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O que fica subentendido

Deixar ir. Virar a página. As páginas. Trocar o livro. A música. O disco. Difícil, porém, possível. Mas, em se tratando do coração, existe jeito fácil de realocar moradores, dar fim a sentimentos, se permitir esquecer? Fazer parar de doer? Existe?

Como é que se para, afinal, de sentir tanto sobre cada pequeno detalhe? Você ainda é a música na minha cabeça, é as entrelinhas nas coisas que eu leio, os pensamentos soltos durante o café que eu tomo incessantemente, a conversa na mesa do bar enquanto a cerveja esquenta.

Eu ainda quero te contar sobre os detalhes bobos do dia a dia e aquelas coisas que eu acho graça quando ninguém mais ri. Sobre uma teoria quase conspiratória que me falaram outro dia e sobre a qual eu ainda tenho certeza que você teria feito algum comentário escandalizado sobre os absurdos que as pessoas insistem em enxergar.

Também tenho certeza de que eu teria sorrido diante disso tudo, só porque eu adoro a forma como você reage às coisas que eu digo, mesmo quando nem sei o que eu tô dizendo. Ou dizia. Hoje em dia, a gente nem se diz tanta coisa. E, ainda assim, você é tudo aquilo que eu digo, não digo e o que fica subentendido. Você é aquilo que me falta.



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