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Outras drogas e o amor

FOTO: KAIQUE GOMES

Final feliz aqui não tem. Vamos combinar que ainda é muito cedo para sequer pensar em final. E ainda tem tanta coisa para aprender, para ver, para conhecer, entrar em contato, tocar, se emocionar. A gente acha que é amor quando é paixonite, quando é ilusão, quando é besteira, quando é carência e até quando não é nada. Talvez seja cedo até pra chamar de amor.   

No final, a gente ainda nem sabe brincar disso direito e acaba se machucando, machucando o outro, dando resposta atravessada, atravessando o coração do outro com uma faca bem pontiaguda. A gente erra e muito em matéria de amor. Aliás, amor não é uma matéria só não, é faculdade inteira. É preciso uma certa maturidade para entender até onde vão os nossos direitos, onde começam os direitos do outro, o quanto a gente deve se doar e o que dá para esperar em troca, se é que dá pra esperar algo em troca mesmo.

Antes de ser amor pode ser tudo. Antes de ser amor pode ser só amizade. Antes de ser amor pode ser só carinho. Antes de ser amor pode ser um abraço bem apertado, um beijo roubado, um olhar demorado na tentativa de desvendar o outro inteiro. Antes de ser amor pode ser divertido, engraçado, alegre, feliz. Antes de ser amor pode ser uma droga.

No final, pode ser que a gente esbarre com um casamento. Com uma união estável. Com um namoro eterno. Talvez uns rolos. Uns amores sem amor. Uns casos. No final, pode ser que a gente esbarre com um uma felicidade completa, sem precisar de ninguém em volta para ser feliz. Talvez a gente aprenda a se amar de verdade. Talvez a gente aprenda a rir da nossa própria desgraça. E a achar engraçado as vezes em que a gente se entrega, deposita confiança; as vezes que não é nada do jeito que a gente esperava. 

No final, talvez a gente esbarre com ilusões, corações partidos, caras quebradas, confianças por um triz, esperança na luz do fim do túnel. Provavelmente, no final, a gente vá olhar pra trás e ver que esbarramos com algumas drogas. Muitas drogas. Mas, quem sabe, talvez, um dia, no final ou no meio do caminho, a gente esbarre por aí com algo que dê pra chamar, finalmente, de verdadeiro amor




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