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Cuida das nossas memórias

Foto de quando eu tava lá do outro lado do mundo

A risada perdida quando você entrar naquele café da esquina da sua rua. Talvez ela tente escapar, como os sons e as imagens sempre escapam após algum tempo, por isso é melhor ser bem rápido: fechar os olhos e capturar a sensação de nós dois rindo em um domingo qualquer, naquela mesa no canto direito que a gente sempre ficava. Era um tempo que a gente era feliz e ria sem medo da distância. Parecia fácil - sempre parece no começo. 

No sábado de manhã, quando você for ao mercado em frente a sua casa e alguém passar por você com o mesmo perfume que o meu. Não é mais o que eu uso, mas era o que eu usava e deixava impregnado em você depois de um dia inteiro ao seu lado.  Sente um pouquinho de mim naquele cheiro, porque se lembrar de mim é não esquecer da gente. Mesmo depois de meses. 

A música do Shawn Mendes que eu sempre fazia você ouvir. Quando cê ligar o rádio do teu carro e a voz dele começar a cantar, é a minha voz que você vai ouvir. Cantando desafinada no banco do seu carro, olhando pela janela e me perguntando como é que faz pra gente ser pra sempre quando a vida se mete no meio do caminho. Você sabe bem que era sempre isso que eu me perguntava quando ficava em silêncio nos nossos últimos dias. 

Quando a saudade apertar, pega um pouquinho de mim em cada memória, do mesmo jeito que eu, aqui, lembro da gente em cada lembrança tua. E quem sabe a gente dá conta, quem sabe o nosso amor é daqueles que aguentam oceanos de distância e se mantêm, quase intactos, até a hora do reencontro. Quem sabe a gente se torne um desses casais que viram história bonita pra contar - porque sobreviveram. E que difícil é amor que sobrevive nesses tempos, não é?

Lembra de mim e de nós sempre que der e me guarda com carinho. 
Porque eu tô longe, sei que tô, mas é que, sabe? Ainda é você. Ainda sou eu?
Se for, cuida da gente. Das nossas memórias.
Guarda tudo isso contigo. Guarda tudo isso pra mim. 

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