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As mulheres de hoje e as mulheres de mil anos atrás

Não me interessa saber, exatamente, qual a época da mulher de mil anos atrás. Não importa em qual contexto político vivia, tampouco os problemas econômicos que enfrentava. Eu quero falar é sobre quem era essa mulher: educada com conceitos machistas, subordinada, subestimada, calada, cheia de regras do que podia ou não fazer. E quero falar da mulher de hoje. E de como eu espero que seja o mundo para a mulher de amanhã.

Se você olhar ao seu redor, verá que nós conquistamos muito. Saímos de casa, começamos a trabalhar fora, começamos a vestir o que temos vontade, passamos a ir para bares, baladas, restaurantes, para o mundo. Se você olhar bem mesmo, porém, verá que ainda falta tanto. Ainda somos julgadas como “vadias” se usamos roupas curtas demais, se ficamos com mais de um cara na mesma noite e fazemos o que nos dá na telha com o nosso próprio corpo. Ainda temos que nos sentir enojadas ao passar na rua e escutar um “gostosa” qualquer. Ainda pensamos duas, três ou milhares de vezes antes de pegar transporte público de short ou saia em um dia quente de verão.

Não é preciso ir longe para ver que o feminismo ainda tem muito pelo o que lutar. Ainda olham para as mulheres de hoje como se tivéssemos que ser a mulher de mil anos atrás. Pior: espalhadas por aí, em todo canto, propagando discursos machistas e patriarcais, elas ainda existem. Isso, as mulheres do passado. Aquelas que acham que temos que nos comportar de certa maneira, que falam por aí que temos que “apagar nosso fogo”, “nos valorizar”, “nos controlar” e “nos dar ao respeito”. Não sei vocês, mas eu me valorizo. Eu me valorizo tanto que sei que o corpo é meu e faço dele o que bem entender.

Talvez ainda seja tempo de abrir a mente. Encarar a coisa toda com os olhos de quem é discriminada diariamente e não com os olhos dos machistas que acham que controlam o mundo. Talvez a gente consiga repensar os próprios “valores”. Não é difícil. Leia um pouco, pesquise, informe-se. Tá cheio de texto feminista bacana por aí. Tá cheio de preconceito nojento por aí também (inclusive, talvez, dentro de você). Se nós não nos respeitamos, de verdade, a ponto de nos dar a mesma liberdade que damos aos homens, como podemos querer que a mulher de amanhã viva num mundo de igualdade?


Pode ser que eu seja uma sonhadora, mas eu acredito mesmo que, um dia, a mulher de mil anos atrás vai ser só a mulher de mil anos atrás. E vai ficar lá: na história. Para servir de exemplo sobre o que nós não queremos mais. E aí, daqui a alguns anos, quem sabe o mundo não se torne um lugar onde mulheres e homens tenham o mesmo tipo de liberdade para ser quem bem entenderem. Um mundo onde a gente não seja mais julgado pelo nosso sexo, mas respeitado por quem a gente é. 

Comentários

  1. Eu quero: "E vai ficar lá: na história."
    Se vc for uma sonhadora Káh, eu tbm sou, estamos no mesmo barco! No mesmo NAVIO, porque se ELES podem, nós tbm podemos! ♥

    http://historiaimperfeita.blogspot.com.br/

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    1. Isso aí, Raquel :D
      Eles que nos aguardem, né? ahahhaha <3

      Beijos

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  2. MEU DEUS! Falou tuuuudo! Super concordo!

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    1. Bom saber que mais gente pensa assim, Duda! o/

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  3. Amei o texto! E é isso aí mesmo! As mulheres de mil anos atrás serão apenas uma história feia e que nunca será repetida!

    http://utopianongrata.blogspot.com.br/

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    1. Esperamos, né Thamyris? E vamo que vamo!

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  4. Ótimo texto! Uma coisa que as mulheres do passado tinham (pelos motivos errados, porque era a única opção delas) é o cuidado com a família, os filhos, que hoje tem sido deixado um pouco de lado... Tem um texto muito bom que também fala sobre isso, não sei se você já leu Karine :) http://papodehomem.com.br/como-se-sente-uma-mulher/

    http://almostthemoon.blogspot.com.br/

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