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A última vez que te peço pra ficar

Se você passar por aquela porta, acabou. É a última vez que digo isso e, dessa vez, é pra valer. Do lado de lá, há um mundo de oportunidades, é verdade. Você pode esbarrar com a nova garota da sua vida, pode arranjar alguém que não te cobre ou pode descobrir uma vida de solteirice bem mais divertida do que nossos jantares a dois. Do lado de lá, não vai ter ninguém para pegar no seu pé quando você fizer algum comentário estúpido, ou quando deixar a casa bagunçada ou ainda quando ficar insuportável por causa do seu time de futebol. Mas já fica aqui o aviso de antemão: se desistir de nós dois, não vai ser só até amanhã, como você sempre faz. Depois daquela porta, vai ser só você de hoje em diante.

Aqui dentro, a minha decisão já tá bem tomada: essa é a última vez que eu te imploro para ficar. Fica! Mas fica inteiro, sem dúvidas, sem neuras, sem mágoas. Não fica só por preguiça, nem por acomodação. Fica porque você me ama, porque não quer me perder, porque ainda se lembra de tudo o que a gente viveu até aqui. Se não lembra, tenta lembrar. Tenta se lembrar do que valeu a pena. E do que não valeu também. Tenta lembrar as nossas brigas, os nossos gritos e tudo o que a gente superou. Tenta lembrar as coisas que a gente engoliu por conta do que você jurava ser amor. Tenta resgatar aí na sua memória, vai. Não deixa a raiva te vencer, nem faz as coisas sem pensar. Porque se você for, eu não vou lutar pra te fazer voltar.

Eu sei. Parece coisa de gente que já desistiu, mas é só porque desse lado também há um coração cansado e machucado. E olha só, masoquista que sou, continuo aqui, disposta a esclarecer, disposta a tentar, disposta a ficar. Eu fico. Mas você tem que ficar também. Tem que ficar de vez. E a gente se ajeita, se arruma, apara as arestas, finaliza as brigas, esquece as ofensas que ficaram para trás. Ainda dá para salvar o que os anos guardaram de bom. Eu juro: a gente ainda não estragou tudo. Aqui dentro, pelo menos, ainda há muito amor.
Mas a porta tá aberta: a de casa e a da minha vida. A partir do momento em que você passar para o outro lado, as chaves vão ser passadas e sua entrada proibida. Você pode ir embora, é claro. Você tem o direito de cansar, de não querer mais, de desistir de nós dois. Mas, por favor, pensa bem. Pensa bem porque se você for embora, dessa vez eu não espero. Não vou deixar os objetos esquecidos na gaveta, não vou manter o status de compromisso nas redes sociais, nem vou esconder dos meus pais que a gente acabou. Sem reconciliações, sem amizade colorida, sem nossos mil perdões. Se a gente acabar dessa vez, acabou mesmo. O fim vai ser o fim. Escutou?
Se você passar por aquela porta, vai me doer, vai ser horrível, vai parecer o fim de tudo para mim. Mas depois eu vou ser obrigada a levantar, seguir a vida, entregar suas coisas e te deletar daqui. Se você desistir, não diga que eu não avisei, amor: a gente acabou.

Texto publicado no blog Depois dos Quinze, da Bruna Vieira, no dia 15/02/2013. 

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