Pular para o conteúdo principal

Quando reencontrei você

Você tinha a mão colocada de leve na cintura dela. Essa foi a única coisa que eu reconheci em você: o jeito que a segurava era o mesmo jeito que você me segurou por todo o tempo em que esteve aqui. Seu cabelo estava diferente. Seu sorriso, suas roupas e seu olhar. Se eu esbarrasse com você na rua, distraída que sou, talvez eu não te reconhecesse. Talvez, eu tenha parado de te reconhecer bem antes de você ter ido embora.

No meu mundo ideal, eu não insistiria em um relacionamento em que só eu ainda estivesse tentando. Orgulhosa, eu arrumaria minhas coisas, pegaria minhas roupas e recolheria meus cacos. Iria reconstruir o coração em qualquer outro lugar. Mas aqui não é meu mundo ideal. E eu, ma-so-quis-ta, fiquei aqui, quis assistir a você fugindo de mim pouco a pouco. Quis sofrer vendo você deixando de me amar...


Eu sabia. Eu fingi que não, mas eu sabia. Eu me preparava, dia após dia, para o momento em que você fosse entrar pela porta e dizer que tinha acabado. Eu deixei que fosse você a terminar, porque aqui dentro eu não queria admitir que nós dois acabaríamos para sempre.

Mas eu via como você a olhava. E eu sabia, por que era exatamente a maneira com a qual você costumava me olhar. Quando ainda me amava. Era aquele sorriso que você abria. O mesmo sorriso que você dava quando ela passava por nós dois. E você nem disfarçava. Eu sorria também, querendo morrer um pouquinho por dentro. Eu já tinha te perdido – eu só tentava enganar a mim mesma dizendo que não.

Então, um dia, você finalmente foi. Finalmente conseguiu a coragem e arrumou suas malas. Eu fiquei aqui, reconstruindo o coração a passos lentos, achando que eu nunca mais iria amar de novo. Morrendo de medo do futuro, do que a vida me reservava. Querendo você e seu abraço pra curar as dores que você mesmo deixou. Mas passou. A vida tratou de te levar, realmente, de mim. Por inteiro.

Aí eu te reencontrei. Esbarrei com você em um daqueles lugares que nós dois sempre íamos. Você tinha a mão colocada na cintura dela. O rosto, o cabelo, o sorriso e o jeito totalmente diferentes de quem eu tanto senti falta. E não doeu. Ver você com ela não me matou. Nem quis chorar, nem me incomodou. Eu te vi e só respirei fundo. Porque, no fundo, eu sabia, eu sempre soube: uma hora, esse nosso amor torto ia acabar chegando ao final.

Agora, posso dizer que, finalmente, acabou


                        Texto encomendado pela leitora Débora Thalita. Espero que você goste <3

Texto publicado no blog da Raiane Ribeiro, no dia 27/03/2013.

Comentários

  1. Kaa seus textos e os da fernanda sao demaisss sempre acompanhoo aquiii te add no face mas nao sei se vc viu ou nao acc pq nao me conhecia adoroo vc a fee e a bruna vieiraa tdas mttt talentosas beijocas
    Www.cantinhodanina19.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Cyh, tudo bom? Ah, que bom que você gostaaaaa! <3 fofa! Você já curtiu minha página no FB? Manda uma mensagem pra mim por lá que a gente conversa, tá? Na verdade, eu nem tô vendo quem tá me adc no perfil pessoal :/

      Beeeeijos

      Excluir
  2. Whonnnnnnnnnnnnnnnn valew muito Kah @.@

    Amei que você postou tbm aqui no blog. Estou a cada dia mais apaixonada pelos seus textos.

    Muito obrigada e parabéns mais uma vez!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada você pela sugestão, Débora <333
      Sempre que tiver, pode mandar, eu agradeço! hAHAHAHAHAH <3

      Excluir
  3. Kah, li tudinho. E achei tão triste, mas ao mesmo tempo tão doce. Embora tenha acabado, o que vale é a superação. Já passei por uma situação semelhante, superei, e hoje estou com uma pessoa maravilhosamente amável. rs

    Adorei.
    Um beijo
    Humble Opinion

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, que bom que você gostou, Verônica <333 Obrigada pelo comentário!

      Excluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …