17 de maio de 2016

Quando a gente cansa de "amar apesar de"

Alex me matando em uma das minhas cenas preferidas de Grey's Anatomy




Acho que era, sei lá, umas três da manhã de sábado quando meu celular tocou. E eu não precisei olhar, nem ser adivinha, muito menos cartomante pra saber: era uma mensagem sua. Às três da manhã de um sábado. Você devia estar com seus amigos, e devia ter enchido a cara, e aí, lá pelas três e tantas, você reparou que sentia minha falta. Que sentia falta da mina que tava sempre lá, sempre disponível, com o amor em uma caixinha de presente todas as vezes que você resolvia voltar.

Nunca fiz as contas, mas devo ter respondido mensagens daquele tipo pra lá de cem vezes.

"Também sinto sua falta", eu escrevia. "Pode passar aqui em casa". "Você tá bem?" "Com quem você tá?" "Eu não queria, mas eu amo você". "Me liga amanhã". E algumas vezes você ligou. Algumas vezes você voltou e eu achei que a gente finalmente ia dar certo, que finalmente ia ser a nossa hora, que o nosso timing ia finalmente bater.

E aí você decidia de novo que não era  bem aquilo que você queria. Que eu até podia ser a pessoa certa, mas não agora. Porque você nunca tava pronto. Porque tava ficando sério demais. Porque eu te procurava o tempo inteiro, porque eu ficava no seu pé, porque eu queria amor 24 horas por dia, porque eu exigia muito, porque seus amigos eram todos solteiros e você tinha que aproveitar a vida com eles. Porque isso, porque aquilo, porque tantas coisas, mas você me amava, você jurava que me amava, só que te amo daqui a pouquinho, tudo bem?

E eu continuava respondendo mensagens suas às três da manhã de um milhão de sábados.

Até que, um dia, uma amiga me perguntou por que eu continuava te amando apesar de você ser um babaca. Apesar de você ter ido embora tantas vezes. Ela não entendia por que eu continuava te esperando apesar de você insistir em tentar achar o que tanto procurava em mil outras mulheres. Ela não entendia porque eu continuava te amando apesar de você me tratar mal, de nunca estar pronto pra mim, de nunca abrir mão de outras coisas por nós.

E aí eu me toquei que era verdade: eu te amei apesar de. Respondi suas mensagens. Insisti em você, respeitei o seu tempo, esperei que você ficasse pronto, aguardei a hora certa pra você me amar. Até que chegou a hora em que eu entendi que mereço um pouco mais do amor do que isso tudo que cê me ofereceu. 

Nossa história acaba assim: eu ainda te amo, mas eu quero que você nunca mais me mande mensagens às três da manhã de um sábado. Porque eu não quero mais você. Apesar de. 




Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. esse texto é uma história que eu vivi durante 3 anos.
    Arrasou como sempre, Karine.

    osvintes.blogspot.com.br

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    1. Oi, Elaine! O importante é seguir em frente e procurar quem nos ame melhor, né?
      Que bom que gostou! <3
      Beijão

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  2. esse texto é uma história que eu vivi durante 3 anos.
    Arrasou como sempre, Karine.

    osvintes.blogspot.com.br

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