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Não trocaria minhas saudades por nada


Houve um tempo em que eu odiava sentir saudade. Puta sentimento doído, né?, eu pensava. Puta dor desnecessária que aparece quando a gente menos espera, numa quinta à tarde, quando a gente olha sem querer a foto de uma lembrança antiga. Sentir saudade pra quê?

O negócio dói mesmo, é verdade. Saudade é daquelas dores que pegam de jeito, que nem soco no queixo que deixa a gente tonto no final da luta. 

Mas, pensando bem, sentir saudade é bom. 

Que bom é ter essa certeza bonita de que, em algum lugar do passado, ainda que por poucos segundos, minutos ou dias inteiros, a gente foi feliz. A gente sorriu e riu e ganhou essas memórias alegres que nos invadem às 3 da manhã do dia 30 de dezembro, quando a gente olha pra trás. 

Vem com um buraco no peito, é verdade, e às vezes acaba numas poucas lágrimas ou numa dor de estômago ou numa pontada aguda no peito, mas, preciso ser sincera: não trocaria minhas saudades por nada.

Porque, se o contrário da saudade louca é o arrependimento de não ter me arriscado, de não ter ido quando quis ir, de não ter voltado quando precisei. Se o contrário de sentir falta de tudo o que vivi é não ter vivido, de fato, nada do que quis, de que me adianta? De que me adianta não vivenciar esses vazios sinceros que a gente sente quando lembra de um amigo, de um ano específico, de um país do outro lado do mundo? 

Então, que eu sinta saudade. Saudades loucas, doídas, sinceras. Que, às vezes, passe um dia inteiro nostálgica, pensando em tudo que passou e não volta mais. Porque prefiro isso a não sentir falta de nada. Ou de ninguém. 

Comentários

  1. Lindo texto, Karine.

    Espero que seu ano de 2017 seja lindo, cheio de conquistas, saúde, alegrias e muito amor.

    Beijo da sua fiel leitora.
    MR

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