Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2016

Respire fundo, meu bem

Um dia você acorda e é isso: passou. Não tem mais frio na barriga, não tem incerteza, não tem “será que algo mudou?”. Não tem coisa alguma além de um espaço quase vazio em que os primeiros pontos começam a se dissolver. Uma cicatriz nova; uma marquinha com um desenho ridículo – memória de algo que acabou e não dói mais. Um negócio para lembrar dos tombos no percurso – e da sensação de se reerguer.
É engraçado como a vida funciona. A gente se acostuma tanto a certas coisas que, às vezes, nem se dá conta de que o comum também machuca. Que os hábitos, por mais recorrentes que sejam, são só rotina – e não algo de extrema necessidade. De quando em quando, é só apego. Uma ligeira afeição àquilo que é familiar.
A verdade, no entanto, é que uma hora cansa. Chega um ponto em que a dependência, o vício – nomeie o seu, meu bem – suga tanto que é preciso escolher entre ceder ou colocar um ponto final na história; se dar uma chance de recomeçar.
E quando você se permite... Ah, ‘cê fica tão bem com …

Passado

Quando você passou por mim, eu achei que tudo iria desmoronar, que meu chão ia se perder, que eu não conseguiria mais andar. Foi naquela rua que percorremos por tantas vezes de mãos dadas, sorriso no rosto, aquela alegria de quem não ligava de estar apaixonado porque estava sendo recíproco. Me lembro tão bem da sensação desses dias... Como se fosse ontem. E não como se tivesse passado um século.
Imaginei tanto esse momento na minha mente, quando nos encontraríamos depois que decidimos ir embora. Quer dizer, depois que você decidiu. Eu apenas aceitei sua decisão, abaixei a cabeça, abri a minha porta, fingi que também te expulsava do meu coração. Você não sabe das noites que passei em claro, das lágrimas que derramei, do desespero angustiante que só a saudade pode nos atravessar. Você não sabe como foi difícil te deixar passar por mim e ir embora quando tudo o que mais queria era que você tivesse ficado.
Achei que ia acontecer à noite, e não quando eu acabei de acordar e saí de casa me…

Por que a gente quer tanto engolir o mundo?

Eu queria ler todos os livros daquela lista gigantesca que fiz esses dias. Mas queria logo, porque ando assim nos últimos tempos: com uma necessidade de tudo para ontem. Preciso ver uns filmes que todo mundo já viu e ser contratada e subir na carreira e ter um salário que me deixe viajar pelo mundo inteiro porque, você sabe, a minha "geração" já conhece o mundo todo. Odeio textos que falem sobre uma "geração" em que eu quase nunca me encaixo, apesar de saber que, em algum momento, a gente realmente deixou essa pressa toda dominar, essa vontade de ser, de ter, de ver e tudo pra agora, tudo pra logo, tudo pra já.
Tenho dois livros iniciados e, esses dias, entrei em desespero porque não consigo acabá-los logo. E, se eu não conseguir acabá-los, como lutar pela publicação, como crescer, ser e aparecer? Como finalmente virar o que todo mundo à minha volta vive dizendo que eu poderia ser, porque parece que todo mundo vê um potencial que eu quase nunca consigo alcançar?
Vira…

Indicação da Semana: "Stuck in Love"

Minha primeira indicação aqui no Isso Não É Um Diário vai ser um filme. O melhor filme que eu vi em 2014.
Filme de 2012, escrito e dirigido por Josh Boone. Com Greg Kinnear, Jennifer Connelly, Lily Collins, Nat Wolf, Logan Lerman e Kristen Bell.
“Stuck in Love” é um daqueles filmes incríveis que, por algum motivo, ficou no limbo dos lançamentos e não alcançou o sucesso que merecia. Somos apresentados a uma família de escritores em fases diferentes na vida. Um pai já estabelecido na profissão, com vários romances publicados. Uma filha no meio da faculdade, lançando seu primeiro romance. E um filho, no colégio ainda, em busca de encontrar sua voz como escritor. E todos eles têm suas diferentes visões e suas batalhas no campo do amor.
Sim, amor. É disso que "Stuck In Love" trata. Não o amor algo padrão e clichê, mas o amor em suas tantas visões e interpretações. É interessante ver como se constrói cada personagem baseada na sua visão de relacionamentos e com o próprio amor.
A direç…

O que fica subentendido

Deixar ir. Virar a página. As páginas. Trocar o livro. A música. O disco. Difícil, porém, possível. Mas, em se tratando do coração, existe jeito fácil de realocar moradores, dar fim a sentimentos, se permitir esquecer? Fazer parar de doer? Existe?
Como é que se para, afinal, de sentir tanto sobre cada pequeno detalhe? Você ainda é a música na minha cabeça, é as entrelinhas nas coisas que eu leio, os pensamentos soltos durante o café que eu tomo incessantemente, a conversa na mesa do bar enquanto a cerveja esquenta.

Eu ainda quero te contar sobre os detalhes bobos do dia a dia e aquelas coisas que eu acho graça quando ninguém mais ri. Sobre uma teoria quase conspiratória que me falaram outro dia e sobre a qual eu ainda tenho certeza que você teria feito algum comentário escandalizado sobre os absurdos que as pessoas insistem em enxergar.

Também tenho certeza de que eu teria sorrido diante disso tudo, só porque eu adoro a forma como você reage às coisas que eu digo, mesmo quando nem sei o …

Lembrar-se de quem a gente ama é urgente

Outro dia, pouco antes de dormir, eu me enviei um e-mail com as coisas que tinha que resolver no dia seguinte. "Urgente", coloquei no assunto. Entre as coisas da lista, eu coloquei uma inscrição de trainee que precisava fazer, uma relação de documentos que tinha que enviar para o banco, uma ideia de post para o blog e outra para um capítulo do livro que eu tô tentando escrever. 
Não tinha ninguém na minha lista de "urgente". Nem pensei em colocar naquele email "ligar para a avó", ou "mandar mensagem pras minhas amigas da escola", muito menos "perguntar pra Gi como tão os preparativos do casamento". São coisas que o tempo todo eu penso que tenho que fazer - ligar pra alguém, mandar mensagem, perguntar da vida - mas que, por correria da vida ou por puro descuido mesmo, nunca acabo fazendo. E aí, na minha lista de coisas urgentes, fica sempre faltando "quem". 
Contei esses dias para um amigo que ando passando por um ciclo bem difí…

NA TELONA: Como Eu Era Antes de Você

Ontem, depois de muita espera, finalmente tive a oportunidade de conferir o filme Como Eu Era Antes de Você graças a uma parceria do site Papel Pop com a Warner. A sessão exclusiva rolou lá no Kinoplex do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, e ainda nos rendeu um livro dado pela Editora Intrínseca, lencinho de papel para ver o filme, pipoca, refrigerante e a melhor parte: uma meia-calça de abelha (você tem que ver o filme ou ler o livro pra entender minha felicidade em ganhar isso)!. 
Bom, depois de poder ver o filme em primeira mão, chega a parte mais importante: o que eu achei? 

"Você só tem uma vida. É seu dever vivê-la o máximo possível".

Esta é a frase que define a história de Como Eu Era Antes de Você, filme estrelado por Emilia Clarke e Sam Claflin e baseado no livro de mesmo nome da escritora Jojo Moyes. Nele, Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para cuidar de Will Traynor (Sam Claflin), um bem-sucedido homem de negócios que se vê preso a uma cadeira de rodas após…

Que É Para Ver Se Te Esqueço

Já mudei o corte de cabelo, reformei meu guarda-roupa, conheci dois lugares numa viagem não programada e me aventurei em algumas camas desconhecidas. Que é pra ver se tiro seu gosto da minha boca, que é pra ver se tiro o seu reflexo do meu espelho, que é pra ver se tiro do meu corpo todas as marcas que você me impregnou.
Dou sorrisos por aí que convencem a todo mundo. E sei que estão todos dizendo como é que eu mudei, como é que amadureci, como é que ter terminado com você me fez tão bem. E agradeço a cada um desses elogios, e penso que tudo isso não faz o menor sentido. Porque sua falta ainda me dói. Porque as noites ainda são longas. Porque tenho insônia quase todos os dias e ainda morro de vontade de ligar pra você.
Como é que você tá? Onde é que você tá indo? Por que você não quer me levar?
Mas já rasguei nossas fotos, doei seus presentes para brechós e bazar. Já me libertei de todas as suas lembranças físicas para perceber que nunca precisei de nada disso para ainda pensar em você. …

O que eu aprendi (de verdade) ficando longe

Todo mundo quer saber detalhes quando você vai fazer um intercâmbio, morar em outro país, ou até mesmo em outra cidade. É normal, é claro, mas nem por isso é exatamente fácil responder o que as pessoas querem saber e atender suas expectativas. Às vezes, você se vê tentando responder perguntas para os outros que você sequer conseguiu responder para si mesmo ainda. É complicado pra caramba. 

Quando eu estava do outro lado do mundo, em um lugar completamente novo, as pessoas queriam saber sobre tudo o que eu estava vendo de diferente, as coisas que eu estava aprendendo, o que mais eu estava gostando. Eu falava sobre o sentimento de independência, falava sobre as praias, falava sobre minhas aventuras na cozinha. Contei, diversas vezes, que agora eu sabia segurar três pratos ao mesmo tempo e também que conseguia apoiar uma bandeja gigantesca no ombro. Falei sobre como estava conseguindo me adaptar a diversas situações mais rápido do que imaginava, das palavras novas que havia aprendido em i…

Lar

A pior parte da distância são os momentos perdidos. O tempo que a gente não vai conseguir recuperar por maior que sejam nossos esforços. Mesmo que isso passe, que os caminhos se estreitem e nos aproximem um pouco mais, o que foi, já foi. O depois é a grande questão.
Enquanto eu saía para realizar um sonho ou outro, você cresceu. Cresceu longe dos olhos e me deixou com um aperto desconfortável no coração.
No fundo eu sei que você ainda é essa pessoa cheia de cores e coração na mão. É que eu queria estar aí para te dar um abraço nas vezes em que algo deu errado e você reaprendeu que algumas coisas não se podem controlar. E em todas as vezes em que deu certo e você só queria comemorar alguma pequena vitória.
Faz tempo, mas, amizades como a nossa – que foi construída em cima de histórias estranhas e infinitas aleatoriedades – costumam ser as que mais duram por aqui. Eu só preciso que você entenda que eu não te abandonei. Como poderia? O que eu posso fazer é te garantir que – mesmo que tanta…