2 de agosto de 2016

Já é 23

Quando eu saí de casa, aos 19, o mundo parecia infinito e assustador.

Sair do interior pra morar na capital, deixar a casa dos pais, o colo dos amigos de infância. Tudo isso pra entrar em um metrô lotado na Sé às 8 da manhã sem saber bem pra onde ir e na primeira baldeação já ter vontade de pegar um táxi e voltar pra casa. 

Aliás, desde que fui embora tenho procurado meu caminho sem muita certeza se eu tô na direção certa. Aí a gente só vai, sabe? A gente vai ao supermercado e enche a cesta de miojo porque tem medo de fazer feijão na panela de pressão. Colocamos a roupa pra lavar e esquecemos de colocar o sabão em pó, a gente descobre que a cama não se faz sozinha e a louça, meus queridos, fica na pia enquanto você não lava. 

O principal é descobrir que o que importa é ir. É buscar algo maior, melhor, que talvez seja sempre desconhecido. Porque quanto mais a gente vai, menos a gente sabe. E por incrível que pareça, quanto menos a gente sabe, mais a gente descobre que precisa continuar indo. 

Por mais que sair da zona de conforto seja algo que dói, e muito!, é preciso estourar a bolha pra ver o mundo lá fora com todas as cores, não só as que a gente já enxerga. E usar todas elas pra pintar nossa tela, que pode ainda estar em branco ou já ter alguns resquícios de cor, não importa. 

Não tem problema se no meio do caminho você sentar no chão do metrô e ligar pra sua mãe chorando, querendo colo. É normal correr pro banheiro com lágrimas nos olhos quando o primeiro chefe te dá um esporro. Tudo bem se você comer a comida direto da panela pra não sujar prato, a gente não conta pra ninguém. E também fica só entre nós aquela semana que você sobreviveu de Cheetos e Coca-Cola porque a grana tava curta. 

No final das contas, o mundo é sempre mais do que a gente pode ver e o tempo passa muito rápido quando a gente tenta desvendá-lo. Mas vale cada minuto, porque quanto mais a gente conhece do mundo, mais infinito a gente se torna. 




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