24 de abril de 2016

Deixa Eu Te Contar

A vida apertou. A faculdade tá desgastante. Eu olho pra vários rostos e não reconheço ninguém. Onde é que foi parar a ingenuidade dos primeiros dias? O idealismo do começo de qualquer profissão? Essa vontade de fazer diferente, de ser diferente, de melhorar a nossa volta? Eu olho pra eles, eu olho para mim, e tenho me perguntado se é isso mesmo que faz sentido. Se viver é mesmo isso.

Derramei umas lágrimas que você não viu. Não é culpa sua, sabe? É mania minha mesmo de dormir chorando quando as coisas saem do eixo. Quando eu mesma perco o giro e caio de cara no chão. Me junto sozinha porque odeio pedir ajuda. E vou quebrada para todos os lugares porque não suporto a ideia de que as pessoas descubram.

Não conta pra ninguém que tô te contando. É que a vida tá difícil. É que a dor tá gigante. É que tudo que eu planejei tá dando tão errado, sabe? E meus sonhos ficam cada vez mais distantes. É que tá difícil pra caramba. E eu só tenho chorado. E eu só tenho desejado ficar no meu quarto, abraçada a mim mesma, sem precisar fazer nada. Mas eu tenho feito tanta coisa, sabe? Para tentar esquecer. E não esqueço.

O mundo não para. Ele gira mesmo quando estamos no chão, sem força pra sair do lugar. E cada volta abre uma ferida nova, nos derruba uma outra vez. Ninguém te escuta. Mas, cara, deixa eu te contar. Daqui do chão o céu fica assim, tão bonito. Que pena que você não pode ver. Eu queria não ter a obrigação de me levantar.

Tá doendo, sabe? Tá difícil, sabe? Mas descobri que o mundo não parar não impede a gente de chorar. E tenho chorado tanto, sabe? Não, você não sabe. Então deixa eu te contar. O amor às vezes machuca. As decepções podem nos destruir. Os amigos podem mudar de planos e ir embora quando quiser, sem dar satisfação para isso. O outro lado da linha pode ficar mudo – por qualquer que seja o motivo – E em algum momento a gente pode se decepcionar com nossa profissão.

A vida não é para principiantes.

Mas, cara, deixa eu te contar, se a gente vai juntinho, assim, coladinho, se tem seu abraço e seu carinho, vou bem. Pode doer, posso chorar, mas ao seu lado dá para suportar.








Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Nossa, me identifiquei super com esse post!Tem momentos em que simplesmente não existe vontade de levantar da cama, não é mesmo?!Mas a gente tem que levantar e encarrar tudo isso. Todos os tombos, cada tropeço. Mas sabe eu gosto de todos eles. Não que seja fácil passar por eles. Não é. Mas depois vem a maturidade e todas as lições que aprendemos. No fim vão ter novos momentos, novos amores, novos amigos.E agente vai rir de tudo isso....
    Bjoo,Bia do Julieta ao contrário > http://julietaaocontrarioo.blogspot.com.br/

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