Pular para o conteúdo principal

Em que esquina a minha vida vai encontrar a sua?

O calor do seu abraço já tá sumindo de mim. Foi quase ontem, mas parece uma outra vida. Sua voz no telefone não é a mesma. O “eu te amo” na mensagem também não. Nem o e-mail que você me manda contando do seu dia é suficiente para me fazer sentir um pouquinho mais perto. Tudo isso ajuda, mas nunca vai ser um décimo do que eu queria de você comigo. Eu queria poder correr para o seu colo a qualquer hora do dia. Queria receber seu beijo entre uma respiração e outra. Queria entrelaçar nossas mãos quando batesse aquele medo do que os próximos dias reservam para mim.

Mas a vida nem sempre dá aquilo que a gente deseja. Ou dá – mas não exatamente do modo que imaginamos. E aí eu tenho que respirar fundo e amar de um jeito completamente novo. Eu tenho que engolir a saudade, a falta, a ausência e me encher de lembranças, memórias e recordações. Eu me encho de você em cada hora do dia, em uma mensagem, uma ligação ou uma foto qualquer. Vou me completando com você, pouquinho a pouquinho, como se fosse remédio tomado a conta-gotas, para ver se preencho, com o você que eu guardo aqui dentro, o buraco que você que existe aí do seu lado deixou.

São só algumas cidades, eu sei, mas parece outro mundo. Eu te falo “até daqui a pouco” com a sensação de que não vou te ver nunca mais na vida. Eu juro que não é só a alma e o coração – meu corpo dói inteirinho.  E eu vou te amando em dobro porque é o que me resta. Cada vez que lembro de você, te amo um pouquinho mais. E, quando vejo, tô te amando mais do que eu achava que fosse possível. Talvez, se você estivesse aqui o tempo todo, eu não aprendesse a te amar tanto. Talvez, a gente esteja passando pelo mais difícil agora, logo de cara, para aguentar com mais leveza tudo o que vem pela frente.

Sua mensagem de boa noite nunca vai ser igual a um beijo de fim de dia. Mas nós vamos levando. Matando a saudade pouquinho a pouquinho, até o próximo abraço. E ficando mais fortes enquanto preenchemos nossas distâncias. Vamos vencendo os quilômetros, os buracos, as saudades e as ausências. E eu vou te amando, um pouquinho mais do que ontem, um montão menos que amanhã. E aprendo. Meu Deus, como eu tenho aprendido. Principalmente, que você pode estar aqui, aí, do outro lado do mundo ou em Marte: te amar é dessas coisas pelas quais eu luto. Muito. Muito.


Tema sugerido pela minha leitora, amiga e fiel escudeira Paula Toledo. 

Comentários

  1. Lindaaaaaaaaaaaaa! Obrigadaaaa, Kah !!! Ficou maravilhooso!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que você gostou, Pá <333

      Excluir
  2. Que perfeição de texto!!Ameii!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Karen, você sempre uma fofa! <3
      Obrigadaa!
      beijos

      Excluir
  3. owntttt que lindooo Kah. Como sempre surpreendendo.

    "Tudo isso ajuda, mas nunca vai ser um décimo do que eu queria de você comigo" Amei demais. Acho que em todos os comentários digo isso, mas é mto vdd!!

    Beijossss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico tão feliz com seus comentários, Débora
      Obrigada <33 sempre!

      Excluir
  4. Amei amei! diz tudo q eu passo no momento... meu namoradolindo mora pouquinho loooonge de mim ;/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. :/ Mas cês superam essa distância, Leidy :D
      Fiquei feliz que curtiu!

      beijos

      Excluir
    2. ''E eu vou te amando em dobro porque é o que me resta.'' (in)felizmente? :c

      Excluir
  5. Me lembra meu último relacionamento (e ele foi o cara que mais amei na vida). Ele mora no RJ e eu em SP. Durou 3 anos. Exatamente desse jeitinho que você fala no texto. Será que a sua amiga Paula é uma segunda eu, ou eu sou uma segunda Paula? hahahahha

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …