6 de junho de 2013

Contos de fadas x Amor de verdade

FOTO: KAIQUE GOMES

Parece que enquanto você esperava o príncipe encantado, o príncipe inglês se casou. Com uma plebeia, olha só. Alguém roubou seu lugar na fila e protagonizou o papel que era seu. Viveram o conto de fadas no seu lugar, enquanto você ficava aqui, do seu lado do mundo, trabalhando, estudando e esbarrando com um bando de trastes. Casaram e  posaram ao lado da família real. Que nem nas histórias que você lia quando criança.

Mas a princesa plebeia não pôde fazer nada do que você queria fazer no lugar dela: não gritou de felicidade, não se acabou até cair na festa de casamento, nem saiu por aí indo a todas as festas das suas amigas com o amado. Ela teve que sorrir amarelo, posar para a foto e aguentar uma rainha chata. Um saco, não é? Nem os contos de fadas da atualidade correspondem mais as suas expectativas. Como é que um homem poderia corresponder?

Você se pergunta por que está sozinha ao mesmo tempo em que espera um amor de livro infantil. Um amor que não grite, não brigue e não quebre pratos. Um amor meio morno, de dias sempre felizes. Amor de foto, de pose, de sorrisos contidos. Amor de verdade dói. Dá dor de barriga, gastrite e gastura. Mas uma felicidade tremenda também.

Você já leu por aí, mas eu repito: os contos de fadas não são de verdade, sabia?

Amor é uma viagem inesquecível e uma ressaca com enxaqueca. É um ápice de loucura e horas de quietude. É um amontoado de palavras atravessadas, caras viradas e ataques de orgulho. Mas também um amontoado de beijos roubados, declarações emocionantes e sorrisos efusivos. Amor é drama de páginas longas, com uma pitada de novela mexicana.

Mas não é conto de fadas. É muito melhor. 





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