9 de agosto de 2016

Aquilo Que O Stalker Não Mostra

A notificação de que você havia curtido minha foto brilhou na tela quase que com a mesma rapidez que sumiu. No mesmo instante, pensei em seus dedos ágeis tentando ocultar a denúncia do seu stalker numa das minhas redes sociais. E aí dei um sorriso.

É estranho dar um sorriso quando antes só de pensar em você eu queria chorar. Mas sorri porque você nunca precisou se sujeitar a me vigiar nas redes sociais anonimamente para saber como eu estava, sabe? Você sempre pode muito bem chegar e perguntar.

Se você perguntasse eu te diria que esse período tem sido o pior de todos da minha vida, antes, durante ou depois de você. Teria te contado sobre minha depressão, a dificuldade que encontrei de sair da cama, encarar o dia, dar a cara a bater mais uma vez sabendo que ia apanhar muito. Teria te contado das crises de ansiedade que ando tendo. Das brabas, sabe? Dessas que parece que a gente tá sendo sufocada em nosso próprio corpo e não consegue nem gritar para pedir ajuda.

Eu teria te pedido ajuda.

Te ofereceria um café e pediria um abraço em troca. É justo, não é? Íamos sentar e eu te contaria tudo aquilo que nunca contei pra ninguém, porque só fazia sentido falar para você. Eu te falaria que o medo de formar, agora que entrei na reta final de curso, tá acabando comigo. Que o medo de falhar as vezes me dá a impressão de que vai me destruir. Que eu tô cansada de me fazer a Mulher Maravilha, sempre forte e poderosa em sua fantasia de amazona. Queria mesmo era ser só humana, não bancar a super-heroína.

E te diria que os sorrisos das fotos não são falsos. Alguns dias eu tô realmente bem e são esses que compartilho. Que as piadas das redes sociais não é porque tô de bem com a vida, é que tô tão desesperada que preciso rir para não cair em choro. Que meus sonhos paralisaram. Que meus planejamentos desandaram. E que a análise me mostrou que essa minha mania de controlar tudo é que tá ferrando boa parte da vida, sabe?

Aí você saberia que outras pessoas apareceram na minha vida e que eu tô bem com elas. De verdade. Mas que seu espaço ainda está vazio esperando sua volta. Você saberia que ainda sou trouxa o suficiente pra acreditar que temos chances, mesmo que eu distribua sorrisos por aí, que não toque no seu nome, que finja que você não me afeta tanto quanto me afetou. Você saberia, se me desse um alô, que tudo que eu mais quis nessa vida foi não ter te dado tchau.

Mas você preferiu ficar longe a se aproximar e dizer que talvez, bem talvez, lá no fundo e por baixo da decepção, também sente minha falta. Você preferiu acreditar na versão da Mulher-Maravilha que exibo por aí sem saber que, apesar disso, por baixo da fantasia, eu ainda queria você aqui.

Deve ter saído do stalker achando, mais uma vez, tudo aquilo que você me disse ao partir: que eu tenho tantas pessoas maravilhosas a minha volta que nem precisava mais de você.

E quer saber? Eu tenho mesmo pessoas maravilhosas ao meu lado.

Mas eu queria que você estivesse comigo, ainda assim.





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