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Mostrando postagens de Novembro, 2016

O agora é subestimado

Talvez seja a ocasião, mas, ultimamente, metade das conversas que tenho em algum momento chegam ao mesmo lugar: quais são meus próximos passos. Caramba... Eu não sei. Eu não sei o que vou fazer amanhã, semana que vem, ou, nos anos seguintes. Eu não sei! Frequentemente acontece de eu estar tão exausta que sequer consigo vislumbrar os próximos minutos. É como estar de volta à adolescência: uma criaturinha assustada sem saber o que fazer a seguir. E às vezes me pergunto se chegamos mesmo a descobrir... As coisas mudam com tanta frequência que tenho sorte se consigo acompanhar.
Eu, especialmente, tenho mudado tanto. Nos últimos meses, vivi tantas coisas que eu sequer havia imaginado que só o fato de eu manter minha sanidade (quase) intacta já me parece o bastante por agora. E o agora é sempre tão subestimado.
Tudo parece uma corrida. Uma história superficial em que cada momento é vivido em expectativa por algo que ainda não aconteceu; em que só o que existe é isso: expectativa. E às vezes n…

Meu mês de Kindle Unlimited

Já fazia um tempo que eu queria experimentar o Kindle Unlimited e eu estava bem curiosa para saber se eu iria curtir. Mas, como boa mão-de-vaca que sou, sempre enrolava e deixava para depois. Não porque eu ache o valor muito alto; na realidade, acho um valor bem justo. Acontece que eu tenho um certo apego com livros físicos e não sabia se queria pagar para ter acesso a ebooks emprestados que, depois, eu teria que devolver. 
Mas aí minha memória (ou a falta dela) resolveu trabalhar a favor da plataforma. Eu tinha me cadastrado para experimentar o mês grátis (em que você tem acesso a amostras dos livros) e, no cadastro, incluí o número do meu cartão de crédito. Não usei muito o mês de amostra, mas acabei esquecendo de cancelar meu cadastro. Quando o mês acabou, a cobrança do mês seguinte foi automática. Aí já era, eu tive que começar a usar para compensar o gasto, certo?
Para quem não sabe ao certo como funciona, o Kindle Unlimited é uma plataforma que te dá acesso a milhares de livros po…

Oi, Karine de 15

O tempo passou e a gente chegou aos seus sonhados 25 anos. Preciso te falar a verdade: fazer aniversário não é mais tão empolgante - acho que aconteceu depois dos 18, quando a gente percebeu que ficar mais velha não era tão divertido assim. Sinto te informar, mas ser adulto pode ser bem chato. Você vai odiar pagar as próprias contas e declarar imposto de renda. Por isso, aproveite bem sua festa e sua idade. Você vai lembrar dela com um carinho enorme.
Tá tudo bem, se é o que você quer saber. Às vezes, tudo vai ótimo. Outras vezes, nem tanto. Mas a gente vem se virando bem nesse tempo todo, aos trancos, barrancos, tombos e risadas. Muitas risadas. Alguns choros também, mas tamo viva, Ká. Umas cicatrizes, é verdade, mas viva. Quem diria.
A gente não conquistou tudo o que você queria, sinto muito. Não casei, desculpa. Sequer tô em um relacionamento. Quem sabe você não descobre aí, no meio do caminho, o que é que a gente tem que fazer para parar de fugir quando a coisa fica séria. Ou melhor…

Indicação do dia: Little Nation

Você já ouviu falar da Little Nation? Se ainda não sabe nem do que eu tô falando, vem cá que eu preciso falar disso.

Little Nation é um duo de folk-pop formado por Samille Joker e Henry Jack (ou Rique Azevedo, como ele também é conhecido). A primeira vez que eu escutei uma música da dupla foi bem por acaso, em um vídeo que a Samille publicou no Facebook. Como eu tenho amigas em comum com ela e eu já sabia que ela era cantora e compositora, resolvi parar e escutar. E não deu outra: adorei. 

O que eu acho mais legal das músicas deles é que tanto as que são em português como as que são em inglês ficaram igualmente lindas. Além de curtir muito as vozes dos cantores e as batidas das músicas, eu gostei bastante das letras. 

E aí, como virou um dos meus vícios musicais do momento, resolvi compartilhar. Quem sabe não vira o seu vício também. Vou deixar minhas duas músicas preferidas aqui, mas se quiser saber mais, você pode acessar o site, o canal deles no Youtube ou a página do Facebook

Ah, e …

Se eu pudesse te eternizar em forma de texto

Uma vez, você me disse que eu sempre escrevia o que você precisava ler. Mas dessa vez eu não tenho ideia do que se escreve em momentos assim. Como a gente se despede de quem vai assim tão rápido, no meio da noite, de forma tão inesperada? Não deu pra me despedir. Ainda assim, escrevo. Escrevo porque foram as palavras que te trouxeram pra mim e com elas eu me despeço. Se eu pudesse te eternizar de alguma forma, eu te eternizaria em forma de texto. 

Em um daqueles textos bonitos que você gostava de ler, em um livro, em uma frase que você compartilharia nas suas redes sociais. Eu te eternizaria nas palavras mais lindas que o dicionário pudesse me dar, qualquer coisa que conseguisse retratar sua alma leve e entregue. O tanto de amor que você tinha pra distribuir de graça, sem cobrar nada em troca.

Fiquei te devendo um encontro. Um abraço. Aquele café e as horas de conversa. Mas você não ficou me devendo nada. Sempre me deu os elogios mais sinceros e o carinho mais puro. E, em todo aniversár…

Precisamos Falar Sobre A Depressão

Eu tenho depressão.
Talvez você diga que não é verdade, pelas piadas idiotas que compartilho nas redes sociais; porque há sempre foto de mim sorrindo no instagram; porque tudo parece perfeito visto atrás de uma tela. É que os filtros das redes sociais são melhores que a maquiagem para dias ruins, e tampam tudo, sabe, e melhoram tudo.
Talvez você diga que é exagero. Porque continuo fazendo tudo o que fazia antes; porque minhas notas não caíram; porque eu não desisti de nenhum plano que tinha antes desse fantasma se apoderar de mim. Porque ainda continuo no trabalho. Mas só eu sei que desisto todos os dias de uma parte de mim para continuar no caminho, a energia que é muito maior para dar um passo do que eu usava para caminhar por um quilômetro sorrindo.
Eu tenho depressão.
Talvez você se assuste, porque aparentemente eu tenho uma vida perfeita. Porque meu relacionamento amoroso é bom e meu namorado está sempre ao meu lado. Porque tenho poucos amigos, mas sei que posso contar por eles. T…

Eu não te conheço mais

Quando eu ouso responder a mim mesma à pergunta que (quase) sempre faço, eu chego invariavelmente à mesma conclusão: não sinto mais dor.

Realmente, paro aqui para pensar e não consigo mais me dizer (ou  qualquer outra pessoa menos parcial) quais são suas qualidades e nem mesmo os seus defeitos.

Talvez, seja porque eu não te conheço mais.
Talvez, eu esteja usando o talvez apenas por ainda me lembrar que existiu um passado, uma grande história, uma forte parceria. E dessas coisas eu ainda não me esqueci.

Fui parando de te conhecer no dia em que te conheci. Eu não me lembro – e você também não, sempre contamos essa parte da nossa história como algo engraçado – de como nos tornamos amigas. Talvez, isso tenha sido fatídico. Olha eu aí usando o talvez de novo.

Se o acaso nos uniu, posso ter certeza de que quem nos separou foi ele também, além de nós mesmas. Sinto que inconscientemente nos esforçamos para isso. Foi proximidade demais, intimidade demais, segredos demais, momentos demais, competiçõ…

Cuida das nossas memórias

A risada perdida quando você entrar naquele café da esquina da sua rua. Talvez ela tente escapar, como os sons e as imagens sempre escapam após algum tempo, por isso é melhor ser bem rápido: fechar os olhos e capturar a sensação de nós dois rindo em um domingo qualquer, naquela mesa no canto direito que a gente sempre ficava. Era um tempo que a gente era feliz e ria sem medo da distância. Parecia fácil - sempre parece no começo. 

No sábado de manhã, quando você for ao mercado em frente a sua casa e alguém passar por você com o mesmo perfume que o meu. Não é mais o que eu uso, mas era o que eu usava e deixava impregnado em você depois de um dia inteiro ao seu lado.  Sente um pouquinho de mim naquele cheiro, porque se lembrar de mim é não esquecer da gente. Mesmo depois de meses. 

A música do Shawn Mendes que eu sempre fazia você ouvir. Quando cê ligar o rádio do teu carro e a voz dele começar a cantar, é a minha voz que você vai ouvir. Cantando desafinada no banco do seu carro, olhando p…