Pular para o conteúdo principal

O desespero de vencer (e não viver)


Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor


No fim daquela linha de chegada, um pote de ouro? Ou então por que dessa pressa toda? Alguma medalha de diamante deve estar por lá, para onde todos vocês caminham. Vocês viram as flores? As árvores? As ruas que cruzam esta avenida principal? Há tanta vida lá fora, já diria Lulu. Há tanta vida aí dentro, aqui dentro, ali. Calma aí. Respire fundo. Deixe o medo fugir de você um pouco. O tempo não está acabando. Aliás, com essa correria toda, no fim, o tempo já acabou. 

Passou. A vida: você não sabia? Ela aconteceu enquanto você olhava para o pódio. Ela aconteceu enquanto você se desesperava. Ela aconteceu enquanto você tentava roubar a vida de um outro alguém. E o que você queria, onde ficou? As contas estão pagas, mas e os sonhos da infância? Você largou?

Não, eu não quero ser mais uma daquelas pessoas chatas que falam para desacelerar um pouco. Eu quero ser extrema ao dizer: freie. Freie esse desespero de ser feliz logo. Essa vontade louca de ter alguém para amar. Esse medo angustiante de não fazer sucesso. Afinal, o que é fazer sucesso em um mundo onde um dia você é "uau, o Eike Batista" e no outro é "xi, o Eike Batista"?

Já pensou o que aconteceria se você parasse de olhar apenas para a luz do fim do túnel e começasse a olhar ao redor? Pegue uma lanterna. Até em um lugar escuro há coisas para ver. Entender, saber, aprender. Chore. Pelo amor de Deus, chore. Tira aí da sua garganta este nó entalado, mastigado e não digerido que a vida te deu. Você não precisa correr.

Depois, sorria. Ainda com o coração machucado. Ainda com as lágrimas nos olhos. Ainda com dor. Sorria para se convencer que você é capaz de fazer. Com calma. Mais tarde, pare de ler textos de autoajuda - como esse, por exemplo.

Quem sabe você não descobre o segredo da vida, no fim das contas? Porque de uma coisa eu sei: a vida gosta mesmo é de quem sabe viver. Entendeu?

Comentários

  1. Hey, adoro seus textos... E digamos que eu seja drámatica, inclusive o nome do meu blog é Drama Queen (suahsuahsuauahs) se quiser dar uma olhadinha, aqui:
    http://mais-que-retardada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. hahahahaha dramática <3
      Obrigada pelo comentário, Natasha :D
      beijão

      Excluir
  2. Tava precisando muito ler isso, obrigada Ka!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …