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Mostrando postagens de Agosto, 2016

Indicação da Semana: Extraordinário

"Vamos criar uma nova regra de vida... Sempre ser um pouco mais gentil que o necessário?”  (J.M. Barrie, citado no livro Extraordinário)
Eu demorei muito pra ler esse livro. Não sei explicar direito o porquê: eu sabia que ele seria bonito e que eu amaria. Mas sabia também, só de ler a sinopse, que eu ficaria com um nó na garganta e que me tocaria de um jeito sem igual. Acho que foi por isso que enrolei – li livros mais leves e romances New Adult enquanto isso. O livro foi ficando ali, na minha estante, de olho em mim.
Até o dia que eu estava preparada para ele.
Depois disso, Extraordinário, de R. J. Palacio, foi rápido. Foi intenso, bonito e tocante – como eu imaginei. Me fez chorar? Sim. Mas me fez sorrir também, porque foi bem mais leve do que pensei. Um daqueles livros que te entretêm, mas que também te fazem pensar, sabe? Assim que eu acabei de ler, saí recomendando pra todo mundo (e por isso tô postando sobre ele aqui).
Agora que já falei sobre a minha experiência com o livro, é h…

Qualquer dia, eu te ligo

Qualquer dia eu passo em frente à sua casa e resolvo tocar a campainha. Pra te dar aquele abraço que eu fiquei devendo quando tava magoada demais pra querer acabar numa boa. E te devolvo aquela camisa que eu deixei escondida em casa porque não queria perder tudo o que eu tinha de você. Mesmo que só tenha sobrado uma camisa e as minhas memórias.
Qualquer dia eu pergunto de você pros nossos amigos em comum sem medo de que eles me digam que você seguiu em frente. E sem querer saber se você sente a minha falta. Só querendo saber mesmo se você tá bem, se realizou seus sonhos, se resolveu abrir seu próprio negócio...essas perguntas que a gente faz por pura preocupação sincera mesmo. E não por dor de cotovelo.
Qualquer hora eu apareço num aniversário do seu irmão – ele ainda insiste em me chamar, mas sempre rola um medo enorme de como vai ser reencontrar você. Vai ver uma hora eu paro de imaginar como vai ser ficar cara a cara com você de novo e simplesmente vou.
Uma hora, eu respondo aquela …

Pequenas grandiosidades

Vazia. Completamente vazia. Encaro a página em branco por alguns minutos e nada me vem à mente enquanto procuro por qualquer coisa grandiosa que possa preencher todo esse espaço. Nada. Nadinha. Às vezes tenho a vontade de injetar cafeína na veia, correr por aí à meia-noite ou fazer algo que eu não deveria só para ver se algo aparece. E eu sei que não vai.
Nada parece importante o suficiente quando o que se está procurando são pacotes completos de felicidade, de acontecimentos marcantes que poderiam virar filme, livro, lenda urbana, canção de amor. O que eu procuro, percebo, vem nos detalhes.
Como naquela vez em que minha avó me olhou e sorriu. Só isso. Isso depois de meses de saudade. Ou naquele dia em que eu peguei toda essa hesitação e joguei ao vento só para chama-lo para fazer qualquer coisa despretensiosa – e ele disse sim.
Ou no dia em que eu consegui terminar tudo que tinha que fazer minutos antes do deadline. Minutos estes que usei para tomar um café, que me fez desenterrar uma …

Então, deixa eu te contar: mudar é bom

Há uns anos, eu escrevi um texto e ele foi publicado em um site grande. Dezenas de pessoas começaram a me seguir, elogiaram o que eu escrevi, me mandaram e-mail, compartilharam no Facebook e no Twitter. Teve gente que me criticou também, mas na época eu nem liguei muito para as críticas porque eu não via problema algum com o texto (além de um erro de português que aconteceu bem na hora da edição). Eis que o texto era justamente sobre isso: falando sobre desilusões ortográfico-amorosas. Eu tava lá me achando muito engraçada e descolada escrevendo um texto em que eu reclamava dos erros de português dos outros. 
Bacana eu. 
O texto ainda circula por aí na internet e ainda continua publicado lá no site grande (não por vontade minha, mas eu concordei com isso quando eu enviei, então né…), mas ele não tá aqui, num espaço que eu controlo. Porque é mais um dos textos que eu me arrependo de ter escrito. É, tenho alguns deles. Já escrevi uns textos machistas e babacas, e esse: com preconceito lin…

Obrigada por isso

A primeira vez que quebraram meu coração, eu achei que não dava mais conta de amar. Sei lá, eu era nova e quando a gente é nova acha que as dores são as maiores do mundo. Não que eu queira minimizar a pisada de bola, não quero. Mas fato é que sobrevivi; venho sobrevivendo aos trancos e barrancos a mentiras, chifres, episódios de deslealdade e papéis de trouxa que nem cabem mais aqui.
Eu já era mais madura na segunda vez e tentei pensar que a gente sempre aprende alguma coisa quando cai. Mesmo que eu tenha caído feio, mesmo que tenha me ralado inteira, mesmo que eu tenha chorado escondido no quarto sem ninguém ver. Aprendi, eu acho. Que amar envolve reciprocidade, antes de tudo. E que eu não posso - e nem devo - convencer ninguém a me amar. Nem me ajoelhar implorando que o outro entenda o meu amor, que me ame, que fique. Quando a gente quer ficar, a gente fica.
A terceira, assumo: achei que o problema era comigo. Eu que amava errado, eu que não merecia o amor de alguém legal, eu que devi…

Verborragia

A parte complicada sobre não falar? O papel sofre. O papel sofre porque é nele que eu despejo todas as palavras que agonizam e nem mesmo passam pela boca – a não ser em sussurros inaudíveis no meio da noite, quando ninguém vai ouvir.
Eu venho perdendo-me aos pouquinhos, numa tentativa de me encontrar. Eu sei, já disse isso antes. Mas, é que, dessa vez, surge uma nova percepção sobre isto. Por temer passar pela vida sem vive-la, estou me obrigando a sair da zona de conforto (mesmo que aos pouquinhos) e fazer aquelas coisas que eu sempre quis fazer, mas deixava de lado por medo.
Alguns momentos de “ok, vamos lá” que tem me levado a uma série de outros momentos de pura e leve plenitude que, mais tarde, me jogam numa espiral de culpa e ansiedade e agonia porque eu não estou acostumada a me sentir assim. Certamente há um preço a se pagar pela liberdade, não? Alguma consequência, alguma coisa que vai me convencer de que eu nunca deveria ter agido?
O que mais angustia é que eu não sei. Não ain…

Aquilo Que O Stalker Não Mostra

A notificação de que você havia curtido minha foto brilhou na tela quase que com a mesma rapidez que sumiu. No mesmo instante, pensei em seus dedos ágeis tentando ocultar a denúncia do seu stalker numa das minhas redes sociais. E aí dei um sorriso.
É estranho dar um sorriso quando antes só de pensar em você eu queria chorar. Mas sorri porque você nunca precisou se sujeitar a me vigiar nas redes sociais anonimamente para saber como eu estava, sabe? Você sempre pode muito bem chegar e perguntar.
Se você perguntasse eu te diria que esse período tem sido o pior de todos da minha vida, antes, durante ou depois de você. Teria te contado sobre minha depressão, a dificuldade que encontrei de sair da cama, encarar o dia, dar a cara a bater mais uma vez sabendo que ia apanhar muito. Teria te contado das crises de ansiedade que ando tendo. Das brabas, sabe? Dessas que parece que a gente tá sendo sufocada em nosso próprio corpo e não consegue nem gritar para pedir ajuda.
Eu teria te pedido ajuda.
Te …

Já é 23

Quando eu saí de casa, aos 19, o mundo parecia infinito e assustador.

Sair do interior pra morar na capital, deixar a casa dos pais, o colo dos amigos de infância. Tudo isso pra entrar em um metrô lotado na Sé às 8 da manhã sem saber bem pra onde ir e na primeira baldeação já ter vontade de pegar um táxi e voltar pra casa.
Aliás, desde que fui embora tenho procurado meu caminho sem muita certeza se eu tô na direção certa. Aí a gente só vai, sabe? A gente vai ao supermercado e enche a cesta de miojo porque tem medo de fazer feijão na panela de pressão. Colocamos a roupa pra lavar e esquecemos de colocar o sabão em pó, a gente descobre que a cama não se faz sozinha e a louça, meus queridos, fica na pia enquanto você não lava.
O principal é descobrir que o que importa é ir. É buscar algo maior, melhor, que talvez seja sempre desconhecido. Porque quanto mais a gente vai, menos a gente sabe. E por incrível que pareça, quanto menos a gente sabe, mais a gente descobre que precisa continuar indo…