11 de novembro de 2014

Pergunte ao meu coração



Pergunte ao meu vizinho. Ele escutou uma porrada de músicas melancólicas nas últimas semanas. Até estranhei que não tenha ligado para saber se tudo estava bem – ele fez isto uma vez. Acho que agora simplesmente se acostumou e ignorou minha depressão momentânea. Uma hora passa, ele pensou. E escutou uma porrada de músicas, uns dramas, choro, muitos gritos, cada coisa triste. A cena é sempre dramática – às vezes, quase patética – quando se trata de corações partidos por aqui. 

Pergunte aos meus amigos. Eles ouviram, coitados, cada lamento, cada história, cada reclamação. Eles respiraram fundo e tiveram paciência enquanto você escapava de mim. Eles seguraram a barra quando cê cansou de brincar de casinha e resolveu que qualquer merda era melhor que nós dois. Pergunte a quem ficou quando você foi. A quem aguentou quando você largou o peso e deixou todos os restos acumulados nos meus ombros. Pergunte a quem prometeu, mas não deixou de cumprir.

Pergunte aos meus pais. Lembra-se deles? Te amaram logo de cara. Pergunte a eles como foi abrir a porta de casa às 3 horas da manhã de uma terça-feira e me ver ali, com as malas, os cachorros e o rabo entre as pernas. Cê acha que não doeu neles, quase mais do que em mim, me ver ali, com o coração partido inteirinho? 

Pergunte aos meus textos, que cansaram de falar sobre você. E sobre seu cabelo. E sua covinha ridícula. E sobre as declarações que você fez quando ainda não tinha cansado de mim. Pergunte aos poemas que eu fiz sobre nós dois. E aos livros inacabados em que você era sempre o personagem principal. 

Pergunte a todos eles como foi. 

Pergunte aos meus silêncios. Às minhas lágrimas. Ao tempo em que eu demorei pra limpar a porcaria da poeira que cê deixou soterrada na minha vida. Pergunte aos dias em que não tive força pra nada e às noites em que eu tive tanta força que quis quebrar tudo.

E pergunte a ele: ao coitado, ao maltratado, do meu coração. Rebobine a fita e tente imaginar o que a gente passou. Imagine os filmes, imagine os choros, imagine as músicas, imagine as bebedeiras e as ressacas que você deixou. 

Imagine se ainda tem espaço aqui.

E aí, quando ousar pensar que você pode voltar....talvez você nem precise mais perguntar. 


Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Perfeito, Ka! Impecável como sempre. Amei, amei, amei! Foi como se estivesse doendo em mim enquanto lia. <3

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    1. Linda! <3
      Que bom que você gostou!

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  2. Que texto lindo, você escreve muito bem! Oxe, que tristeza oque? Alegria é tudo!
    Beijo da pirralha ^.~ Sua visita é muito importante para mim!
    Montada no Estilo | www.montadanoestilo.com.br

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  3. Eu gostaria de poder voltar no tempo só para sentir o que eu senti quando eu li esse texto pela primeira vez. (E todos os outros que você escreve). Muito lindo! <3

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  4. Uaaaall! Muito bom seu texto. Gosto da forma como você escreve. Parabéns. Beijo

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  5. Primeira vez que entro no teu blog e foi amor eterno.

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