16 de fevereiro de 2013

Sem essa de fazer de mim o que quiser

Você não ligou. Nem depois do primeiro encontro, nem depois do último. Não que eu achasse que fosse ser a exceção que eu sempre sonhei, mas eu depositei uma certa esperança em você. Eu quase nem fiquei perto do celular, quase nem dei mil pulos cada vez que o telefone tocava, quase nem deixei de fazer as minhas coisas porque você aparecia nos meus pensamentos. Você não ligou e eu tentei me convencer de que isso não era nada demais.

Você achou que podia fazer de mim o que quisesse. O ridículo é que podia. Eu deixava que você fosse e voltasse quando bem entendesse. Eu deixava que procurasse coisa melhor, e aí corresse ao meu encontro quando não esbarrava com nada melhor por aí. Acho que é coisa de gente que não se dá o devido valor, mas eu era boba de te esperar mesmo sabendo que você só me tinha por pura diversão.
Eu levava pequenos sustos quando você aparecia do nada. E ria como uma boba. Eu achei que podia te convencer de que era eu. Era eu, você só precisava ver. E aí você sumia e eu perdia as esperanças de novo. Até você voltar com aquele seu sorriso lindo e eu me deixava enganar outra vez. Porque, muitas vezes, a gente sabe que está sendo enganada, por incrível que possa parecer. É que às vezes a gente deixa.
Quando eu te conheci, eu tive quase certeza de que era você. Sabe, aquela velha história, a gente sempre acha que sabe quando conhece o tal do cara certo. Paixonite aguda, minha mãe iria dizer. Eu fingia que não via que você era igualzinho a todos os outros que já tinham passado por aqui. Eu fingia que não via que me usava como um “step”, só para garantir que nunca iria ficar sozinho. Meu carinho sempre te serviu apenas pra inflacionar o ego. Mais nada.
Outro cara surgiu nesse meio tempo. Um cara que ligou após o primeiro encontro. E muitas outras vezes também. Um cara com um sorriso ainda mais lindo do que o seu. Um cara que não me via só como mais uma diversão. Alguém que me ensinou que existe uma enorme diferença entre um cara que gosta de você e um cara que gosta do fato de você ser louca por ele. A linha nada tênue entre quem merece o seu amor e quem merece o seu desprezo.
Eu estou indo ao trabalho e meu celular toca. Eu acho que é ele. Aí abro um sorriso enorme. É só você. Das outras tantas vezes que eu esperei, você não apareceu. Você me chama para sair e eu recuso. Fica chocado ao perceber que eu não vou mais estar aqui a sua disposição. E eu desligo e sorrio. Deleto seu número da minha agenda e decido que não quero te ver nem pintado de ouro. Porque eu podia ser a boba que estava sempre aqui quando você queria, mas idiota eu não sou. Idiota é você.

Texto publicado no blog Depois dos Quinze, da Bruna Vieira, no dia 22/10/2012. 


Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. uau! já sou fã! escreve bem demais. lindamente bem. serio.

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  2. jamilly26/3/14

    Nossa que texto lindo! descreve tudo que eu sinto

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