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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Resenha: Depois do fim

Depois do fim, fica o quê? A saudade, a dor, as lágrimas, as memórias de vocês jogados num sofá depois do sexo, aqueles flashes do começo quando tudo era fácil, um milhão de perguntas pra tentar entender o porquê?
Acho que cada um lida com o fim de um jeito e muitos desses jeitos estão expostos no livro Depois do Fim, lançado pela Editora Planeta nesse ano. O livro é de autoria do Daniel Bovolento, dono do blog Entre Todas as Coisas e também autor do livro Por onde andam as pessoas interessantes?.
Depois do Fim é um livro cheio de dor, de amor, de cicatrizes, sangues, deixar-ir e libertação. Tem tudo nele, tem muito do Dan e, na minha opinião, sua melhor fase na escrita. Em Depois do Fim, eu consegui ver um Daniel mais maduro em cada texto que escreveu e mergulhei em cada uma de suas crônicas, sofrendo fins que nem passei.

Esse é um daqueles livros que a gente lê e relê, sabe? Que, em uma madrugada qualquer, sente saudade de um texto e abre, procurando exatamente aquelas palavras que no…

Menina: se doa

Chora, menina. Não sufoca essa dor não. Não engula sem querer pra ficar passando mal em silêncio depois. Não finja que tá tudo bem. Se deixa doer, se deixa curar. Ah, menina, os tempos são imediatos, eu sei, ninguém tem muito saco pra quem sai por aí sem maquiar o machucado. Mas não coloca corretivo em cima do seu sentimento, não joga base e uma sombra bonita pra disfarçar. Não pague tão caro para fingir. Vai por mim: isso só vai inflamar.
Menina, escuta o conselho que te dou de graça. Quando a dor vier, deixa doer. Coloca um blues lento. Pega um cigarro. Sei, você não fuma? Toma um vinho. Não gosta de bebida alcóolica? Toma um café. Desses fortes, desses amargos, desses que faz o estômago revirar e a cabeça sair do lugar, sabe? Mas se deixe sangrar.
Toma um banho demorado e deixa a água levar de você todo esse peso nas costas, essa dor no peito, essa sangria desatada. Se chover, é aquela história, deixa molhar. Não se esconda debaixo do guarda-chuva. Não espera a pancada passar. Aceita…

A gente nunca vai totalmente embora

As malas prontas e o ponteiro do relógio. É hora de ir – alguma coisa diz pra gente. E então finalmente a gente vai. Arruma os próprios sonhos e expectativas e parte para o novo com a fé renovada ou com uma esperança intensa de que as coisas sejam diferentes.
Tem gente que vai embora pra outro país. Outros mudam de casa, de cidade, de emprego. Há quem abandone relações. Tem sempre algum lugar pra deixar pra trás – a cidade da infância, a casa dos pais, o apartamento do ex, o emprego que tava deixando a gente infeliz, a morada tão nossa no peito de alguém.
E aí a gente vai. Ainda que o coração fique meio partido no início.
A gente vai com essa ilusão cega de que tá inteiro, pronto para encarar o que vier, de corpo, alma e coração. Principalmente quando a gente vai porque quer – e, às vezes, a gente quer muito.
Mas a verdade é que a gente nunca vai totalmente embora de nenhum lugar.
Fica sempre uma camisa esquecida, algumas lembranças aos pés do sofá, um pedacinho do coração que a gente de…

Blogagem coletiva: Tudo mudou desse lado aí

Por Mart Reff
Sonhei com você hoje. Sonhei ontem também. E a semana passada toda. Pensei pela manhã sobre como era especial te encontrar. E agora a noite me deu uma vontade grande de te ligar, dizer que estou com saudade e queria que tudo voltasse a ser como antes. Será que me entenderia?
A verdade é que: não. Dói ter que reconhecer (sem aceitar) que eu construí toda essa história com uma mão só, porque na outra eu tentava te segurar, te manter por perto. Mas você escapou entre meus dedos. E se quer saber, machuca até hoje quando lembro. E como lembro. E como dói.
Quando fecho os olhos e tento pedir baixinho para recordar de algo bom, apesar de tudo, tudo, tudo, ainda me vem o seu sorriso, seu cabelo grande preto, sua voz de menino e nossas sinceras brincadeiras. Porque apesar de tanta coisa, a gente se divertiu. 
Mas eu? Eu me apaixonei. Na verdade, eu amei e ainda amo. De verdade. Sem medo. Sem me divertir com o que tu sentia. Só me joguei. Fui te construindo como pedia meu coração. Fui…