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Mostrando postagens de Junho, 2013

Depois de tudo, amanhã é outro dia

Depois do fim do livro, você se esforça em desapegar dos personagens e corre atrás da próxima história para acompanhar. Depois do fim da música, você dá play na próxima canção. Depois do fim do jogo, você começa a pensar nas próximas disputas. Depois do esforço, uma comemoração; depois do trabalho, o descanso; depois do suor, a recompensa. Depois da tempestade vem a calmaria e, talvez, depois de tanto clichê, venha alguma informação realmente útil no meio de tantas palavras jogadas.
Depois de um coração partido vem um momento para respirar fundo e aprender com os próprios erros. Depois de mil lágrimas vem aquele primeiro riso discreto ao ouvir uma piada sem graça de uma amiga que só tentou te animar. Depois da cara quebrada, a vergonha na cara para parar de se fazer de idiota com as pessoas. Depois da humilhação, a necessidade de se valorizar para o mundo. Depois de tanto texto cult, um texto de autoajuda lido em segredo para inflar um pouco o ego. 
Depois de um filme triste, um desenho…

Hora de ir

O mundo era muito pequeno para mim. Então, um dia, eu arrumei as malas e fui. Tinha muita coisa para conhecer, ver, olhar, estudar, me apaixonar. Eu fui, sofrendo por tudo o que eu deixava, mas com uma esperança cega de que encontraria lá tudo o que aqui faltava. Fui lá, com a cara, a coragem, o medo, a insegurança, a ingenuidade, a imaturidade e uma carinha de criança de dar dó. Fui com todos os sonhos típicos de uma garota de 15 anos, que sabia tão pouco da vida. Fui com mil lágrimas depois de uma despedida no aeroporto como se eu nunca mais fosse voltar. Hoje, depois de tanto tempo, posso dizer que uma parte de mim nunca voltou mesmo.
A primeira certeza que eu tive quando o avião decolou era que eu teria que crescer. De algum jeito, uma hora ou outra. Eu ainda podia ligar para os meus pais, eu ainda podia chorar, eu ainda podia me esconder e fingir que o mundo não me cobrava muito. Mas ali estava a chance: chegara a hora de encarar tudo ao meu redor. Sem pai, mãe, tia, avó, madrinh…

Eu nunca coube aqui dentro

Em uma mera ida ao banheiro, eu consigo me bater nos móveis de casa aproximadamente quatro vezes. Fiz as contas uma vez. Bati o joelho na cadeira, o dedinho na quina da cama, o cotovelo na maçaneta da porta e a mão na pia. Para uma pessoa normal, coisa de gente louca, desastrada, desvairada. Para minha mãe, que se acostumou com meu jeito desde criança, apenas coisa de Karine
Durante toda a minha infância, tive mais roxos do que um garoto que jogava futebol todos os dias. Quem me via, considerava que eu era uma esportista, uma criança levada, até uma dançarina de balé - o que, de fato, fui durante alguns anos. Mas meus machucados sempre tiveram causa bem menos glamurosa: apenas nunca coube aqui dentro. Nem de casa, nem do meu quarto, nem de mim. 
Minha brincadeira preferida na infância era criar personagens. Eu vestia as roupas da minha mãe e saía pela casa atuando como se fosse uma modelo famosa, uma advogada de sucesso ou uma empregada doméstica. Vira e mexe, eu começava a chorar em …

BLOGAGEM COLETIVA: Eu me esqueci na terra do nunca

Eu me esqueci na Terra do Nunca e nunca mais voltei para me buscar. Eu me deixei com Peter Pan e fui crescer. Eu cresci. E esqueci de mim e daquela menininha elétrica sem medo e sem pesos no ombro. Eu esqueci que a casa que eu morava e as pessoas pareciam muito maiores do que elas são. Os dias também eram mais longos. Eu esqueci que brincar de casinha parecia divertido. Eu abandonei meus sonhos de infância porque adulto precisa pagar conta. Eu esqueci que nuvem era feita de algodão e tinha o formato da minha imaginação. Parece vergonhoso agora eu admitir que acreditei em Papai Noel. Mas esqueci que criança não tem vergonha. E dentro da caixa que guardei meus brinquedos, eu esqueci minha própria magia que me faria voltar para a terra do nunca, no meio da bagunça jogada no asfalto para o caminhão de lixo levar porque eu tinha crescido.
A gente perde muita coisa nessa nossa ânsia de crescer. Eu cresci. E perdi a inocência num jardim florido, a minha cabeça para Rainha de Copas e meu prínc…

Por mais amor no mundo

Por mais amor no mundo, eu lhe convido a questionar suas certezas. A pesquisar mais sobre as verdades em que você acredita. A abandonar o maniqueísmo frágil que o mundo te impõe. Por mais amor, lhe proponho conhecer um pouco da história do seu país. A emergir na política do seu Estado. A debater os problemas do mundo em que você vive. Por mais amor, que tal sair um pouco da bolha de cristal, colocar a cara no mundo, ler, ver e entender o que acontece na rua da sua casa?
Por mais amor no mundo, estude sobre problemas sociais. Culturais. Econômicos. Estude sobre problemas. E soluções. Por mais amor no mundo, abandone esse discurso de que você não se interessa por isso. Comece a se interessar. Esse mundo é meu, mas é seu também. Então exija os seus direitos - mas saiba cumprir seus deveres. Por mais amor, não diga que tem nojo do seu país. Não se você realmente não faz nada para que esse país seja realmente seu. E então lute para construir o país que você quer.
Por mais amor no mundo, aba…

BLOGAGEM COLETIVA: Coisas que a gente esquece quando cresce

Quando a gente é criança, morrer significa virar uma estrela. Ou morar com Deus. Ou se mudar para uma nuvem. Qualquer coisa bonitinha que os adultos contam para que tudo fique mais fácil para a gente entender. Na verdade, quando a gente é criança, a gente não precisa entender o que é morrer para abraçar bem forte os pais antes de dormir. A gente não precisa pensar que um dia eles não estarão lá para ficar com eles uma noite inteira. Ou para pedir que eles contem uma história. Ou para apenas sussurrar: “eu amo vocês". Quando a gente é criança, a gente não precisa saber o que é a morte para aproveitar a companhia de quem a gente ama. A gente só aproveita.
Quando a gente cresce, morrer nunca é bonito. E sempre dói de um jeito nada fácil. E sempre é duro. E sempre faz chorar. E sempre parece o ponto final. Sem estrelas, sem céu, sem nuvens, às vezes, para alguns, até sem Deus. E aí, quando a gente cresce, a gente se arrepende de não ter aproveitado quem a gente amava quando ela ainda …

Alô alô, voltei, graças a Deus!

Voltei, finalmente! Mas sem todas as mudanças que eu tinha planejado fazer.
Alguns detalhes ainda vou fazer no próximo final de semana, quando finalmente eu tiver um tempinho para colocar essas coisas em prática. E meu irmão vai poder acabar o desenho que colocarei no cabeçalho do blog (e que tá ficando uma fofura <3). 
Cores, letras, posicionamento: tudo isso vocês estão vendo que mudou. Mas ainda trarei algumas mudanças diferentes, que vou falando aos poucos e que vocês irão vendo. Mas já fica avisado de antemão que eu ando quero sair da mesmice, então vou me arriscar em umas coisas diferentes, combinado?
Bom, espero que vocês curtam a cara nova do blog. Quem já anda por aqui a mais tempo sabe que eu enjoo fácil dos layouts do meu blog, então só Deus sabe quanto tempo esse irá durar. Veremos!
E bem vindos de volta! <33



Ah, só mais uma coisinha. Não sei se todos estão sabendo, mas estou no meu último ano (quase último semestre) da faculdade de jornalismo. E irei gravar um documentári…

Contos de fadas x Amor de verdade

Parece que enquanto você esperava o príncipe encantado, o príncipe inglês se casou. Com uma plebeia, olha só. Alguém roubou seu lugar na fila e protagonizou o papel que era seu. Viveram o conto de fadas no seu lugar, enquanto você ficava aqui, do seu lado do mundo, trabalhando, estudando e esbarrando com um bando de trastes. Casaram e  posaram ao lado da família real. Que nem nas histórias que você lia quando criança.
Mas a princesa plebeia não pôde fazer nada do que você queria fazer no lugar dela: não gritou de felicidade, não se acabou até cair na festa de casamento, nem saiu por aí indo a todas as festas das suas amigas com o amado. Ela teve que sorrir amarelo, posar para a foto e aguentar uma rainha chata. Um saco, não é? Nem os contos de fadas da atualidade correspondem mais as suas expectativas. Como é que um homem poderia corresponder?
Você se pergunta por que está sozinha ao mesmo tempo em que espera um amor de livro infantil. Um amor que não grite, não brigue e não quebre prat…

Outras drogas e o amor

Final feliz aqui não tem. Vamos combinar que ainda é muito cedo para sequer pensar em final. E ainda tem tanta coisa para aprender, para ver, para conhecer, entrar em contato, tocar, se emocionar. A gente acha que é amor quando é paixonite, quando é ilusão, quando é besteira, quando é carência e até quando não é nada. Talvez seja cedo até pra chamar de amor.   
No final, a gente ainda nem sabe brincar disso direito e acaba se machucando, machucando o outro, dando resposta atravessada, atravessando o coração do outro com uma faca bem pontiaguda. A gente erra e muito em matéria de amor. Aliás, amor não é uma matéria só não, é faculdade inteira. É preciso uma certa maturidade para entender até onde vão os nossos direitos, onde começam os direitos do outro, o quanto a gente deve se doar e o que dá para esperar em troca, se é que dá pra esperar algo em troca mesmo.
Antes de ser amor pode ser tudo. Antes de ser amor pode ser só amizade. Antes de ser amor pode ser só carinho. Antes de ser amor…

Procura-se um amigo para o fim do mundo

Procura-se uma piada contada no escuro, para descontrair o ambiente. Um abraço daqueles que fazem a gente acreditar que tudo vai terminar bem (até quando não vai). Procura-se uma gargalhada gostosa de ouvir, uma calma no meio da desesperança e um sorriso que sirva como aquela famosa luzinha no fim do túnel. Antes de tudo ir pelos ares, antes que qualquer profecia se cumpra, antes que não dê tempo de voltar atrás e consertar todos os erros, admito, sem medo de parecer louca, carente e boba: procura-se um amigo para o fim do mundo.

Procura-se alguém que se torne um motivo. Alguma coisa pela qual valha a pena resistir. Alguém que dê forças para seguir em frente quando a história estiver correndo para trás. Alguém com uma frase de autoajuda decorada para soltar no meio do surto. Procura-se alguém que deixe de correr sozinho mesmo que para ficar parado junto. 

Procura-se alguém que não acredite no apocalipse. Alguém que faça tudo o que faria se o mundo estivesse acabando, apenas pela felicid…

Você não me conhece

"Você não me conhece. Mas me ama pra sempre porque te convém" (Jay Vaquer)
Eu sei o jeito que você gosta seu café. Sei quando não consegue mentir, porque começa a coçar seu nariz como se fosse arrancá-lo. Eu sei sua cor favorita, o jeito que gosta de receber cafuné e aonde você gosta que eu te beije. E, por tudo isso e mais um pouco, eu saio espalhando por aí que eu te conheço. Você faz alguma coisa que eu imaginava que faria e eu solto: eu sabia, eu te conheço. Você divide comigo um pensamento típico de você e eu grito: tinha certeza que você estava pensando isso, eu te conheço. Pois é, eu te conheço. 
Mas não conheço. Não conheço mesmo
Em 60 minutos, eu penso coisas que nem consigo explicar. Coisas que não divido nem com a minha própria sombra. Segredos guardados a sete chaves dentro do meu inconsciente. Em 60 segundos, posso pensar atrocidades que ninguém nunca imaginaria. Nem quem me conhece muito bem (e isso é me conhecer pouquíssimo). Nem anos de terapia, nem mil textos d…

As suas conquistas baratas

Baixa a bola, garoto. Eu não morro de amores por você. Pensei que podia dar certo, mas olha, se eu te contar tudo o que eu já achei que fosse dar certo na minha vida. Às vezes não dá, não é grande coisa. Já aprendi a lidar com as minhas próprias decepções. Você, inclusive. Não é grande coisa, sabia? É mais um desses carinhas que acham que podem brincar com os outros e tudo bem. Comigo não vai ser assim, sinto muito. Você pode continuar jogando seu charme, seu sorriso cafajeste e esse monte de mentira meia-boca por aí. Eu só não vou comprar esse seu jeitinho malandro. Aqui não. Precisa de um pouquinho mais que isso pra ganhar meu coração. Não vou mentir. Já gostei de caras como você. Era deslumbrada por esse perfil não-tô-nem-aí. Acreditava, sabe? Em caras com o mesmo sorriso que o seu. Com o mesmo discurso. E a mesma mania de quebrar corações. Tadinha de mim, tão ingênua. Achava que vocês podiam mudar. Vê se pode! Como se alguém mudasse por outra pessoa nesse mundo. E eu, coitada, me i…

Nossa Despedida

Era nosso último encontro. Eu sabia, e você, no fundo, também, que aquela era a última vez que riríamos com o garçom desajeitado do nosso restaurante preferido. Era a última vez que comeríamos juntos aquele prato de costela também. Eu, pelo menos, nunca mais vou conseguir degustar do meu prato favorito, do mesmo jeito que eu fazia com você. Acho que a gente sabe quando alguma coisa chega ao fim. Não sei, acho que algum dispositivo interno avisa: já deu. O alarme já soava há dias com a gente, mas é difícil largar o osso, como você dizia quando falava de seus vícios. Acho que nós dois viramos isso: um vício. Eu me viciei em te ter por perto, em ter sempre sua palavra amiga, em ter sempre o seu abraço em qualquer situação. Pior do que isso: eu me acostumei. Odeio o fato de ter me acostumado a você, quando antes eu te amava tanto.
Naquela noite, enquanto pedíamos a sobremesa, nós dois nos olhávamos como se soubéssemos: tinha acabado. Não dava pra reescrever toda a parte bonita da nossa his…

Eu teria amado você

Eu teria amado você. Das seis da manhã até a meia noite. E durante meu sono, nos sonhos que você nunca deixou de aparecer. Eu teria amado você. Com suas olheiras e seu mau-humor matinal. As palavras grosseiras, a cara amarrada, os pedidos de silêncio. Nada disso teria importado. Ainda assim, eu teria amado você. De segunda a sexta-feira. Nos sábados de balada. E até nos domingos infernais. Eu teria amado você assistindo aos seus jogos de futebol ou até vendo Faustão. Eu teria amado você quando você dissesse que ainda não me amava. Ou quando tivesse medo de se jogar de cabeça em uma relação. Eu teria amado você quando fugisse de mim, sem saber se era mesmo isso que queria para sua vida. E também quando voltasse, por saber que uma parte de mim já tinha ficado aí dentro. Eu teria amado você cada vez que deitasse ao meu lado, me abraçasse ou ficasse em silêncio sem saber o que dizer. Eu teria amado você quando você olhasse para o lado. Quando visse uma mulher bonita passando e não conseguis…