Pular para o conteúdo principal

O que sobrou de você

É começo de ano. O fim do ano passado levou com ele o nosso fim também. Não é estranho falar assim? “Nosso fim”. Nunca achei que esse dia ia chegar. Achei que acabaríamos juntos, por mais ridículo que isso possa parecer. Eu sei, eu sei, fui besta de acreditar em nós dois. Ninguém mais acreditava em nós dois, muito menos você. Fiquei lutando sozinha, acreditando sozinha, insistindo sozinha. Mas tudo bem. Acabou. Não vou remoer nosso fim pra sempre. É ano novo, não é? Época de coisas novas. Pessoas também. Quem sabe um amor novinho em folha não me apareça por aí.

Mas eu pensei em você nos segundos finais. Sabe, enquanto todo mundo tava lá contando os instantes para o momento da virada. Eu pensava em você. Em nós dois. Em tudo o que a gente passou. A gente passou tanta coisa. Eu costumava achar que você era o amor da minha vida. O-amor-da-minha-vida. A gente não acha isso de qualquer pessoa. Você não era qualquer pessoa. Ainda não é. Só não é mais meu.

De qualquer maneira, você nunca foi meu de verdade, não é? Parece que você sempre soube que nós teríamos um fim. Sempre com esse pé atrás, sempre com esse jeito de não se entregar demais. Eu me joguei em um mergulho sem fim e tive que te assistir ficar na beira do precipício. Com seu discurso de ter medo de se machucar e tudo mais. Não é justo machucar os outros por receio de quebrar o coração, combinado?

Mas tudo bem. É ano novo, amor, eu já disse. Passou. Não, eu não vou guardar raiva nenhuma de você. Mas também não guardo mais amor. Guardo um carinho bom de tudo o que a gente viveu e aprendeu. E te guardo num capítulo bem bonito da minha história. O cara que eu achei que era o amor da minha vida e não era.

Mas faltando segundos pro ano novo, só te desejei mais coragem. Coragem, amor. Pra viver, amar, quebrar a cara e o coração. A gente precisa sim quebrar a cara e o coração. Hoje, eu vejo isso. Tô aqui, depois de ter quebrado os dois, inteirinha. Mais madura, mais forte e, com certeza, mais feliz. Tô me amando mais, sabia? E agora, finalmente, vou poder procurar por aí alguém que saiba me amar de verdade. E parar de amar alguém que não me ama.

Enquanto isso, você continua o mesmo. Fiquei sabendo que andou tentando me diminuir para nossos conhecidos. Mas é ano novo. E nesse ano, por você, vou ter só um tiquinho de carinho. E um bocado de pena.

É, pena, amor. Pena.


Texto publicado no blog Teen and Twenties, no dia 02/01/2013. 

Comentários

  1. ''Tô me amando mais, sabia? E agora, finalmente, vou poder procurar por aí alguém que saiba me amar de verdade. E parar de amar alguém que não me ama.'' THISS!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …