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A gente sabe quando vai acabar

Ia acabar. A gente sempre soube, não soube? A gente fez tudo errado, como uma história rebobinando do fim para o começo. Crentes que podíamos ter um final feliz para um meio desastroso como o nosso. Crentes que íamos ser sucesso de bilheteria. Que os fãs comprariam nossa história. Que, uma hora ou outra, viraríamos um casal de cinema e seríamos protagonistas do grande amor de nossas vidas.

Mas, na verdade, se nós dois fôssemos um filme, você teria saído do cinema antes do letreiro final. Eu teria cochilado antes do fim. E nós não serviríamos nem como roteiro barato da Sessão da Tarde. A Globo jamais compraria nossos direitos de transmissão.

Porque ia acabar. Tava escrito desde o começo. Toda vez em que eu te abraçava, me perguntava: e aí, já é agora? Esse é o último? Daqui para frente é cada um por si? Todas as vezes em que você viajava, eu imaginava que você voltaria e me contaria que tinha encontrado a mulher da sua vida. Aquela que tinha balançado tudo e te feito perceber que tudo o que você viveu até aqui foi, na verdade, um grande nada. Achei que você esbarraria com aquela nos corredores do Louvre e ela te contaria que a mulher que te esperava em casa não merecia seu tempo, sua vida e seu amor.

Já eu, eu nunca cogitei ser essa mulher. A que te tiraria o chão e te roubaria para si. Eu nunca achei que era “aquela”. Porque, você há de concordar comigo, as pessoas das nossas vidas encaixam, não é? E nossas arestas, querido, nunca deixaram que nós completássemos quebra-cabeças nenhum.

Não foi novidade. E, por isso, talvez eu nem lamente tanto. Todo mundo sempre esperou esta notícia, até nós dois. Às vezes, até acho que nós demoramos demais. Insistimos além da conta. Nos fingimos de cegos porque não queríamos ver. Mas estava ali.

O fim estava nas noites em silêncio, como um buraco na cama entre nós dois, enquanto a gente não ameaçava falar para não perder mais alguma partezinha boba. O fim estava nos gritos não dados, porque já havia cansaço demais até para brigar. O fim estava no canto do quarto quando a gente saía para trabalhar e esquecia o amor molhado em cima da cama. Até que o amor mofou.

Ia acabar. A gente sempre soube. A gente insiste, insiste, insiste. E um dia o mostrinho da realidade aparece e surpreende: o amor acabou.

Finalmente acabou.

Comentários

  1. perfeito, como sempre *----*

    http://osvintes.blogspot.com.br/

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  2. Lindo cm todos os outros! ♡

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  3. Ká você arrasa... Adoro seus textos, seu blog e vc... <3

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  4. Bruna Silva19/2/14

    Amei Karine, textos incríveis, bem, eu tenho uma grande tipo, DESILUSÃO AMOROSA, tenho ela ate hje, mas ah queria contar escrever e queria uns conselhos seu... sera que vc pode me ajudar?
    Minhas amigas nao conseguem me dar conselhos para tudo isso...
    se puder, tecla cmgo, me chama no whats qro muuuiito te contar tudo

    meu whatsSapp se puder me ajudar agradeço 92-81926601 beijos

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  5. "Às vezes, até acho que nós demoramos demais. Insistimos além da conta. Nos fingimos de cegos porque não queríamos ver. Mas estava ali."

    Sabe aquele texto que te faz de faz chorar de tão perfeito que é para o momento pelo qual você está passando? Então, foi assim com esse texto. Só amor *---*

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  6. Vim parar aqui hoje de madrugada, topei com esse texto e to aqui lendo, relendo e chorando chorando chorando chorando chorando... :'(

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