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Blogagem coletiva: Tudo mudou desse lado aí


Sonhei com você hoje. Sonhei ontem também. E a semana passada toda. Pensei pela manhã sobre como era especial te encontrar. E agora a noite me deu uma vontade grande de te ligar, dizer que estou com saudade e queria que tudo voltasse a ser como antes. Será que me entenderia?

A verdade é que: não. Dói ter que reconhecer (sem aceitar) que eu construí toda essa história com uma mão só, porque na outra eu tentava te segurar, te manter por perto. Mas você escapou entre meus dedos. E se quer saber, machuca até hoje quando lembro. E como lembro. E como dói.

Quando fecho os olhos e tento pedir baixinho para recordar de algo bom, apesar de tudo, tudo, tudo, ainda me vem o seu sorriso, seu cabelo grande preto, sua voz de menino e nossas sinceras brincadeiras. Porque apesar de tanta coisa, a gente se divertiu. 

Mas eu? Eu me apaixonei. Na verdade, eu amei e ainda amo. De verdade. Sem medo. Sem me divertir com o que tu sentia. Só me joguei. Fui te construindo como pedia meu coração. Fui sonhando com nós dois de mãos dadas na praia cheia de flores, aquele reggae tocando e nosso cachorro entrando com as alianças. Criei tudo. E não aconteceu nada. A não ser você... Que saiu da minha vida sem motivo, sem dar explicação. Só bateu a porta.

Todo mundo tem decepções na vida, a minha, maior, com certeza foi ter te perdido. E não me venha com essa história de que era coisa de criança, de adolescente, porque adulta estou e tu continua aqui dentro, guardado, por mais que eu tenha tentado te arrancar inúmeras vezes. Confesso que já cheguei a pensar que tinha conseguido, mas foi só encostar a cabeça no travesseiro que sua voz ecoou no quarto inteiro como quem diz "ainda estou aqui, bem dentro de você". 

Sei bem as coisas que você curte, o que gosta de ouvir, pra onde gosta de viajar, o que ama comer, e ainda reconheço os três sorrisos que só tu tem. E ainda te mostrei meu mundo. A gente dividiu tanta coisa. E quando pensei que te tinha por completo, parei e notei que sinceramente: não te conhecia. Ao ir embora, ficar sem me responder, não ligar em aniversários, não fazer nenhuma visita, nem perguntar como anda a vida... Só foram sinais que tentaram me mostrar o quanto você é diferente. Totalmente.

Mudei, sabe. Mudei muito desde o última dia que nos vimos. Mas aqui dentro, o sentimento, os sonhos continuam. Mas você não, com você foi diferente. Não se importou com nossos segredos, nossos desejos nem com os momentos, bons momentos, que compartilhamos. Tudo pra ti não passa de passado. 

Mas deixo. Deixo a maré bater, deixo o vento levar se não for pra você ficar. Mesmo que eu queira, ainda, depois de todo esse tempo, permanecer aqui, esperando sua volta para continuar a te amar. O tempo passa, tudo muda. Mas o sentimento aqui, não, não vai passar. Porque talvez, nem seja nessa vida ainda.


Esse texto é da Mart Reff, dona do blog Sentimentalismo Desmedido, e é a minha primeira escolha da última blogagem coletiva aqui do blog. Na verdade, achei todos os textos que participaram muito bonitos, então vou postá-los por aqui também nas próximas semanas. Enquanto isso, vocês podem conferir nos próprios blogs das meninas:

Eu me apaixonei por um personagem, da Luana Galdino. 

Eu não te conheço mais, da Nivia Corrêa. 

O que eu nunca falei pra você, da Larissa Alderete. 

Comentários

  1. Adorei ver meu texto publicado em seu site, Karine.
    Foi um prazer participar!
    Um beijo =)

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