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Mostrando postagens de Julho, 2014

Where were you

Cheguei em casa. Puta que pariu, vou ser bem sincera, essa é a pior parte. No trabalho, tem as metas que me distraem. Tem o chefe, tem aquela amiga que quer me contar do final de semana, tem a galerinha da copa, tem o café, tem a lanchonete no térreo que tem um pão de queijo sensacional, tem meia dúzia de problemas que, caceta, tenho que resolver ou já posso começar a descolar os adesivos que grudei no computador.  Em casa não tem nada disso. Só tem você.
Tem você na minha cama porque foi você quem saiu pelas lojas daquele shopping de móveis lá da zona norte pra achar um colchão que não fosse ferrar com a minha coluna. Tem você na coleção de discos que cê resolveu me dar junto com a vitrola marrom que conquista todo mundo que visita minha (puta que la mierda, isso soa horrível) casa. Tem você nos cantos rachados dos pratos que minha mãe me deu quando resolvi morar sozinha e ainda não tive dinheiro pra substituir por outros. Tem você nas correspondências porque ainda tem os boletos da n…

Sem querer

Tinha de ser daquele jeito? No meio de uma balada que eu fui só por ir, sem make pesada, sem paetê na roupa? Você viu o que quando olhou pra mim? A sapatilha sem graça? O batom clarinho? Alguma coisa te fez atravessar a pista e tentar, e não foi o meu sorriso, aposto.
A conversa gritada ao pé do ouvido não foi legal, me fazendo supor que como qualquer pessoa naquele lugar, você queria curtir. Previsível. Eu entrei na sua, dancei no seu ritmo e me deixei levar. Um beijo, dois beijos, três beijos. Ok, tira essa mão daí! (Eu não bebi o suficiente pra perder a dignidade). Piadas toscas, propostas ridículas. Telefone? Claro, passo sim. Hoje em dia isso nem é tão pessoal, ninguém liga mesmo. Que diferença faz?
A diferença é que era você. Com todo a pompa de alguém educado que perde a linha de vez em quando, se arrepende e tem a decência de querer se redimir. 
E cê tinha que me ligar no dia seguinte. Desrespeitar o protocolo. Fazer convites irrecusáveis. Insistir. Cê tinha que ser legal, desfaz…

É difícil escrever sobre o amor

É difícil escrever sobre o amor porque parece que tudo sobre o amor já foi falado. E ainda mais sobre o desamor. E todas as dores, e todos os choros, e todas as brigas. Tudo já foi vivido. E falar sobre o amor é, aparentemente, uma eterna repetição. É falar do amor até quando o amor não existe. E o problema de escrever sobre algo até a exaustão é que todo mundo acaba um pouco cansado de ler sobre o amor. 
É difícil escrever sobre uma coisa que cansa.
É difícil escrever sobre o amor em tempos de guerra. Em tempos de Copa. Em tempos de eleição. Em tempos de posts enormes no facebook falando sobre qualquer coisa que, no fundo, eu não quero ler. Aliás, é difícil escrever sobre qualquer coisa em tempos em que as pessoas não sabem mais apenas ler algo, não gostar e seguir a vida. Elas precisam falar que não gostam e escrever respostas e fazer colunas e...aquilo tudo que dá tanta preguiça. Meu Deus, aonde eu estava com a cabeça quando eu resolvi gostar de escrever?

É difícil escrever e, mais, …