20 de março de 2013

O resultado de nossas acusações

A gente acabou. Não era para importar mais. Mas, de alguma maneira, você continua presa a mim e eu continuo preso a você. O tempo passou e o que foi dito, foi dito. O que não foi dito ficou gritando em nossos ouvidos também. As acusações que você não fez com palavras, fez questão de dizer em seus olhos, de jogar em indiretas, de colocar em cada música que escreveu. Você me acusou de tudo o que pôde, até de ter te culpado pelo nosso fim. Pior: você ainda me acusa.

Você e essa mania incansável de acreditar que eu coloco só nos seus ombros o peso de tudo quando se refere a nós dois. Como se eu não amargurasse os meus próprios erros cada vez que esbarro em uma foto, cada vez que encontro seu sorriso ou alguém me pergunta de você. Como se eu não engolisse em seco cada vez que escuto sua canção na rádio gritando o nosso fim, e me encontro inteiro exposto no refrão. Como se eu não sentisse uma pontada no peito cada vez que você aparece na capa de uma revista com seu mais novo amor da vida.

Pra falar a verdade, meus gritos de acusação não me serviram de nada. Cada dedo apontado a você trazia outros três apontados pra mim. E trazia o seu choro. E trazia o seu silêncio na cama. E trazia sua decepção por eu nunca te entender, por eu nunca te aceitar, por eu nunca querer dar o braço a torcer. Só eu sei o quanto me doeu apontar cada falha sua e ver você silenciando meus defeitos para ter mais munição para me atacar quando precisasse. Exatamente como você faz agora. Vive por aí dizendo que eu te culpei por tudo. Por tudo.

O orgulho passou, por mais que você não tenha percebido. Meu silêncio nada mais é do que uma tentativa de fugir de nós dois, de fugir dos meus erros e do prêmio que eu nunca vou ganhar. É uma tentativa – frustrada – de esquecer que eu não aguentei, que eu não dei conta, que eu joguei a toalha. E que eu procurei, tantas vezes, te dizer com sinais que eu precisava que você parasse de aceitar minhas voltas e finalmente corresse atrás de mim, mas ainda assim não consegui ser claro. Nem com todo o amor do mundo.

E, no fim, fui eu sim que fui embora da sua vida. Fui a ter coragem de pular do barco e gritar com meu adeus: “vai ser feliz, pelo amor de Deus”. Nem que isso significasse te perder para sempre. Nem que isso significasse a sua eterna incompreensão. Nem que isso significasse o seu ódio por mim. Eu abri mão de você porque eu sabia que eu nunca ia te amar do jeito que você queria. Na verdade, até mais do que você queria eu te amei. Mas não te bastava, eu sabia. E eu corri pra longe pra ver se você cuidava da sua sanidade mental e desistia de vez do nosso amor doentio. Mesmo correndo o risco de você desistir mesmo. Você desistiu.

Agora que acabou, não me pinta como o vilão. Também prometo tentar esquecer os seus erros. É que eu não tenho mais forças para enfrentar tudo de novo. Esse coração aqui não aguenta. Só não finge que eu também não tentei. Não finge que eu não engoli sapos intragáveis pra te ver sorrir. Não finge que eu não corri atrás de você centenas de vezes, quando você vivia dizendo que entre nós dois não era nada sério. Não mente por aí – nem pra você – dizendo que só você desistiu de coisas por mim. Que eu, meu bem, fui bem além do que achei que podia e desisti do meu coração inteirinho.

Inteirinho.
Só por você. 



Esta é uma série desenvolvida em parceria com a Nanda Campos, para ler a versão feminina desse conto clique aqui


Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. AFE EU AMO ESSA SUA VERSÂO
    <3

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    1. HAHAHAHAHA <3 você tá falando tanto que eu tô começando a curtir um pouco HAHAHAHAHHA

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  2. Amei!!! Na realidade, li me imaginando no lugar do locutor... XD

    http://www.enxergando.com.br/

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    1. HAHAHAHAH Que bom que você curtiu, Natasha!

      Beijão

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  3. Muito bom ....

    òtimo texto Kah

    Parabéns!!!

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