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Deixa Eu Te Contar

A vida apertou. A faculdade tá desgastante. Eu olho pra vários rostos e não reconheço ninguém. Onde é que foi parar a ingenuidade dos primeiros dias? O idealismo do começo de qualquer profissão? Essa vontade de fazer diferente, de ser diferente, de melhorar a nossa volta? Eu olho pra eles, eu olho para mim, e tenho me perguntado se é isso mesmo que faz sentido. Se viver é mesmo isso.

Derramei umas lágrimas que você não viu. Não é culpa sua, sabe? É mania minha mesmo de dormir chorando quando as coisas saem do eixo. Quando eu mesma perco o giro e caio de cara no chão. Me junto sozinha porque odeio pedir ajuda. E vou quebrada para todos os lugares porque não suporto a ideia de que as pessoas descubram.

Não conta pra ninguém que tô te contando. É que a vida tá difícil. É que a dor tá gigante. É que tudo que eu planejei tá dando tão errado, sabe? E meus sonhos ficam cada vez mais distantes. É que tá difícil pra caramba. E eu só tenho chorado. E eu só tenho desejado ficar no meu quarto, abraçada a mim mesma, sem precisar fazer nada. Mas eu tenho feito tanta coisa, sabe? Para tentar esquecer. E não esqueço.

O mundo não para. Ele gira mesmo quando estamos no chão, sem força pra sair do lugar. E cada volta abre uma ferida nova, nos derruba uma outra vez. Ninguém te escuta. Mas, cara, deixa eu te contar. Daqui do chão o céu fica assim, tão bonito. Que pena que você não pode ver. Eu queria não ter a obrigação de me levantar.

Tá doendo, sabe? Tá difícil, sabe? Mas descobri que o mundo não parar não impede a gente de chorar. E tenho chorado tanto, sabe? Não, você não sabe. Então deixa eu te contar. O amor às vezes machuca. As decepções podem nos destruir. Os amigos podem mudar de planos e ir embora quando quiser, sem dar satisfação para isso. O outro lado da linha pode ficar mudo – por qualquer que seja o motivo – E em algum momento a gente pode se decepcionar com nossa profissão.

A vida não é para principiantes.

Mas, cara, deixa eu te contar, se a gente vai juntinho, assim, coladinho, se tem seu abraço e seu carinho, vou bem. Pode doer, posso chorar, mas ao seu lado dá para suportar.






Comentários

  1. Nossa, me identifiquei super com esse post!Tem momentos em que simplesmente não existe vontade de levantar da cama, não é mesmo?!Mas a gente tem que levantar e encarrar tudo isso. Todos os tombos, cada tropeço. Mas sabe eu gosto de todos eles. Não que seja fácil passar por eles. Não é. Mas depois vem a maturidade e todas as lições que aprendemos. No fim vão ter novos momentos, novos amores, novos amigos.E agente vai rir de tudo isso....
    Bjoo,Bia do Julieta ao contrário > http://julietaaocontrarioo.blogspot.com.br/

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