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Eu falo de amor o tempo todo


Eu assisto a filmes românticos e choro. Leio histórias que fazem meu coração apertar. Eu me emociono com propagandas, com cartas, com e-mails e comerciais de margarinas. Eu vivo me derretendo em histórias alheias, sorrisos alheios, amores alheios, porque, no fundo, eu nunca quero nada para mim. E aí eu vivo por aí escrevendo sobre o amor e escondendo de todo mundo que a minha vida toda tudo o que eu mais fiz foi procurar não amar.

Eu procurei não amar aquele carinha que se declarou para mim em pouco tempo. Eu procurei não amar meu melhor amigo, porque ele ia embora para outro país. Eu procurei não amar meu casinho de infância. Eu procurei não amar de verdade nem os meus amores platônicos, porque eu morria de medo de entregar meu coração para alguém tão distante de mim. Eu procurei não amar o vizinho, o menino que sentava ao meu lado e meu ex-qualquer-coisa. Eu fugi do amor como quem foge da cruz, e falei de amor, li sobre o amor, escutei amor, assisti ao amor. Tudo para me encher de algo que eu quase nunca tive.

Talvez um psicólogo dissesse que eu tenho mania de autossuficiência. A verdade é que eu tento tanto não precisar das pessoas porque saber que não precisam de mim dói demais. A verdade é que eu tenho tanto medo de ser esquecida, ignorada, deixada de lado, que eu vou construindo pouco a pouco, tijolo a tijolo, um muro em minha frente. Abro porta, janela e portão pra quem quiser entrar. Mas basta um mísero sinal de que não tá gostando da hospedagem para eu passar a chave em todas as trancas.

E eu vivo por aí como se estivesse tudo bem. Como se minhas feridas estivessem fechadas. Como se eu desse oportunidade para tudo o que quiser acontecer. Enquanto vou me trancando em mim e me guardando, me diminuindo, me podando. Vou evitando transbordar para ninguém roubar a minha essência. E todo o amor que tenho, guardo aqui. Trancado a sete chaves, como uma criança acuada que tem medo que roubem o seu melhor brinquedo.

No fundo, eu sou só uma farsa.

Eu falo de amor, mas nem amo.

Comentários

  1. ''E eu vivo por aí como se estivesse tudo bem. Como se minhas feridas estivessem fechadas. Como se eu desse oportunidade para tudo o que quiser acontecer. Enquanto vou me trancando em mim e me guardando, me diminuindo, me podando. Vou evitando transbordar para ninguém roubar a minha essência. E todo o amor que tenho, guardo aqui. Trancado a sete chaves, como uma criança acuada que tem medo que roubem o seu melhor brinquedo.

    No fundo, eu sou só uma farsa.''

    E mais uma vez, períodos curtos me descrevem.

    O texto não me descreveu por completo em questão ao amor, mas as palavras se encaixaram em outras áreas do meu eu interior que interferem nisso. Foi como ouvir '' EU falo de sonhos, mas não luto pelos meus. EU falo de liberdade, mas nem sou livre''.

    Lindo!!!

    BEIJÃO,
    www.spiderwebs.com.br

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    1. Ai, Sabrina sua linda! <333

      Obrigadaaaaa!
      Fico feliz que, de alguma maneira, tenha se identificado com alguma parte do texto <3

      Beijos

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  2. Porque você essa capacidade de sempre escrever o que eu sinto? Por isso que eu amo teu blog e seus textos

    Parabéns sempre lindo <3

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    1. Awwwwwwn <3 Obrigada, Iaraaa <3

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  3. Caracas, esse texto simplesmente me definiu. De verdade, chega ser anormal a forma que eu me identifiquei com cada palavra. Falo tanto de amor, fico tão feliz pelos outros, mas não consigo mais sentir. Tudo porque senti uma vez, e isso deixou um buracão que não consigo tampar nem com o tempo. Wow, tava com saudade dos textos! Maravilhoso.

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    1. Um dia o buraco tampa, se Deus quiser :D

      Obrigada pelo comentário, Sam <3
      Beijos

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  4. Que sdds dos seus textos... ja tava pensando q vc tinha abandonado a gente. rsrsrs
    Kah que texto lindooooo, ele fala sobre vc msma?? Amei demais, parabens!!!

    Bjuss

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    1. Nada de abandonar não ahahahha :D
      Esse é meu msm, fala um pouco sobre mim!

      Obrigada, Débora!
      beijos <3

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  5. jainy cristina3/5/13

    mais que texto lindo kah é a gente respira amor pra todo lado mais as vezes é complicado nos permitir se misturar a tudo isso é mais facil olhar de fora ficar feliz pelo os outros... amei !

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    1. Pois é, muito difícil!
      Obrigada, Jainy

      beijos

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  6. "...Eu procurei não amar aquele carinha que se declarou para mim em pouco tempo. Eu procurei não amar meu melhor amigo, porque ele ia embora para outro país. Eu procurei não amar meu casinho de infância. Eu procurei não amar de verdade nem os meus amores platônicos, porque eu morria de medo de entregar meu coração para alguém tão distante de mim. Eu procurei não amar o vizinho, o menino que sentava ao meu lado e meu ex-qualquer-coisa. Eu fugi do amor como quem foge da cruz, e falei de amor, li sobre o amor, escutei amor, assisti ao amor. Tudo para me encher de algo que eu quase nunca tive..." Me descrevendo em poucas palavras!!
    Obrigado por escrever seus textos maravilhosos! =')

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    1. Obrigada você por comentar <3

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  7. Anônimo3/5/13

    Me identifiquei com o texto de como eu era. Hoje sou uma garota que de tanto ter fechado as portas, acabei me entregando ao amor.

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  8. Que lindo! Me identifiquei em algumas partes. No meu caso, também é ruim: tenho medo de amar, mas me apaixono muito fácil e acabo entregando meu coração a qualquer um, e ele volta sempre cheio de estragos...

    http://domingo-chuvoso.blogspot.com/

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    1. "e ele volta sempre cheio de estragos...."
      pois é.

      Obrigada pelo comentário, Carina <333

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  9. Anônimo3/5/13

    lindooooooooo o texto

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  10. Ual! Bem profundo esse texto, amei de mais. Acredito que no fundo existem muitas pessoas assim espalhadas pelo mundo, que falam de amor mas não amam de verdade :(

    www.annadecassia.com

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  11. LIIINDO DEMAIS *-* escreve muito bem e disso não há dúvidas!! amo demais seus textos s2

    http://vidapreguica.blogspot.com.br/

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  12. Viu, tenho que confessar que faz muito tempo , tipo 2 meses, que não posso pensar em amor que dói, aí eu fujo, simples assim !!!!
    Bonito texto

    Bjinhos

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  13. Amo seus textos. Sempre estou por aqui. *.*
    http://featglam.blogspot.com.br/2013/05/correr-riscos.html

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  14. AMEI ESSE TEXTO! Tô prestes a salvar no word e sair falando dele para deus e o mundo! Gente, esse texto realmente me tocou... As vezes é isso que acontece né? Vemos a nossa volta todo mundo se machucando por amar e acabamos com medo de permitir que esse sentimento chegue na gente, que aconteça o que aconteceu com os outros.
    E é isso que eu sinto vontade de fazer: decorar cada palavra, vírgula e ponto. Para eu sempre me lembrar de deixar o amor entrar!

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  15. Caramba! Me descreveu até chorei pela veracidade das palavras do texto.
    Como a Sam disse, uma vez senti tanto amor como eu amo ler, e escrever e falar,
    parece que nunca mais vou sentir isso =/
    Pensei que só eu me sentia assim.
    Amei o texto, amei o blog
    Segui :)

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  16. Lindo o texto, Karine. Também sou assim, tenho medo da possível entrega e me fecho na maioria das vezes. Também respiro o amor em todos os lugares, escrevo, mas nunca amei de verdade. Um dia eu perco esse medo, rs. <3

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