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Um último esforço

Tempos atrás, eu jurei que não era nada. Que amar bastava. E só. Lembro de dizer, numa quarta-feira borrada pelos anos, que a gente ainda tinha muito que viver. Juntos, não? Mas aí veio a vida, com essa mania de me fazer perder o rumo, me mostrando quão enganada eu estive.

Eu sei que já é tarde, que você tá em outra e todas as coisas que meus amigos insistem em me lembrar, mas é que eu tenho tido essa vontade ultimamente, essa coceirazinha na alma me mandando dizer que não foi como das outras vezes, meu bem. Eu juro.

É que, quando ‘cê cruzou meu caminho, meu mapa astral inteiro se alinhou com o teu. E eu achei que bastava. Que meia dúzia de compatibilidades eram o suficiente para que a gente desse certo. Você dizia gostar das minhas loucuras. E eu sempre achei bonito gostar das loucuras de alguém. Parece meio poético, sabe?

Mas, de poesia mesmo, a gente não tinha sequer o ritmo. Era eu cá, você lá. Tão desencontrados, a partir de determinado momento, que nem no meio do caminho a gente conseguiu se encontrar. É que uma hora cansa. Cansa amar por um. Sentimento unilateral nunca foi meu forte, nem sofrimento contínuo. A alegria me cai bem, não isso.

Talvez seja natural. O fim, eu digo. Mas, parece que a gente nunca teve um final. Foi mais como um sentimento assassinado, interrompido; algo retirado bruscamente da vida. Deixou no lugar um espaço vazio de bordas afiadas, através do qual eu agora me arrasto, um último esforço para colocar para fora algo que eu deveria ter dito há muito tempo: adeus. 








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