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Pequenas grandiosidades

Vazia. Completamente vazia. Encaro a página em branco por alguns minutos e nada me vem à mente enquanto procuro por qualquer coisa grandiosa que possa preencher todo esse espaço. Nada. Nadinha. Às vezes tenho a vontade de injetar cafeína na veia, correr por aí à meia-noite ou fazer algo que eu não deveria só para ver se algo aparece. E eu sei que não vai.

Nada parece importante o suficiente quando o que se está procurando são pacotes completos de felicidade, de acontecimentos marcantes que poderiam virar filme, livro, lenda urbana, canção de amor. O que eu procuro, percebo, vem nos detalhes.

Como naquela vez em que minha avó me olhou e sorriu. Só isso. Isso depois de meses de saudade. Ou naquele dia em que eu peguei toda essa hesitação e joguei ao vento só para chama-lo para fazer qualquer coisa despretensiosa – e ele disse sim.

Ou no dia em que eu consegui terminar tudo que tinha que fazer minutos antes do deadline. Minutos estes que usei para tomar um café, que me fez desenterrar uma memória de anos atrás, num canto de mundo – ou de Minas. Lembranças de uma época em que tudo parecia mais fácil.

E é tão gostoso perceber que apesar de as coisas terem se tornado mais complicadas, continuo aqui – um tanto cansada, mas, viva. E grata por isso.

Só preciso reajustar minhas noções de prioridade.



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