15 de julho de 2016

Sobre Paixão, Amor, Rotina e Outras Drogas

Bom mesmo é quando o relacionamento perde a obrigação de dar certo. Quando se diminui a necessidade de impressionar e aumenta a vontade de ser mais a gente mesmo. Bom é quando as fotos bonitas de capa de facebook cedem lugar para caretas, flagras estranhos, coisas que nunca virão a público porque pertencem apenas ao casal. Bom mesmo é a declaração que é feita ao pé de ouvido.

Bom é quando os apelidos começam a ficar mais ridículos e ninguém tem vergonha disso. Quando a gente fica jogado na cama de pijama mesmo, com coque no cabelo, vendo um filme de comédia idiota. Bom é quando até ficar sem fazer nada, olhando pro teto, falando sobre tudo, é gostoso. Ou então falando sobre nada, apenas em silêncio, abraçados, cada um com seus pensamentos. Gostoso mesmo é quando conseguimos suportar o silêncio do outro sem criar neuroses em nossa cabeça.

As pessoas costumam ter medo da rotina, mas bom mesmo é quando a rotina não nos apavora. Porque é no dia-a-dia, no fazer nada, na roupa de ficar em casa, domingo no fim de tarde, que a gente divide a coisa mais importante do relacionamento: a intimidade. Quando a gente retira a máscara de quem quer sempre fazer o outro se apaixonar e mostra a nossa versão mais apaixonante: a gente mesmo, assim, descabelado, na hora de acordar.

Bom é quando a postura reta e responsável dá lugar para dancinhas malucas. Quando você não precisa gastar muito discurso para dizer ao outro o que tá acontecendo: aquele olhar já basta para você entender o mundo de coisa que passa na cabeça do outro. Bom não é ter uma música do relacionamento, mas cantar e dançar com o outro sem medo do julgamento. Quando a gente calça a meia com o chinelo mesmo. Quando a maquiagem fica encostada. Quando o reflexo que importa é apenas o jeito com que nosso parceiro nos olha.

Bom é quando, durante o sexo, a gente não pensa só no nosso prazer, ou só no prazer do parceiro, mas constrói juntos um jeito de ambos sentirem o mesmo prazer sem ser obrigação nenhuma. Ótimo, então, é quando a gente consegue achar nossa voz para dizer do que gostamos e não gostamos na cama. Quando não existe tabu: seja para falar de sexo, seja para falar de nossas mágoas, seja para ter a liberdade de, também, não falar.

Bom é perdoar. Ótimo é não precisar esconder que está tudo bem, quando não está, é não precisar forçar risadas quando se quer chorar. Bom é se dar bem com a família do outro, mas ótimo mesmo é ter a liberdade para dizer a ele que, naquele dia, você não tá afim de fazer social com os sogros ou os cunhados – que você quer ficar só com ele, sem que isso o chateie.

Bom é quando tem surpresa, sim. Mas ótimo é ser feliz na rotina. Porque romance bom é aquele que acontece longe das luzes, dos flashs e do olhar dos outros. É quando a gente encara o outro sem nenhum filtro do instagran e conclui que não precisa ser perfeito para você continuar querendo estar naquele lugar. Porque bom mesmo é quando você perde a obrigação, dentro do relacionamento, de sempre amar.




Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. ''É quando a gente encara o outro sem nenhum filtro do instagran e conclui que não precisa ser perfeito para você continuar querendo estar naquele lugar. Porque bom mesmo é quando você perde a obrigação, dentro do relacionamento, de sempre amar''
    Perfeito Fernanda,que jeito lindo de colocar em palavras sentimos que as vezes de tão simples ficam difíceis de si dizer!!
    http://trancadoasetechaves.blogspot.com.br/

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    1. é como sempre digo, os sentimentos mais simples são os mais difíceis de expormos <3

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