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Indicação da Semana: Carrie, A Estranha



Hoje, a indicação vai ser de “Carrie”, o primeiro livro que eu li na vida, e o responsável por me formar como leitor e escritor.

“Carrie", de Stephen King. Editora Objetiva, publicação de 2001.

Como muitos da nossa geração, eu aprendi a ler com as histórias de Maurício de Souza e a Turma da Mônica. Alguns anos mais tarde, eu descobri os super-heróis. Uniformes coloridos e vilões de nome engraçado se tornaram minha maior fonte de leitura (hábito que tenho até hoje, apesar de em menor frequência) e por algum tempo, balões de fala eram a tudo que se resumiam meus hábitos literários. 

Até que do alto dos meus doze anos, eu encontrei por acaso, enquanto esperava minha mãe terminar as compras de natal, numa livraria de shopping, uma edição de “Carrie”. A capa não me chamou atenção, mas sua posição em destaque na prateleira sim. Eu nunca havia ouvido falar de Stephen King, e cheguei a pensar se o título do livro não era, na verdade, o nome de uma escritora.

A sua contra-capa me prometeu uma história intrigante: uma garota de dezesseis anos, que não é do grupo popular do colégio e tem dificuldades em chamar atenção de garotos, descobre que tem poderes telecinéticos mesmo sem saber muito bem como controlá-los. Sua mãe, uma fanática religiosa, reprimiu sua educação a níveis extremos, a ponto de conferir indiretamente o apelido de “Carrie, a estranha” à adolescente.

Misture tudo isso ao turbilhão que é o processo que chamamos adolescência e você tem aí todos os ingredientes da história que me encantou naquela época. Stephen King é tido como o mestre do terror, mas o interessante é que os poderes de Carrie não tem nada a ver com o horror dessa história. Não, são as relações humanas que se mostram terríveis nela. 

Não fosse “Carrie”, eu talvez não fosse um leitor tão ávido como sou hoje e definitivamente teria muito menos paixão pela escrita agora. Qualquer um que já tenha sido o “outsider” de sua turma vai se identificar com ela e vibrar com sua jornada. 


PS: O livro já teve três adaptações para o cinema, mas a primeira, de 1976 dirigida pelo Brian de Palma segue sendo a melhor. 

Comentários

  1. Já ouvi falar do filme e nem sabia que tinha originado de um livro. Vou procurar para ler. Obrigado pela sugestão!

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