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Por isso a gente acabou


Eu odeio você, Ed.

Desculpa começar assim logo de cara, mas eu te odiei tão rápido que acho que precisava te contar de uma vez.

Amei você também, o que talvez fortaleça ainda mais meu ódio no final. Porque acompanhei a paixão da Min, em tantas páginas do livro, e achei você fofo, legal, apaixonado, um desses caras pelos quais a gente se apaixona perdidamente. 

Acho que é isso, Ed. Você é um desses caras que a gente – do lado de cá, fora da história – se apaixonaria loucamente. Eu teria me apaixonado por você, Ed. E, sei lá, é um feeling, mas acho que a gente também teria acabado.

O que eu sei mesmo é que eu acabei a sua história com a Min. Bem rápido, porque vocês me consumiram. Vocês me deixaram com uma curiosidade louca de saber por que, afinal, vocês tinham acabado (por que vocês foram acabar, Ed?). E aí vocês foram me puxando para dentro, me arrastando para o romance de vocês dois e me fazendo amar, Ed. Amar tudo: vocês, o começo, o meio e o fim.



É difícil colocar um livro entre os meus favoritos, Ed, mas acho que isso aconteceu com esse. Acho que um livro que me desperta tanta curiosidade, risadas, lágrimas e teorias merece esse título: estar entre meus favoritos. Principalmente, Ed, porque vocês foram muito fáceis de ler, sabe? A história de vocês foi assim: rápida, direta, limpa, clara, sincera. Acho que é por tudo isso que eu amei tanto ler a história de vocês. E amei tanto, tanto, tanto que li em poucos dias. Acho que é por isso que eu decidi indicar para todo mundo, para qualquer um. 



A você, que está aí do outro lado da tela, tentando entender o porquê deste meu amor todo, digo apenas: vale a pena. Sabe? Livros que valem a pena? O investimento, o tempo, a atenção. Por isso a gente acabou, de Daniel Handler*, é uma carta sincera de uma ex-namorada que ainda tem muitas arestas no coração e um fim inacabado que não desce de jeito nenhum na garganta, junto com uma caixa com todos os “motivos” do fim. A paquera, o primeiro encontro, as conversas, as brigas, as mentirinhas, a primeira vez, o coração partido: está tudo ali (na caixa e no livro).

A linguagem coloquial, a leitura rápida, a leveza, a essência da adolescência. Características importantes deste livro, junto com as ilustrações de Maira Kalman, sempre tão bem colocadas nas páginas e dentro da história. Mas o que mais me chamou a atenção foi a forma como o coração partido consegue ser retratado de forma tão óbvia e surpreendente ao mesmo tempo. É um livro simples, aviso logo de cara. Mas que possui uma beleza ímpar em sua simplicidade.

É um livro rápido. E divertido. E leve. E apaixonante. E “eu sei como é isso”.

Acho que é por tudo isso, Ed.

Por isso o livro acabou.


*Daniel Handler é Lemony Snicket, autor de “Desventuras em Série”. 

Comentários

  1. Agora você me deixou com uma baita vontade de ler esse livro! haha <3

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  2. Li esse livro rapidinho também! Esse é o tipo de livro que te agarra sem você perceber direito, haha. Estava doida pra lê-lo havia um tempão, e quando finalmente li, foi só amor.

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  3. Ainn meus Deus que amor <3 <3 foi direto pra minha wish list ahah, sabe antes eu lia aqui como uma leitora fantasma, mais agora acho que vou participar mais, adorei sempre as postagens, e agora curti a pagina do face, quero me manter atualizada. E um dia espero participar da blogagem coletiva junto daqueles textos que eu fico só lendo e poder fazer parte vai ser muito bom *-*
    http://sonhonaestante.blogspot.com.br/

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