11 de dezembro de 2013

Se isso fosse um filme

FOTO: KAIQUE GOMES

Estava assistindo a um desses filmes românticos que eu tanto gosto e lembrei de você. O protagonista do filme era exatamente o seu tipo: aquele cara que começa canalha, se apaixona e jura que mudou. No filme, no caso, o cara mudou mesmo. A mocinha também. Bem diferente da nossa vida real.
Enquanto eu acompanhava a história, a nossa própria vida passou diante dos meus olhos. Enquanto a protagonista chorava as suas próprias desilusões, lembrei das lágrimas que derramei ao descobrir, aos poucos, que você não era o príncipe no cavalo branco que a menina guardada em mim tanto sonhava (e que eu também não era nenhuma princesa). Vi nós dois ali, na TV, protagonizando uma história que me arrancou sorrisos, risadas, suspiros, alegrias, raivas e choros incontroláveis.
Você provavelmente não sabe (não faz seu estilo musical), mas o título deste texto é de uma música da Taylor Swift. Foi o que eu resolvi escutar depois que o filme acabou. Porque fiquei pensando: se isso aqui fosse Hollywood, como seria o nosso fim?
Talvez você tivesse me traído. Mas ia se mostrar tão arrependido, que eu conseguiria perdoar. Ou talvez brigássemos por motivos idiotas, mas, quase perto do fim, você apareceria no meio do casamento da minha melhor amiga e se declararia. Se isso fosse um filme, a gente teria tempo de consertar os nossos erros entre o início e o letreiro final. E a música romântica ficaria mais alta no meio do nosso beijo.
Talvez a gente tivesse encarado os mesmos erros. Mas daríamos um jeito. Protagonistas de romances sempre dão, não é? Quer dizer, de vez em quando um roteiro moderninho quer inovar, e os mocinhos não acabam juntos no final. Acho que é aí que a gente se encaixa: nesses dramas que arrancam mil lágrimas e deixam o espectador morrendo de raiva. Se eu estivesse nos assistindo, eu também iria querer invadir a televisão e mudar o nosso adeus.
Mas o filme acabou. Mesmo com a declaração, o beijo, o romance e os agradecimentos. A tela ficou preta e, aí, eu finalmente lembrei que a verdadeira semelhança das duas histórias era o inevitável “the end”. Do lado de cá da tela, é mesmo só vida real. Porque, já diria a Taylor Swift, se isso fosse um filme, you’d be here by now.



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