossas fotos, só para lembrar do seu sorriso. E te espero, você e o seu abraço, que é o melhor lugar do mundo. Um dia você volta e a gente vira realidade outra vez. E descobre que distância passa, saudade passa, mas nosso amor não. Nosso amor fica. Maior ainda.

Texto publicado no blog Depois dos Quinze, da Bruna Vieira, no dia 15/10/2012. 


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