Pular para o conteúdo principal

Sobre Paixão, Amor, Rotina e Outras Drogas

Bom mesmo é quando o relacionamento perde a obrigação de dar certo. Quando se diminui a necessidade de impressionar e aumenta a vontade de ser mais a gente mesmo. Bom é quando as fotos bonitas de capa de facebook cedem lugar para caretas, flagras estranhos, coisas que nunca virão a público porque pertencem apenas ao casal. Bom mesmo é a declaração que é feita ao pé de ouvido.

Bom é quando os apelidos começam a ficar mais ridículos e ninguém tem vergonha disso. Quando a gente fica jogado na cama de pijama mesmo, com coque no cabelo, vendo um filme de comédia idiota. Bom é quando até ficar sem fazer nada, olhando pro teto, falando sobre tudo, é gostoso. Ou então falando sobre nada, apenas em silêncio, abraçados, cada um com seus pensamentos. Gostoso mesmo é quando conseguimos suportar o silêncio do outro sem criar neuroses em nossa cabeça.

As pessoas costumam ter medo da rotina, mas bom mesmo é quando a rotina não nos apavora. Porque é no dia-a-dia, no fazer nada, na roupa de ficar em casa, domingo no fim de tarde, que a gente divide a coisa mais importante do relacionamento: a intimidade. Quando a gente retira a máscara de quem quer sempre fazer o outro se apaixonar e mostra a nossa versão mais apaixonante: a gente mesmo, assim, descabelado, na hora de acordar.

Bom é quando a postura reta e responsável dá lugar para dancinhas malucas. Quando você não precisa gastar muito discurso para dizer ao outro o que tá acontecendo: aquele olhar já basta para você entender o mundo de coisa que passa na cabeça do outro. Bom não é ter uma música do relacionamento, mas cantar e dançar com o outro sem medo do julgamento. Quando a gente calça a meia com o chinelo mesmo. Quando a maquiagem fica encostada. Quando o reflexo que importa é apenas o jeito com que nosso parceiro nos olha.

Bom é quando, durante o sexo, a gente não pensa só no nosso prazer, ou só no prazer do parceiro, mas constrói juntos um jeito de ambos sentirem o mesmo prazer sem ser obrigação nenhuma. Ótimo, então, é quando a gente consegue achar nossa voz para dizer do que gostamos e não gostamos na cama. Quando não existe tabu: seja para falar de sexo, seja para falar de nossas mágoas, seja para ter a liberdade de, também, não falar.

Bom é perdoar. Ótimo é não precisar esconder que está tudo bem, quando não está, é não precisar forçar risadas quando se quer chorar. Bom é se dar bem com a família do outro, mas ótimo mesmo é ter a liberdade para dizer a ele que, naquele dia, você não tá afim de fazer social com os sogros ou os cunhados – que você quer ficar só com ele, sem que isso o chateie.

Bom é quando tem surpresa, sim. Mas ótimo é ser feliz na rotina. Porque romance bom é aquele que acontece longe das luzes, dos flashs e do olhar dos outros. É quando a gente encara o outro sem nenhum filtro do instagran e conclui que não precisa ser perfeito para você continuar querendo estar naquele lugar. Porque bom mesmo é quando você perde a obrigação, dentro do relacionamento, de sempre amar.


Comentários

  1. ''É quando a gente encara o outro sem nenhum filtro do instagran e conclui que não precisa ser perfeito para você continuar querendo estar naquele lugar. Porque bom mesmo é quando você perde a obrigação, dentro do relacionamento, de sempre amar''
    Perfeito Fernanda,que jeito lindo de colocar em palavras sentimos que as vezes de tão simples ficam difíceis de si dizer!!
    http://trancadoasetechaves.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. é como sempre digo, os sentimentos mais simples são os mais difíceis de expormos <3

      Excluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Cansei de brincar de ser trouxa

Eu cansei das mensagens visualizadas e não respondidas. De ter que estar pronta pra quando você quisesse, mas nunca poder contar com sua presença quando eu queria. Eu cansei de ser sempre tudo do seu jeito, de mendigar sua atenção, de tentar me encaixar entre um horário e outro da sua agenda, de me esforçar pra caber nuns buraquinhos esquecidos da sua vida. 
Cansei das idas e vindas, cansei da falta de atitude, cansei das vezes em que você disse que eu era tudo o que você queria, só não era agora, só não era a hora. Eu cansei de escrever sobre você, de dizer que ia te esquecer, de voltar atrás, de tentar mais um pouco, de insistir mais um tanto. Eu cansei naquela noite em que você não voltou. Naquele silêncio em que a gente não dividiu. Na madrugada inteira que você não me aqueceu e eu morri de frio. 
Eu cansei depois daquele seu olhar vazio quando eu apareci de surpresa. Eu cansei de achar que era você, e era eu, você só não sabia. Porque, quando é, a gente sabe desde o começo. Eu cans…