Pular para o conteúdo principal

Que tal um beijo, Saumensch?

Atenção: este texto pode conter spoilers!

Essa é a frase que mais me dói quando lembro do livro A Menina que Roubava Livros. Alguma coisa dentro de mim parte, como partiu nas duas vezes que me aventurei nas páginas de Markus Zusak. E essa é a definição mais pessoal e sincera que posso dar sobre esta história (como muitos sabem, uma das preferidas da minha vida): este é um livro que me quebra. 

Quando a adaptação para o cinema da história de Liesel Meminger foi anunciada, fiquei apreensiva e ansiosa. Queria ver o filme com todas as minhas forças, mas tinha um medo tremendo que fugissem da beleza do romance e acabassem como só mais uma adaptação ruim para o cinema de um livro que, na minha opinião (ainda que penoso de ler no início), é sensacional.

Esclareço, então, logo, que o filme não é ruim. É um filme bom, que entretém e me arrancou algumas lágrimas. Bonito, sincero, com uma fotografia linda e cenas comoventes. O problema, acho eu, é de quem espera demais. E quem leu A Menina Que Roubava Livros, com certeza, o faz. 

Na versão cinematográfica, verdade seja dita, buscou-se ao máximo ser fiel à história do livro. Até demais, se posso ser sincera. Explico: ao querer contemplar tantos aspectos do livro de 478 páginas, o filme de 2 horas acabou não captando a verdadeira essência da história e não permitiu que nos apegássemos, de verdade, aos personagens da narrativa. O que, para mim, foi um belo chute fora. 

A mulher do prefeito, por exemplo. No filme, não entendemos, de verdade, a amizade entre Ilsa e Liesel. Não entendemos a complexidade e o sofrimento daquela mulher, nem o carinho que ela sente por Liesel, nem a raiva que, em determinado momento da história, a menina chega a sentir da primeira-dama. Nada disto aparece no filme, em que se tem a impressão de que Ilsa é apenas uma mulher que deixava Liesel entrar em sua biblioteca. 

A desconstrução de Rosa, mãe adotiva da menina que roubava livros, também é demasiadamente superficial na telona. Enquanto no livro é possível ver, realmente, uma mulher durona mostrando uma alma, no fundo, bondosa, no filme, a desconstrução da armadura de Rosa não fica tão notável. 

Por outro lado, Rudy foi retratado exatamente como eu imaginava enquanto lia as linhas de A Menina que Roubava Livros. E, ah Saumensch!, você deveria ter dado um beijo nele...

Para quem precisa de um empurrão, aqui vai: assista A Menina que Roubava Livros. É um filme lindo que faz você mergulhar na época da Segunda Guerra Mundial e ficar enojada com a crueldade do ser humano. Repetindo: um filme lindo. 

Só não é maravilhoso. (Como o livro).

Comentários

  1. AAAAAAAAAAAAAAAAH, meu livro preferido de todos os tempos :3
    Qualquer coisa que leio sobre ele, meu coração pula de emoção haha... concordo com você sobre o filme, e eu esperava mais, muito mais de um livro tão perfeito como aquele. Quando me perguntam sobre o filme, digo: ''leia o livro, por favor'' e espalho spoilers por aí convencendo a todos que me ouvem, que devem ler o livro *-* amei esse texto , sério! :3

    ResponderExcluir
  2. Oi Karine!
    Não li o livro, mas juro que quando li o que você escreveu aqui dei uns gritinhos de "sabia!" kkkk. Gosto muito de cinema e venho prestado atenção às adaptações dos nossos queridos livros para às telonas. Ao pontuar a relação de Liesel com a primeira dama e a desconstrução de Rosa concordo inteiramente com você (mesmo não tendo lido). Acreditei 99% que no livro esses dois casos foram muito bem desenvolvidos, mas ao ver a vivacidade de Rudy e a relação de Liesel com Max acho que eles quiseram focar mais nessa parte da história (e fazer bem feito... Rudy é fantástico) e esqueceram das duas mãezonas que a personagem principal ganhou.
    Depois dessa, até animo em ler o livro! kk
    Bjs!

    ResponderExcluir
  3. Anônimo11/3/14

    Quando sai o próximo blogagem coletiva?

    ResponderExcluir
  4. Não vi o filme, e nem li o livro inteiro. Mas confesso que seu texto me deu uma vontade imensa de ler completo antes de ver o filme. Achei seu blog pelo DDQ, porque seu texto lá me tocou e me fez querer conhecer mais sobre a autora. Não me arrependi de chegar aqui nesse blog. Existem pessoas que não sabem usar as palavras, e tenho certeza de que você fez um ótimo uso delas. Pretendo aparecer mais aqui, me senti em casa.

    http://www.amoreja.com/

    ResponderExcluir
  5. Sim, o livro é incrível, cheio de ricos detalhes. Eu casaria com o Rudy hahaha.
    Já o filme... ah filmes! Essas adaptações não fazem minha cabeça.

    Parabéns pelo blog. É lindo.
    Ariana

    http://arianaviajante.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. Paula17/3/14

    Perfeito o texto. Exatamente o que eu achei do filme.
    Seu blog é perfeito, você escreve muito bem :)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …