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Sobre Sua Ausência

O silêncio das nossas conversas, a falta de notificação de suas novidades, o fato de que eu não sei mais nada sobre você, ainda dói. Já faz tanto tempo e todo mundo sempre disse que com o tempo melhoraria, mas não melhora, e ainda me dói. Me dói porque tínhamos tantos planos, tantos sonhos, tanta vontade de chegarmos juntos até aqui. E olha agora: eu cheguei.

E você se cansou bem no meio da subida.

Não te culpo por isso – não mais. Se algo passou, foi a raiva que um dia nutri de você. A raiva não por você ter desligado o celular, mas por você ter mudado o número; não por você ter batido a porta na minha cara, mas por ter trocado a chave do lugar. Mas passou. Acho que, no fim, é isso – a raiva – que sempre passa.

Mas ainda dói. Ainda sinto vontade de te ligar no meio da madrugada só para contar do babaca imbecil que deu de cima de mim no caminho para a faculdade. Ainda me irrita que eu não posso mais reclamar da faculdade com você. E me bate uma saudade de quando ambas tínhamos tempo para nos falarmos o dia todo, trocando mensagens infinitas sobre todos os assuntos e, principalmente, sobre assunto nenhum.

As vezes vejo você publicando alguma coisa nova em uma das suas diversas redes sociais e me pego pensando em como eu sempre dizia que te conhecia como a palma da minha mão. E eu te conhecia tanto, não é? E eu sempre sabia que algo estava errado com você, só pelo jeito com que você dizia olá. Mas é tão estranho que quando algo ficou errado entre nós nunca cheguei nem perto de saber o que causou nossa separação.

E dói.

Porque imaginei que chegaria aqui com você, ao meu lado, comemorando comigo a minha conquista. Porque nunca consegui imaginar que seria assim, sem você. E porque, mesmo depois de todo esse tempo de afastamento, mágoa engolida e coisas não ditas, eu ainda te queria aqui. Só para te dizer que ainda sinto sua falta. Do seu jeito meio descompromissado, da leveza dos seus ombros, daquele abraço apertado e daquela sensação de pertencimento de que ninguém me conhecia mais do que você.

E você me conhecia tanto, mas tanto, que ainda dói.

E dói tanto que não importa o quanto isso me machuca, já não incomoda essa nossa ausência em você.


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