29 de setembro de 2014

Entre o Começo e o Fim

Quando alguém me pede para me lembrar de você, não me lembro do nosso primeiro beijo. Do primeiro encontro, o primeiro abraço, o primeiro eu-te-amo. Não me lembro dos últimos também. Não me lembro da primeira vez em que você visitou a casa dos meus pais, todo sem graça, sem saber direito como agir com aquele que, na época, durante nossa adolescência, tinha poder pra te mandar pra bem longe. Nem lembro de quando você bateu a porta e me deixou em meio a tantos questionamentos: "que raios eu tinha feito de errado pra você deixar de me amar, assim, do nada?" (sem saber que, na verdade, a gente deixa de amar aos pouquinhos).

A primeira coisa que me vem à cabeça quando alguém fala seu nome não é nosso começo conturbado, nem nossos fins reticentes. É o nosso meio. É ali que eu te encontro. Naquele durante em que eu já te conhecia o suficiente para te amar como louca, mas sabia pouco da vida e, por isso, não tinha deixado de te amar ainda. 

Eu me lembro dos sorrisos que você me dava tarde da noite, na escuridão do quarto, antes da gente cair no sono no meio de uma semana qualquer. Eu me lembro das conversas sem sentido que a gente tinha depois de ver um filme com alguma reflexão filosófica no fim. E do quanto a gente sempre gostou de ler livros ao mesmo tempo para, depois, poder discutir o que cada um achou sobre ele. 

Eu me lembro de você na rotina, no dia a dia, de segunda-a-sexta, quando a vida não era tão feliz e fácil como nos finais de semana. Porque eu sempre achei que tinha um pouco de vitória nos casais que conseguiam se amar na normalidade da semana, na ausência de grandes novidades, no amor sem grandes declarações. 

Foi no meio que você me disse que eu era um pouquinho a sua salvação. "É por sua causa que eu vou passar nessa vida acreditando no amor. Porque tem coisa mais triste do que viver todos os dias e não acreditar nisso?". E eu nunca te disse de volta que você tinha me salvado também. Amar você, ainda que por tempo determinado, foi saber que o amor existe. O louco, o desenfreado, e o calmo e tranquilo. O amor que queima e o amor que apaga. Você me mostrou os dois.

Eu não sei te odiar pelo fim porque eu sempre lembro do entre. Entre o "eu te amo" e o "me esquece". Entre o "pra sempre" e o "nunca mais". Entre o "casa comigo?" e o "vou providenciar os papéis do divórcio". Entre o "eu cuido de você" e o "se cuida". Entre o "o único amor da minha vida" e o "foi só meu primeiro amor". É pelo o que existiu entre os nossos extremos que eu te amei tanto. E é também por ele que, de alguma forma que eu não sei como explicar, eu continuo amando: a lembrança do quanto a gente foi feliz. 


Comentários
12 Comentários

12 comentários:

  1. Eu amo seu blog Karine.
    Você escreve muito! Um dia quero ser tão boa quanto você, Bruna Vieira, Isabela Freitas e Daniel.
    Assim como você também faço jornalismo e acredito que o amor é a solução de tudo!
    Quando puder, seja bem-vinda no meu blog: http://derepentedezessete.blogspot.com.br/
    Beijos de uma das suas fãs!
    PS: No blog da Bru vou logo procurando os seus textos!

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    1. Colega jornalista <3

      Obrigada!
      E fico feliz que você goste dos meus textos ahahah :D

      Beijão

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  2. Karineeee perfeito meu Deus :o

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  3. "Amar você, ainda que por tempo determinado, foi saber que o amor existe. O louco, o desenfreado, e o calmo e tranquilo. O amor que queima e o amor que apaga. Você me mostrou os dois."

    Karine, parabéns, mais uma vez!! adoro seus textos, acompanho diariamente e fico super,hiper, mega feliz quando vejo algo novo.. Parabéns mesmo,você tem o dom das palavras!! continue assim pra felicidade das suas leitoras!! ;-)
    Beijo

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    1. Muito obrigada!!!!
      Mesmo, mesmo <3

      Beijão

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  4. Sério, verdade do fundo do meu coração, de todos os seus textos que já li, este é o melhor. Você escreveu de uma forma diferente dos outros. Nunca tinha lido algo parecido, com uma ideia parecida. ZERO A VIDA DOS TEXTOS, HAHAHA!

    Estou encantada com a sua escrita!

    Abraços, Thamara
    www.thamaralaila.com.br

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    1. HAHAHAHA <3

      OBRIGADA!
      Fico feliz, <3

      Beijos

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  5. Karine acabei de ver esse texto no tumblr mas estava como se fosse de outra pessoa :(

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    1. Foda isso, né?
      É o que às vezes dá vontade de parar...

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  6. Triste é que não te dero crédito. Parabéns texto maravilhoso :)

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  7. mds mds! Vc eh incrivel! Sinto muita falta de blogueiras q escrevam como vc! Continue sempre assim com esses seus textos maravilhosos q vc sabe q refletem a muuitas de nós! Acompanharei diariamente seu blog! Amei! Vc eh incrivel!

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