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Vez ou outra, o outro é você

Às vezes, quero desaparecer. Colocar a cabeça num buraco e sumir por um dia ou dois ou até a poeira abaixar. Calma, tá tudo bem, eles dizem e, eu gostaria mesmo que, nesses casos, isso fosse o bastante. Que tudo bem significasse que, de fato, está bem. Mas, na maior parte dos casos são só palavras vazias. O tipo de mentira que a gente repete tantas vezes na esperança de que se torne realidade, sabe?

Ou talvez não. Cê tá sempre diminuindo o que eu sinto, dizendo que é exagero. Mas, garanto, sentir não é exagero. Exagero é menosprezar sentimento alheio, como se o que não lhe diz respeito não importasse. Você sequer ouviu falar sobre empatia?

O mundo vai além do que você sente ou acredita, vai muito além de qualquer coisa que você possa dizer. O mundo é você, sim, mas, também, é o outro. É essa conexão, a ligação entre indivíduos e a capacidade de se deixar envolver. Isso é empatia. É se colocar no lugar do outro, é respeitar mesmo que não entenda completamente porque, vez ou outra, o outro é você.

Nascemos sozinhos, morremos sozinhos ao menos, na teoria mas, nesse intervalo entre os dois acontecimentos, nossa vida e história são recortes de várias outras, todas elas se entrelaçando numa tentativa de fazer sentido.

Eu sei que você ainda é novo nisso. Que passou tempo demais sendo só. Mas, ao invés de te dar dois ou três conselhos que eu sei que você não vai ouvir, só peço que se disponha. Se for para ser, que seja alguém que entenda que viver requer coragem e vontade de conhecer. E, se você der sorte, talvez descubra que também é possível viver por algo maior. Mantenha os olhos e o coração, por que não? abertos. Você vai ver.


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