16 de julho de 2014

Sem querer

Tinha de ser daquele jeito? No meio de uma balada que eu fui só por ir, sem make pesada, sem paetê na roupa? Você viu o que quando olhou pra mim? A sapatilha sem graça? O batom clarinho? Alguma coisa te fez atravessar a pista e tentar, e não foi o meu sorriso, aposto.

A conversa gritada ao pé do ouvido não foi legal, me fazendo supor que como qualquer pessoa naquele lugar, você queria curtir. Previsível. Eu entrei na sua, dancei no seu ritmo e me deixei levar. Um beijo, dois beijos, três beijos. Ok, tira essa mão daí! (Eu não bebi o suficiente pra perder a dignidade). Piadas toscas, propostas ridículas. Telefone? Claro, passo sim. Hoje em dia isso nem é tão pessoal, ninguém liga mesmo. Que diferença faz?

A diferença é que era você. Com todo a pompa de alguém educado que perde a linha de vez em quando, se arrepende e tem a decência de querer se redimir. 

E cê tinha que me ligar no dia seguinte. Desrespeitar o protocolo. Fazer convites irrecusáveis. Insistir. Cê tinha que ser legal, desfazer a primeira impressão e me deixar confusa. Cê tinha que ser diferente quando tudo o que eu queria era um cara igualzinho aos outros, pra suprir a carência e ir embora sem pedir ou dar explicação. Só pra fazer um carinho e ir embora. Custava ser assim? Não, cê tinha que querer ficar. E ir ficando.

Mas tudo bem, se você quer quebrar as regras e se apaixonar por uma garota insegura que conheceu na noite, acreditar nisso por sei lá qual motivo, pensar realmente que vai dar certo...Ora quem sou eu pra duvidar? Na verdade sua fé me comove, num tanto que eu fico pensando se eu dormi em alguma parte da historia e não tô vendo o que você tá vendo na gente.

Vê se me entende. Você me pegou desprevenida, de repente, no susto. Eu tô acostumada a levar rasteira, não lido bem com essas surpresas que parecem fazer cócegas no coração. Não me impede de gostar, mesmo não entendendo e desconfiando disso.

Mas ó, tem paciência comigo, desiste não. Eu tô engatinhando ainda, não cresci o suficiente pra saber amar desse jeito real que você tá pedindo. Aceitar alguém que chega da maneira mais improvável na minha vida, que vai se aconchegando e fazendo morada. É esquisito. Você me ensina como eu faço?

Se você dizer que me entende e ainda assim fica, eu digo que tento e de quebra faço dar certo. Juro.

SOBRE A AUTORA: DÉBORA SVAIGER tem 20 anos, e acha que toda dor pode ser curada com um punhado de palavras. Tem mais fé do que coragem, se apaixona e desapaixona na mesma velocidade que troca de cor favorita. Gosta de música alternativa, filmes que ninguém entende e tardes ensolaradas. Prefere as pessoas leves e tem preguiça de quem tem o ego como bichinho de estimação. A indiferença é a sua armadura de ferro pra aguentar gente vazia, amores mal resolvidos, e desilusões do dia a dia. 


Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Que texto lindo !! adorei. Escreve muito bem, parabéns.

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  2. Amo!! Maravilhoso todos os textos que você posta aqui, sou fã de carteirinha, Karine, me identifico muito e sempre posto alguns no meu blog. Bjão!

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  3. adoro os textos do seu blog <3
    http://escrevervicia.blogspot.com/
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  4. Assim que eu li eu soube que o texto não era seu, mas é igualmente muuuuuito bom!!! <3

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