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O fim e a aliança jogada pela janela

A última coisa que eu ainda tinha de você, ontem eu joguei pela janela. A intenção era jogar a aliança e o amor, mas foi só a aliança. Uma hora eu esqueço e o amor vai também, mas por enquanto você continua irritantemente guardado aqui. Mesmo quando o que me resta de você são só as minhas lembranças e a música que você dizia que era nossa.

Eu sei que parece birra de menina boba. Você vai dizer que continuo a mesma mimada de sempre. É besteira e eu já devia ter deixado pra lá. Quem é que continua sofrendo pelo mesmo cara depois de tanto tempo, não é? Você deve pensar aí do seu canto que é só mais um dos meus defeitos, essa mania de não desapegar. Eu não falo nada, nem te contrario, porque devo ser muito boba mesmo. Mas você ainda lembra que eu era a sua pequena?
Não consigo aceitar que hoje você ande por aí como se nós nunca tivéssemos nos amado. Não consigo aceitar que passe por nossas lembranças, batido, como se não tivesse significado tudo o que significou. Me ensina aí como é que faz para deixar pra trás uma história inteira e seguir em frente, virar a página, essas coisas que todo mundo continua repetindo que eu tenho que fazer. Não te culpo por nada não, nem por ter me superado, eu só queria saber como você fez isso quando dizia que eu era a garota da sua vida.
Escuta, eu queria te dizer que não se diz para alguém que ela é a pessoa mais importante de todas e depois a trata como se ela tivesse sido uma mera desconhecida. Não fala de mim por aí como se eu tivesse sido uma qualquer. Não destrói ainda o que resta de você em mim. Nem finge que não resta mais nada de mim em você.
Por mais que você finja para todo mundo que eu não fui ninguém, que nós não fomos nada, eu ainda sei qual é a sua comida preferida. Eu ainda sei que você adora que te façam carinho na orelha esquerda. E ainda sei que você faz um monte de besteira só para conseguir chamar a atenção do seu pai. Eu te conheço, você pode até fingir que não. Você continua sabendo todos os meus sonhos. Eu não mudei tanto assim. Eu continuo odiando mentiras, traições e ingratidão. E continuo amando você. Por mais irônico que isso possa parecer.
Da próxima vez que a gente se esbarrar, não precisa dizer que ainda me ama também. Não precisa correr para os meus braços nem dizer que nosso fim não passou de mais uma das nossas briguinhas idiotas. Eu vou te superar, eu prometo. Eu vou te esquecer, eu só preciso de mais um tempo curtindo o que eu ainda sinto por você. Mas não finge. Não finge que eu não fui nada, que a gente não foi nada, que a gente nunca se amou.

Texto publicado no blog Depois dos Quinze, da Bruna Vieira, no dia 15/10/2012. 

Comentários

  1. Voce escreve muito bem! adoreii simplesmente! pode visitar meu blog e se quiser seguir? seria gratificantee pra mim, adoro seus textos, e os da bruna então mais ainda..! parabéns de verdade!
    http://cantinhodanina19.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já to dando uma olhada no blog e vou responder o e-mail que você mandou pra mim!
      Beijão e obrigada!

      Excluir
  2. Eu lembro desse texto, acho ele muito lindo <33
    rascunhosecaprichos.blogspot.com.br
    beeijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parece que escrevi esse texto ontem e já faz tanto tempo, né? ahahha
      Obrigada, Nah
      beijos

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