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Mostrando postagens de Julho, 2016

Naqueles dias

Eu cantava desafinada umas canções da Elis. E reclamava das minhas meias que cê roubava e sempre devolvia sem par. Você passava os domingos com a cabeça apoiada no meu colo enquanto a gente via um filme atrás do outro porque a gente meio que não gostava de existir em domingos. E eu passava os dedos pelos seus cabelos e pensava que eu tinha tudo que eu precisava bem ali: casa, comida, contas pagas e amor.
Toda terça, a gente gostava de jantar fora porque era meu dia de folga e o dia que você chegava mais cedo do trabalho. A gente conheceu uma lista enorme de restaurantes badalados nas terças - o que era ótimo, porque eles sempre estavam mais vazios e eram mais baratos do que nos fins de semana.
A cada quinze dias, a gente visitava sua mãe no interior. E ela me abraçava e me dizia como eu tinha virado uma filha também. Eu lembro de sentir um pouco menos de saudade da minha mãe dentro do abraço da sua. Você ria olhando nós duas ali e dizia que nós éramos as mulheres da sua vida.
Toda sex…

Indicação de Livro: Conectada

ACONTECEU. Finalmente, a Carol Ruedas lançou mais um livro, chamado Conectada. Para quem não conhece a Carol, uma explicação rápida: ela é minha amiga, autora do livro O Mundo Imutável de Melina e dona desse blog aqui. Ela é também uma das escritoras mais sensíveis e leves que eu conheço. Sou fã declarada e vivo indicando pra todo mundo. Então, eu não podia deixar de indicar o novo livro dela também, certo?
As informações do livro estão todas no vídeo aí de cima, feito pela própria Carol, mas divido por aqui também: Conectada conta a história por trás dos bastidores de uma blogueira em ascensão nas internets. Catarina tem 23 anos e, aparentemente, tem uma vida perfeita nas redes sociais. Só que a vida por trás das fotos e dos filtros é um pouquinho diferente: tudo uma verdadeira bagunça, com crush lixo, escolhas bem erradas, problemas de autoestima e amigos excêntricos. 


Se alguém quiser saber o que esperar da escrita da Carol, indico muito dar uma olhada no que ela escreve. Tem texto d…

Sobre Paixão, Amor, Rotina e Outras Drogas

Bom mesmo é quando o relacionamento perde a obrigação de dar certo. Quando se diminui a necessidade de impressionar e aumenta a vontade de ser mais a gente mesmo. Bom é quando as fotos bonitas de capa de facebook cedem lugar para caretas, flagras estranhos, coisas que nunca virão a público porque pertencem apenas ao casal. Bom mesmo é a declaração que é feita ao pé de ouvido.
Bom é quando os apelidos começam a ficar mais ridículos e ninguém tem vergonha disso. Quando a gente fica jogado na cama de pijama mesmo, com coque no cabelo, vendo um filme de comédia idiota. Bom é quando até ficar sem fazer nada, olhando pro teto, falando sobre tudo, é gostoso. Ou então falando sobre nada, apenas em silêncio, abraçados, cada um com seus pensamentos. Gostoso mesmo é quando conseguimos suportar o silêncio do outro sem criar neuroses em nossa cabeça.
As pessoas costumam ter medo da rotina, mas bom mesmo é quando a rotina não nos apavora. Porque é no dia-a-dia, no fazer nada, na roupa de ficar em cas…

Um passo de cada vez

Eu tenho medo, sabe?! Às vezes eu tenho um medo danado da vida. Tenho sempre uma lista de coisas que eu gostaria de fazer não fossem esses “e se...” na minha cabeça; as pequenas paranoias que me deixam com um pé atrás e uma hesitação quase constante. A preocupação com tudo que pode acontecer se der errado; as consequências.
Não temo por mim. Só pela imagem que construíram. Família. Amigos. As pessoas que importam. Eu odiaria partir o coração deles. Mas, de vez em quando, eu me pergunto se não estou partindo o meu no processo, se não estou perdendo quem sou na tentativa inútil de corresponder a uma ou outra expectativa.
O que há com isso, afinal? Parece tão covarde que, de tempos em tempos, tenho vontade de me dar uns beliscões para ver se acordo. Quando é que eu me tornei a pessoa que esconde dos olhos quem realmente é? Ou, talvez, eu ainda não tenha certeza de quem é essa pessoa. Sei que as escolhas que fiz ao longo da vida, nem sempre teriam me deixado orgulhosa. A parte engraçada é q…

Indicação da Semana: Carrie, A Estranha

Hoje, a indicação vai ser de “Carrie”, o primeiro livro que eu li na vida, e o responsável por me formar como leitor e escritor.
“Carrie", de Stephen King. Editora Objetiva, publicação de 2001.
Como muitos da nossa geração, eu aprendi a ler com as histórias de Maurício de Souza e a Turma da Mônica. Alguns anos mais tarde, eu descobri os super-heróis. Uniformes coloridos e vilões de nome engraçado se tornaram minha maior fonte de leitura (hábito que tenho até hoje, apesar de em menor frequência) e por algum tempo, balões de fala eram a tudo que se resumiam meus hábitos literários. 
Até que do alto dos meus doze anos, eu encontrei por acaso, enquanto esperava minha mãe terminar as compras de natal, numa livraria de shopping, uma edição de “Carrie”. A capa não me chamou atenção, mas sua posição em destaque na prateleira sim. Eu nunca havia ouvido falar de Stephen King, e cheguei a pensar se o título do livro não era, na verdade, o nome de uma escritora.
A sua contra-capa me prometeu…