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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

Acreditar no Papai Noel me fez bem

Na véspera de Natal, enquanto as crianças esperavam ansiosas a visita do bom velhinho, nós, adultos, começamos a conversar sobre a lenda do Papai Noel. Alguns, sem filhos, defendiam a ideia de acabar com esse mito, esse blábláblá inexistente de coelhos da Páscoa, bons velhinhos e fadas do dente. Afinal, segundo eles, educar as crianças à base de mentiras desde tão cedo não pode ter consequências boas. Comecei a pensar na época em que eu, inocente, tentava ficar acordada o máximo possível para espiar a chegada do Papai Noel. Quando preparava biscoitos e leite quente e deixava perto da árvore de Natal. Quando tinha medo de não me comportar durante o ano e acabar não recebendo meu sonhado presente. Lembrei também da grande descoberta, quando, ainda nova, uma amiga contou sem meias-palavras que tudo era uma grande mentira. E aí me senti traída, enganada, sozinha. Mas depois passou, e a vida seguiu. Depois disso, eu pulei, automaticamente, para o lado das crianças “crescidas”, aquelas que…

Blogagem coletiva: 2013 se foi e foi...

O ano em que "Ei, você aí, me dá um dinheiro aí" virou hit, camuflado de "Bom dia". Ano do interesse. Que o mundo abominou-se de verdades, a ponto de ninguém conhecer mais ninguém. Que registrei o meu desgosto por datas comemorativas e relacionamentos irrecíprocos. O ano em que, observando e absorvendo dos ensinamentos involuntários, aprendi que tudo tem o seu tempo. Que, demasiadamente, me decepcionei e senti falta de rotinas e lugares. O ano em que eu me cansei do silêncio e perdi pessoas por falta de tolerância e comunicação. Mas descobri que a infantilidade é a base das melhores amizades.
Aprendi que vive melhor quem vive em paz, quem sabe abater de princípio um problema ouvindo um som bem alto, quem sabe ouvir de verdade, quem pede pra repetir se gostou, quem não só fala a verdade mas fala de coração, quem sabe perdoar, se desculpar, voltar, refazer sem desfazer, reformular as palavras, sem passar a borracha. Quem sabe que deve-se rascunhar com carinho, preench…

Sobre ser legal consigo mesmo

Você está prestes a sair para um compromisso que planejou por dias. Escolheu a melhor roupa, fez todos os seus truques de maquiagem, passou batom vermelho para chamar atenção. E então, minutos antes de sair, esbarra os olhos no próprio reflexo. Pronto. Tudo vai por água abaixo. Você pensa: estou feia. E a coisa só piora quando você chega a terrível (e equivocada) conclusão de que não apenas está feia, mas é assim. Autoestima é uma coisa complicada. Para todo mundo. A primeira coisa que nos vem à cabeça quando esta palavra é citada em uma conversa é a monstruosa imagem do espelho. Se estamos falando da sofrida fase da adolescência, então, o problema se multiplica. A gente encarna uma bruxa da Branca de Neve às avessas e questiona sem parar: espelho, espelho meu, há alguém no mundo mais feio do que eu? No dicionário, autoestima está assim: a aceitação que o indivíduo tem de si mesmo. Nada de aparência na definição. Nada de “outros” também. É autoexplicativo: trata-se do acordo silencio…

Mas eu não te amei

Eu me apaixonei por você no instante em que você sorriu. E disse que ouvir Los Hermanos era coisa ultrapassada. E bocejou ao ouvir o Dinho Ouro Preto cantar na rádio do meu carro. Eu me apaixonei pelo seu gosto musical duvidoso. Pelo seu jeito de reclamar de tudo. E pela sua mania de discordar de todos. Eu me apaixonei pela sua primeira piada – aquela sem graça, que mais ninguém riu. Eu ri. Muito. E foi ali que reparei que eu já estava completamente perdida.
Nós não tínhamos muito a ver. Mas a paixão escolhe os casais mais improváveis, não é isso o que dizem? Não que a nossa tenha sido uma dessas paixões à primeira vista dos filmes românticos bonitinhos que eu gosto de assistir. Mas todo mundo que nos viu há de convir que nós tivemos uma paixão avassaladora, dessas que fazem um estrago por onde passam. Dessas que quebram tudo: camas, pratos e corações.
Eu me apaixonei pela sua pegada. Pelo jeito de puxar meu cabelo, arrancar minha blusa e abrir meu sutiã. Pelo sex appeal que você exala…

Se isso fosse um filme

Estava assistindo a um desses filmes românticos que eu tanto gosto e lembrei de você. O protagonista do filme era exatamente o seu tipo: aquele cara que começa canalha, se apaixona e jura que mudou. No filme, no caso, o cara mudou mesmo. A mocinha também. Bem diferente da nossa vida real. Enquanto eu acompanhava a história, a nossa própria vida passou diante dos meus olhos. Enquanto a protagonista chorava as suas próprias desilusões, lembrei das lágrimas que derramei ao descobrir, aos poucos, que você não era o príncipe no cavalo branco que a menina guardada em mim tanto sonhava (e que eu também não era nenhuma princesa). Vi nós dois ali, na TV, protagonizando uma história que me arrancou sorrisos, risadas, suspiros, alegrias, raivas e choros incontroláveis. Você provavelmente não sabe (não faz seu estilo musical), mas o título deste texto é de uma música da Taylor Swift. Foi o que eu resolvi escutar depois que o filme acabou. Porque fiquei pensando: se isso aqui fosse Hollywood, com…

BLOGAGEM COLETIVA: O que eu aprendi em 365 dias

Passei 14 horas em um ônibus tentando chegar em uma cidade para gravar meu trabalho final da faculdade. Lá, acabei conhecendo um cara que foi uma das pessoas mais sensacionais, prestativas, simpáticas e solícitas que já conheci na vida. E eu nem sei mensurar direito como isso me ajudou a crescer e ver que, se a gente se ajuda (sem querer algo em troca), as coisas podem funcionar de verdade.
Fui para um canto do Brasil onde não há sinal de nenhuma operadora de celular. A internet ainda é discada e, de alguma forma, as pessoas têm todas algum tipo de ligação familiar. Um lugar em que, realmente, todo-mundo-se-conhece. Sabe o que é mais legal? Não morri por abandonar minha vida de "garota da cidade grande" por uns dias e ficar longe de internet e celular. Na verdade, foi o período em que mais descansei na vida. Apreciei a natureza, provei comidas diferentes, convivi com pessoas de classes sociais distintas, conversei sobre política, educação, pobreza e fome, e descobri que dá pa…

O dia em que você deixou de me amar

Você não sabe ainda, mas deixou de me amar. Aconteceu naquele jantar de quinta-feira, no barzinho que você tanto adora ir. Em um momento de distração, nosso amor fugiu e escapou pela janela. Eu até tentei correr atrás, puxar pelo pé, insistir que ele ficasse. Tentei chamar sua atenção para que você lutasse por ele comigo. Mas o garçom chegou, você bebericou seu uísque sem gelo, eu dei uma golada na caipirinha de morango, e nosso amor se foi. Sumiu e só Deus sabe se foi capturado por outro alguém. Talvez ele esteja caído no meio da Avenida Ipiranga. Talvez tenha se mandado em um avião e esteja, agora, descansando na areia da praia de Ipanema. Talvez outro alguém o tenha visto passando e o roubou para si. Quem sabe, está nas esquinas de São Paulo, mendigando um pouquinho de carinho e atenção. Ou vai ver o amor ficou doente, acabou, morreu, como aconteceu dentro de você. Enquanto isso, o meu amor, aqui, ainda preso em mim, fica perdido sem seu par. O que me sobra é engolir meu amor enquant…

E você, dezembro, o que me traz?

Eu sempre gostei de final de ano. O clima de festas, presentes, bom velhinho, carinho, solidariedade, doações. Aquela coisa que tanta gente reclama, que diz que é hipocrisia, mentira, alegria falsificada. Eu não; ver dezembro se aproximando sempre foi motivo para comemorar (mesmo que, hoje, infelizmente, o mês já não seja sinônimo de férias de verão). É nessa época que, afinal, temos a oportunidade de olhar para trás e fazer a retrospectiva dos outros onze meses em que, muitas vezes, as coisas não foram fáceis. Sou da teoria que nós precisamos reacender a esperança sempre. Porque a gente abre o jornal no primeiro dia do ano e já vê desabamento. E já vê enchente. E já vê roubo, corrupção, assassinato, tragédia, acidente. A gente passa mais de 300 dias por ano lembrando como o homem pode ser ruim, como ainda há preconceito em pleno ano de 2013, como a mulher ainda encara machismo 24 horas por dia. De janeiro a novembro, minha esperança vai morrendo pouco a pouco. Vai sendo esmagada pel…

Como é aquela tal de felicidade?

Como a gente explica a sensação de dever cumprido? Alívio, felicidade, calma, paz, tranquilidade? Aquele sorrisinho no rosto que não sai? Ou um cansaço que dá gosto de sentir? Como a gente explica o sucesso? Ou, senão o sucesso, uma vitória grande, daquelas que você queria muito conseguir? Tentando melhorar meu questionamento, lhe pergunto: felicidade é o nome de algum sentimento que dá para explicar? 
Se fosse para descrever a felicidade como uma pessoa, como ela seria? Que atributos você lhe daria? Alta, baixa, gorda, magra, olho azul ou preto? Ou você diria: a aparência não importa, o importante é quem ela é. E ela é o quê? Ou quem? Ou como? Como é se sentir feliz?
Alguém feliz não questiona muitas coisas, e, por isso, eu deveria me calar e me contentar com essa sensação calma e relaxante de dever cumprido. Mas acho que, quando a gente fica mesmo feliz, a gente gosta tanto do sentimento que quer tratar de entendê-lo: descobrir se dá para clonar, guardar num potinho e não deixar nunca…