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Mostrando postagens de Outubro, 2013

Se a gente se reencontrar

Se esbarrar comigo pelas ruas do seu bairro, não mude de calçada. Puxe meu braço com leveza, como você costumava fazer, e diga baixinho que estava com saudade. Diga que pensou em me ligar, que tem tanta coisa para dizer, que a vida não foi mais a mesma depois de mim. Se souber que conquistei algum dos objetivos que sonhávamos juntos, me ligue para comemorar. Diga que se orgulha do meu esforço, que sempre acreditou em mim, que sabia que eu chegaria lá. Se souber que ando triste, mande uma mensagem. Pergunte se eu preciso de ajuda, se pode fazer alguma coisa, se foi alguma coisa que você fez. E quando estiver em desespero, me grite também. Não me deixe saber pela sua mãe que você está em um quarto de hospital e não quer me ver. Eu ainda preciso saber que, no fundo, você ainda precisa de mim. Se sentir muita saudade, releia as cartas que esqueci, de propósito, na gaveta do seu escritório. Tente me reencontrar nas linhas e entrelinhas das nossas histórias. Relembre os momentos em que nad…

Não se preocupe, querida

Não se preocupe, querida. Não destruí seu armário, não rasguei suas roupas, não quebrei seus espelhos. A parte que você mais gostava da casa continua lá: intacta. Seus lençóis egípcios ainda enfeitam nossa cama, junto com as trinta almofadas que você gostava tanto de arrumar. Também não quebrei seus pratos de porcelana inglesa. Nem sequer os uso. Meus amigos, quando aparecem por aqui, gostam mesmo dos pratos brancos e de marca barata que comprei quando ainda era solteiro. Suas taças também ficam muito bem protegidas na cristaleira que me fez pagar em 24 vezes. Te juro: prefiro os copos de requeijão.
A Laurinha sentiu sua falta. Você sabe, ela ainda é nova demais para ficar sem a mãe tanto tempo. Chorou algumas noites, mas eu disse que você estava viajando. Falei que traria um presente, tudo bem? Não se esqueça. Já o Vitor, bom, talvez você demore a reconquistá-lo. Adolescentes, você sabe como são. Ficou revoltado com você, disse que te odeia, que não é mais seu filho. Contou que ficari…

E o futuro, como vai ser?

Lembro que eu costumava ter muitas dúvidas antes de entrar na faculdade: eu ia passar?; eu iria gostar do curso?; as pessoas seriam legais?; eu me daria bem com os professores?; conseguiria um estágio logo?; ficaria de DP?. Eu pensava nas coisas milimetricamente e tentava listar todos os problemas que eu poderia ter. Os dias passaram e eu acabei entrando em uma faculdade e as coisas seguiram seu fluxo normal. Conheci pessoas, fiz amigos, adorei e odiei professores, arranjei estágios legais, consegui passar nas matérias e chegar ao tão sonhado último ano. Pensei em desistir nos momentos difíceis? Sim, até eu quis jogar tudo para o alto uma vez ou outra. Mas tô aqui. Passei os últimos meses todos pensando no meu TCC. E enquanto pensava em documentários, vídeos, áudios e entrevistas, me vi pensando num futuro tão próximo e tão longe que parece quase irreal. Vai dar tudo certo na banca? A gente vai tirar uma nota boa? A formatura vai ser legal? O que eu farei no ano que vem? Aliás, “o qu…

Você pula, eu pulo

Talvez esta não seja nunca uma história de amor. Talvez sejam apenas os seus olhos castanhos me olhando como se apenas eu importasse no meio desta coisa toda. Ou a forma como você sempre tem as respostas certas para todas as coisas sem importância que eu resolvo compartilhar. Pode ser que eu tenha uma queda por amores que não vão vingar. Fique atento. Eu vivo por aí me metendo em romances que jamais serão como os contos de fadas com finais felizes.
Dizem que meu dedo é podre. Algo que falaram depois de tantos outros antes de você. Não é pessoal. Digo, este meu medo todo de que você arrume as coisas e vá embora. Ou que fique e destrua cada partezinha de sentimento bom que eu nutra por você. Não é você, entende? Sou eu e meu medo de que os finais se repitam, depois de tantos começos desiguais. Sou eu e minha mania de escolher sempre os caras errados.
Talvez seja você. O tal do cara certo, sabe? Eu acordo e olho o jeito como você dorme e penso: talvez seja você. É ilusão? Porque já foi ilu…

Minha ausência; mea-culpa

As pessoas perguntaram por que andei escrevendo tão pouco. “Tá deixando de atualizar sempre o blog, Ká”. “Tá sumida”. “Tá quieta”. É difícil explicar bloqueio criativo. É mais difícil ainda falar sobre algo no geral, como se todo mundo passasse por isso da mesma forma (e eu já faço tanto isso quando resolvo escrever sobre amor, comportamento e cotidiano). Então, hoje, eu decidi superar o que anda(va) me travando e escrever sobre bloqueio criativo. Melhor: sobre o meu bloqueio criativo.
Eu andei sem escrever porque eu andei pensando muito. Talvez isso pareça estranho para as outras pessoas, mas faz total sentido para mim. A gente sempre tem aquele momento que muda de ideia, volta, repensa, dá meia volta, muda de opinião. Como escrever um texto até o final desse jeito? Para escrever esse texto, já pensei em pelo menos três frases que dariam bons textos de amor. Mas me segurei aqui, nesses parágrafos, porque eu quero explicar minha ausência. Por mais difícil que isso me pareça.
Eu andei s…

Tomara que seja amor

Tomara que ela saiba o que fazer quando você contar uma de suas piadas sem-graça. E que ela não te frustre ao dizer que você deveria parar de tentar ser engraçado. Tomara que ela veja que as covinhas na sua bochecha enquanto você fala fazem tudo valer a pena. Até a falta de riso. Tomara que ela veja isso. Tomara que ela entenda seus ciúmes quietos. Sua mania de fechar a cara e fazer bico, mas não admitir por nada que o problema é o colega de trabalho que liga demais. Tomara que ela encontre as partes do seu corpo que mudam seu humor. E que descubra que um carinho na sua orelha faz desaparecer qualquer braveza. Tomara que ela saiba fazer uma massagem melhor do que aquela que eu fazia. Que te abrace sempre que der. E que vá tarde da noite para a sua casa quando você ligar dizendo que está com saudade. Tomara que ela descubra logo como você gosta de surpresas. E como ama ser surpreendido em madrugadas vazias. Tomara que ela entenda suas tristezas. E que ela saiba te deixar chorar saudad…

Minha ressaca de você

Eu andei bêbada de você. Agora, o meu porre é pela sua falta. É pelas ligações que você não faz, pelas mensagens que não responde, pela reconciliação que não está disposto a ter. O meu porre é pelo carinha de xadrez no canto esquerdo do salão que não para de me olhar. E pela vontade que eu continuo tendo de que você resolva não me esquecer, enquanto olho no celular pela milésima vez na noite. Minhas amigas insistem que eu já bebi demais por hoje. Mas tento dizer para elas que as dores de cabeça, as olheiras e o enjoo da vida não têm nada a ver com o álcool: tudo isso foi o seu adeus que rendeu. Alguém derruba tequila na minha blusa preferida, alguém pisa no meu pé e alguém me empurra no meio da música da Anitta. Depois, alguém simplesmente rouba o copo da minha mão e me beija. Não é você. Mas, enquanto você se mantém longe, eu deixo que ele invada a minha boca. E deixo que passeie com as mãos por lugares do meu corpo que você jurava, até ontem, que eram seus. É uma forma inconsciente d…