31 de agosto de 2015

Pra você pra quem eu digo adeus

Já estive do seu lado. Nunca é bom, não vou mentir. Tem esse gosto amargo na boca e esse murro no estômago que a gente sente e não passa tão cedo. Tem a dor e todos os questionamentos e a vontade de falar: vem cá, o que eu fiz de errado? E, às vezes, do seu lado, nunca houve nada errado. Não houve mesmo. É só que nem todo relacionamento dura pra sempre, nem todo amor é eterno e nem todos os planos podem ser realizados lado a lado. Provavelmente, ninguém te contou isso nos filmes românticos de Hollywood, mas às vezes as pessoas vão e não voltam. Como eu não vou voltar.

Eu podia dizer um tanto de coisa, mas despedidas são sempre despedidas. Você vai me odiar, eu entendo. Não tiro sua razão. Já fui quem odiava também. Já odiei quem prometeu e não cumpriu, quem disse que ia ficar e não ficou, quem deixou a bagunça pra que eu arrumasse. Já fui você. E já doeu em mim desse jeito que vai doer aí. Já xinguei, quebrei pratos, dei uma de louca, pedi que voltassem, pedi que não olhassem mais na minha cara. E chorei. Chorei, chorei, chorei, fiz texto triste, postei indireta no Twitter, apaguei as fotos do Facebook. E depois passou. Mas eu passei por tudo isto.

É sempre triste esta parte, quando sou eu que desisto e joga a toalha. É que vi muito barco afundando, entende? Passei pelo mesmo drama muitas vezes. E, agora, sempre pulo para o bote salva-vidas antes que a água comece a entrar. E você sabe, não sabe? Nosso barco já está furado há tempos. Chegamos ao: salve-se quem puder. Espero que você se salve da nossa história também.

Te digo: também dói do lado de cá. Talvez menos, porque a surpresa de um fim que a gente não espera pega a gente de jeito. Mas ensaiar o adeus é desgastante. Assim como é arrumar as malas e pensar na melhor maneira de falar, sem machucar mais o outro: olha, desculpa, eu não amo mais você. Correndo o risco de você ouvir tudo como: olha, eu nunca te amei. E eu amei. Amei mesmo, mas talvez você não queira ouvir isto. Talvez você não queira ouvir mais nada.

Pra você pra quem eu digo adeus, nada nunca vai ser o suficiente. O buraco vai ficar aí, com as dores, as lembranças, as memórias, as saudades, as músicas que você não vai querer mais ouvir. Uma hora, outra história me substitui e aí, talvez, você pare de me odiar. Por enquanto, sei bem, vou ser sempre aquela que pulou do barco, a que fez com que não desse certo, a que não ficou, a que não amou. Mas te juro: sorri, abracei, vivi os mesmos sonhos, dividi os mesmos planos, quis muito o mesmo futuro. Enquanto deu. Enquanto deu, fiquei. E te amei – muito. 


Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. E eu ainda tô aqui pensando se pulo do barco ou se continuo lá, pensando num jeito de não deixá-lo afundar...

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  2. "Já fui você" uma simples frase que faz todo o sentido.. Depois de passar por tantos fins, a gente se acostuma a pular fora do barco antes que fique mais grave. Pulei do meu e agora estou sendo odiada.. :/

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    1. Uma hora a gente aprende que as pessoas têm o direito de não querer ficar em nossas vidas. Hoje, respeito mais quem pula do barco porque não quer mais ficar do que quem fica por falta de coragem de ir.

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  3. Quase chorando... Lembrando de coisas do passado... 😭

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  4. Provavelmente, ninguém te contou isso nos filmes românticos de Hollywood, mas às vezes as pessoas vão e não voltam. Como eu não vou voltar. <3

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