29 de junho de 2013

Hora de ir

O mundo era muito pequeno para mim. Então, um dia, eu arrumei as malas e fui. Tinha muita coisa para conhecer, ver, olhar, estudar, me apaixonar. Eu fui, sofrendo por tudo o que eu deixava, mas com uma esperança cega de que encontraria lá tudo o que aqui faltava. Fui lá, com a cara, a coragem, o medo, a insegurança, a ingenuidade, a imaturidade e uma carinha de criança de dar dó. Fui com todos os sonhos típicos de uma garota de 15 anos, que sabia tão pouco da vida. Fui com mil lágrimas depois de uma despedida no aeroporto como se eu nunca mais fosse voltar. Hoje, depois de tanto tempo, posso dizer que uma parte de mim nunca voltou mesmo.

A primeira certeza que eu tive quando o avião decolou era que eu teria que crescer. De algum jeito, uma hora ou outra. Eu ainda podia ligar para os meus pais, eu ainda podia chorar, eu ainda podia me esconder e fingir que o mundo não me cobrava muito. Mas ali estava a chance: chegara a hora de encarar tudo ao meu redor. Sem pai, mãe, tia, avó, madrinha ou qualquer outro colo. Apenas duas amigas, uma professora de inglês e um monte de pessoas bem mais velhas que não tinham a menor paciência para os meus dramas infantis.

Uma hora precisa acontecer com todo mundo, não é? Você sabe, aquele choque de realidade que te faz perceber o quão sortudo você é pelas coisas que tem - apesar de todas aquelas coisas que ainda não estão na sua vida e que você queria tanto. Aos 15, pela primeira vez, eu estava saindo para a vida, batendo a porta da infância e indo conhecer como era andar em ruas desconhecidas, sem saber direito aonde eu iria chegar. E, para o meu próprio choque, depois disso, mesmo sem saber para onde estava indo, eu cheguei. Eu ainda estou chegando

Um mês depois, quando eu voltei, eu tinha na mala mais outros milhares de sonhos que construí durante a temporada (resumindo, queria o mundo só para mim). Eu voltava com mais paixão pelo desconhecido, com mais coragem e com mais tesão pelas inúmeras possibilidades que o mundo dá. Mas eu voltava também com algo que eu nunca imaginei que voltaria: uma certeza cega de que eu tinha um lar. E que, por mais que eu rode o mundo,  sempre vai haver um lugar para o qual eu vou querer voltar: o colo daqueles que eu amo.

Porque eu precisei fugir para descobrir, no fim, que eu sempre quis ficar.




Texto da série: O mundo todo é aqui. 


Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Acho que é o que eu quero fazer , eu quero descobrir isso sozinha , sem ter medo do amanhã <3
    Texto lindo Káh <3
    www.sonhando-porai.blogspot.com

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    1. Isso aí, Sarah :D
      Obrigadaaaa <3

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  2. Uma hora ou outra vai chegar esse momento pra mim, também.
    Adorei o texto <3

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