18 de janeiro de 2014

Pelo direito de assistir ao que bem entender


Na última semana, na noite de estreia de Big Brother, fiquei conversando com uma amiga sobre as edições passadas do reality show. Meu pai, que também estava na sala - e que detesta o programa - riu e comentou que eu era uma espécie de "expert" em BBB. A afirmação não é bem verdade, mas é fato que assisti a todas as edições do programa e lembro um pouco de cada uma delas, seus participantes, vencedores e suas polêmicas. Minha memória brincalhona funciona bem para "coisas sem importância", como você pode ver.

Mais algumas coisas sobre mim, já que começamos a entrar num certo nível de intimidade: sou jornalista formada e estou lendo, atualmente, o livro 1808 do Laurentino Gomes. Na minha estante de livros, você vai encontrar romances bobos e água-com-açúcar, livros de comunicação, psicologia, economia e religião. Já fui fã de uma banda mexicana que surgiu de uma novela (y soy rebelde!) e depois disso decidi não ser fã de mais ninguém. E, por mais que isso assuste a maioria das pessoas que eu conheço, sou completamente apaixonada por "programas ruins".

Amo Big Brother - que foi o assunto de início deste texto. E Keeping up with the Kardashians, um reality show americano sem muito sentido aparente. Amava The Hills também. Morro de rir com as reuniões do TMZ on TV  e não consigo deixar um programa de "E! True Hollywood Story" no meio. Amo "Esquenta", "Teste de Fidelidade do João Kleber" e não consigo deixar de ver pelo menos alguns episódios de "A Fazenda".

Leio bastante, se lhe interessa também. E vejo programas cults. Amo documentários - inclusive desejo trabalhar com isso algum dia. Passo horas do domingo de manhã vendo programas do Nat Geo (não é propaganda, mas são ótimos, viu?). Adoro Roda Viva, da Cultura. E as entrevistas da Marília Gabriela. E vídeo-reportagens sobre a segunda guerra mundial.

Se você ainda é do tipo pré-histórico que grita "desligue a tv e vá ler um livro", você nunca vai me entender. Mas escute uma coisa de uma pessoa que estudou e estuda comunicação: eis aí uma afirmação muito "desligada" que não considera o mundo multimídia que vivemos. Eu continuo com a TV ligada, a internet ligada e o livro aberto e sou feliz assim. O mundo evoluiu e não é mais uma coisa ou outra, é uma coisa e mais tantas outras. Sabia?

Essa é a graça. Ver Big Brother e um documentário bacana sobre a fome na África. Ler uma matéria gigante da revista Piauí e saber explicar todos os memes do Twitter. Ter milhares de abas abertas no computador, deixar o smartphone do lado, mudar o canal da televisão o tempo todo e não ser menor ou menos inteligente que ninguém por ver coisas que nem sempre precisam "enriquecer minha inteligência". 

Eu sou quem eu quero ser. Leio o que eu quero ler. Escrevo o que eu quero escrever. E, pelo amor de Deus!, assisto ao que eu quiser sem pedir desculpa por isso. E eu espero, de verdade, que você um dia possa ser feliz sem ter que dar satisfações também. Porque querer julgar o que EU assisto, meu amigo, só pode ser isso: infelicidade e inveja sem tamanho por não ter coragem de apenas ser, ver, ter. O que você bem entender. 



Comentários
10 Comentários

10 comentários:

  1. Eu adoro esse site, muito bom!
    Beijos
    http://blogdabellas.blogspot.com.br/

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  2. Ótimo texto!
    Não é por que a pessoa gosta de assistir Big Brother ou outros programas que são ditados como "sem cultura", que a pessoa não seja culta! O seu texto explica muito bem o quanto essa crítica é sem fundamento!

    Parabéns Karine, amo seus textos!
    Bjs :*

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  3. Muito bom, Karine. Também adoro "programas toscos" e "cults". Morro de preguiça quando veem com este discurso. Dá para continuar com uma cabeça fechada lendo o dia inteiro. Ninguém deveria se preocupar com o que o outro vê.

    Beijos ((:

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    1. ahahahha programas toscos win <3 <3 <3 ahahahahha

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  4. Sou assim também Karine. Leio muito, todos tem uma imagem minha de uma garota culta e tal, masamo BBB e A Fazenda, assisto todas as temporadas, e quando comento isso com as pessoas, logo eles vem com o discurso "nossa achava você tão culta e você assiste esses tipos de programas?". Eu assisto sim, gosto de ver o comportamento humano e gosto também (clarooo) dos barracos e isso não me faz ser uma pessoa pior.

    Beijos!

    http://inventoafala.blogspot.com.br/

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  5. Falou e disse, Ka! Concordo com vc, cada um tem um gosto e se deve respeitar isso!

    Parabéns pela sinceridade ; ))) Vc sabe, eu amo seu blog. Fã assumida!!!

    Bjoka
    www.depoisqueeumudei.com

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  6. Disse tudo que eu penso rs' Escrevi algo mais ou menos sobre o mesmo tema...

    http://blogdiariodeumagarotaquesonha.blogspot.com.br/2014/01/assistir-tv-nao-e-defeito.html

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  7. Anônimo10/2/14

    Esse texto super me representa. Falou tudo o que eu penso! Obrigada por escreve-lo.

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