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A gente nunca vai totalmente embora

Ô, Sydney, que saudade docê <3

As malas prontas e o ponteiro do relógio. É hora de ir – alguma coisa diz pra gente. E então finalmente a gente vai. Arruma os próprios sonhos e expectativas e parte para o novo com a fé renovada ou com uma esperança intensa de que as coisas sejam diferentes.

Tem gente que vai embora pra outro país. Outros mudam de casa, de cidade, de emprego. Há quem abandone relações. Tem sempre algum lugar pra deixar pra trás – a cidade da infância, a casa dos pais, o apartamento do ex, o emprego que tava deixando a gente infeliz, a morada tão nossa no peito de alguém.

E aí a gente vai.
Ainda que o coração fique meio partido no início.

A gente vai com essa ilusão cega de que tá inteiro, pronto para encarar o que vier, de corpo, alma e coração. Principalmente quando a gente vai porque quer – e, às vezes, a gente quer muito.

Mas a verdade é que a gente nunca vai totalmente embora de nenhum lugar.

Fica sempre uma camisa esquecida, algumas lembranças aos pés do sofá, um pedacinho do coração que a gente deixou pra trás durante a correria para arrumar as malas.

Uma memória, um sorriso, uma saudade. Um aperto no peito que dá numa terça-feira à noite, quando a gente já tá jogado na cama, cansado de um dia exaustivo. Sabe? Naqueles poucos minutos que a gente lembra do lugar que deixou e, ainda que tente evitar, dói.

Acontece. Mesmo que a gente saiba que tinha que ir, que tinha que deixar pra trás, que tá muito melhor agora. Mesmo que a gente saiba que aquele lugar já não era tão nosso – ou que nunca havia sido.

Uma parte nossa sempre fica. Aqueles pedacinhos que a gente vai esquecendo com as pessoas que a gente ama – ou amou. Nossas saudades particulares: aquele bolo que só a vó sabia fazer, aquele abraço que não deu tempo de repetir, um beijo, uma música, o cheiro da casa antiga. A gente vai se deixando ali.

E uma hora aprende que é isso: não tem como ir embora inteiro.
Quando a gente decide ir, uma parte nossa já ficou.

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