5 de setembro de 2015

Hoje já é hora de ir

Eu escolhi o curso há meses. Juntei os centavos, fiz contas aqui e ali, pedi ajuda, chorei porque jurava que não ia rolar, surtei, respirei fundo e só não desisti porque tenho pais que sempre acreditaram mais nos meus sonhos do que eu. Comprei as passagens. Arrumei as malas e, por Deus, como é difícil saber o que levar quando você vai passar tanto tempo longe. Pra largar tudo e ir para o outro lado do mundo, a gente encara falta de dinheiro, cansaço e muita dor de cabeça.

Mas essa é a parte fácil. 
Difícil é partir.

Difícil é ficar se perguntando. Com quem eu vou marcar e desmarcar mil vezes aquele sertanejo que a gente tanto queria ir? E pra quem eu ligo quando não quiser ficar sozinha, mas estiver totalmente quebrada no fim do mês? E se eu não estiver lá quando a minha família conhecer a primeira namorada do meu irmão? E se alguém ficar doente? E se precisarem do meu colo, da minha atenção e do meu cuidado? Quem é que vai garantir que vai ficar todo mundo vivinho e inteiro do jeito que eu deixei quando resolvi ir pra longe? 

Difícil é partir. E se tocar, enquanto a gente arruma as malas, que todo mundo vai continuar em frente. E vão surgir outros amigos, outros rolês, outras histórias, outras risadas, outras viagens. E sempre vai ter um colo, um cuidado e atenção disponíveis para quem você ama. Difícil é saber que vai todo mundo continuar trabalhando e vivendo e conhecendo gente nova. E vão perguntar pra você: e aí, como você tá, como andam as coisas...e, no segundo seguinte, vida que segue. Mesmo com você lá do outro lado do mundo.

Difícil é saber que você não vai estar lá. No aniversário da sua melhor amiga. No dia das mães. No dia dos pais. No seu próprio aniversário. E seu Natal vai ser um pouco mais triste e mais vazio porque sua família não vai estar com você. Difícil é começar a sentir falta dos abraços sem sequer ter ido ainda. E do cheiro das pessoas que você ama. E do olhar carinhoso do seu cachorro cada vez que você chega em casa. Difícil é deixar uma parte da gente assim, em cada canto de cada lugar que a gente costumava frequentar. E se esquecer um pouquinho em cada uma das pessoas que a gente deixa, com uma fé sincera de que elas vão nos manter ali: intactos. Amados. 

Partir é ter noção de que a gente não é insubstituível. São Paulo vai continuar sendo São Paulo. As pessoas vão continuar seus dias normalmente, talvez apenas com uma dose de saudade. De resto, a gente tem menos importância do que, às vezes, acredita. Mas partir é também valorizar cada uma dessas pessoas que, por livre e espontânea vontade, continuam nos querendo na vida. Seja em São Paulo, Salvador, Londres, Sydney ou Paris. 

E é por isso que é tão difícil partir.
Mas hoje já é hora de ir. 


Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. ❤❤❤ Sempre escrevendo muito! Me inspiro!
    Outrosabracos.blogspot.com

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  2. ❤❤❤ Sempre escrevendo muito! Me inspiro!
    Outrosabracos.blogspot.com

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  3. É sempre difícil partir, seja de uma cidade, um país ou um coração :/

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  4. Lindo o texto flor
    ficou otimo

    http://acidadeliteraria.blogspot.com.br/

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  5. Aproveite!! Estou vivendo o mesmo que você e sei o quanto é louco!! Qualquer coisa que precisar estou aqui!
    Escreva MUITO e compartilhe com a gente :)
    Beijinhos
    Duda,
    www.ensaiopoetico.com/

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  6. Karine fico chocada com seus textos. E mais chocada ainda de não ter um livro seu na prateleira. Sabe todos esses escritores que você colabora nos blogs? Pedro... Bruna... Você tem ideia do quanto você pode muito mais que eles? Vi que ultimamente você não tem escrito tanto mas garota, você nasceu pra isso! You rock!!!!

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