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Mostrando postagens de Junho, 2014

Nem Lésbica Nem Puta: Apaixonada Por Futebol

Ser mulher e gostar de futebol é estranho, mas é engraçado. É aprender a lidar com olhares meio torto de marmanjo sem noção que acha que a gente tá tentando conquistar ao falar que, sim, a gente não só acha graça em 22 homens correndo pelo campo, como não perde um joguinho que se preze no domingo à tarde. Ser mulher e gostar de futebol é aguentar as perguntas imbecis: ah, você gosta mesmo de futebol? Então me explica o que é impedimento. Como se impedimento fosse algo muito difícil de se entender. E responder, com a maior paciência, dando vários exemplos, sendo irônica, com sorrisinho de canto ao ver o sorrisinho de canto do sacana diminuir a cada resposta correta. É saber que você tem que entender muito mais do que o rapaz que discute com você se quiser ter alguma moral com ele ao abrir a boca e falar que o time dele é, ó, uma merda e não tem nada a ver com o fato do time dele ser, ó, coincidentemente, rival do seu e sim com o fato do time dele ter uma zaga ridícula e um ataque pior …

Perdoa, moço

Era início de inverno quando ela decidiu ir embora. Nem pensou na cama fria que deixava (que espécie de pessoa vai embora quando a gente mais precisa de alguém pra nos aquecer?). Tinha silêncio, que foi o que mais ela deixou. E tinha ainda um milhão de coisas pra falar, mas que cê nem falou. Quem é que fala com um nó na garganta? Quem é que pede pra ficar quando já sabe que não fica? Ela foi embora e você pensou: que vá pro inferno!
Você ficou com a dor, o desamor, a tristeza, a desilusão. Cê ficou com a raiva, embrulhada pra presente, esquecida debaixo da cama, fazendo um barulho que só por Deus. Eu vou odiá-la pro resto da minha vida, cê pensou. E eu só peço: ainda que seja difícil, moço, perdoa.
Perdoa se ela não teve tato pra te dizer, assim, que o amor não é incondicional como a gente pensa. Talvez ela não tenha conseguido ser a mulher que você queria que fosse – e, pior, talvez isso doa mais nela do que em você. Ou talvez, na verdade, ela só não tenha passado ainda pela dor de um …

BLOGAGEM COLETIVA: No meu mundo, mulher sempre gostou de futebol

Durante 8 anos, fui filha única. Filha única de um pai completamente apaixonado por futebol e torcedor doente do São Paulo, simpatizante do Bahia e apaixonado pelas histórias do Ronaldo e do Zico FC. Não é de se estranhar que eu tenha crescido acompanhando os jogos ao lado do meu pai, gritando, vibrando, sofrendo, chorando em derrotas, e sabendo exatamente o que  é um impedimento e de que palavrões é possível chamar um juiz. E isso nunca soou, para mim, como algo "estranho". Eu nunca me considerei uma "menina diferente" porque "entendia" de futebol.
Muitas das minhas melhores amigas são apaixonadas por futebol. Por sorte, a maioria, como eu, são-paulinas fanáticas (há algumas corinthianas e santistas pelo caminho, fazer o quê). Por isso, muitas aulas, intervalos, rolês e saídas acabam entrando em discussões futebolísticas. Falamos sobre os jogadores novos que o time contratou, sobre o técnico que queríamos que fosse demitido, sobre aquele jogo "roubad…

Eu podia

Eu podia, você sabe. Podia falar horrores de você e dizer que você me magoou e dizer que doeu e dizer que ninguém devia acreditar nas coisas que você diz. Eu podia contar daquele jantar de quarta em que você abraçou e jurou e  foi quem eu sempre achei que fosse. Pior, eu podia expor quem você foi quando se esqueceu de tudo e enfiou o dedo na ferida, como se tanta coisa tivesse ficado presa e você precisasse magoar qualquer um, qualquer um, pra doer menos aí dentro. Eu podia dizer como você me tratou como qualquer uma.
Eu podia falar mal e apontar os seus defeitos e dizer das mentiras que você conta numa tentativa frustrada de ser logo a pessoa que você queria ser. Eu podia contar daquela vez em que você desviou os olhos e fingiu que não era com você, ainda que você soubesse que era e ainda que soubesse bem da culpa que tinha. Eu podia jogar na cara todas as suas palavras vazias de quem tem muito o que falar – e fala muito – mas no fundo não diz nada além de: eu não tenho ideia do que t…